Flying Cages
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Flying Cages: Indie rock revisitado

Os Flying Cages vêm de Coimbra. Ganharam o Vodafone Band Scouting no Vodafone Mexefest e apresentam Lalochezia, álbum de estreia.

Lalochezia remonta-nos a um Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, a um Is This It que nos faz voltar a apaixonar pela sonoridade dos anos zero. Juntam uma guitarra de Mardy Bum a uma voz de Someday. Mais do que isso são produto nacional.

Influenciados pelo indie rock, estão a ir contra-corrente daquilo que se faz em Portugal. Num país que está na era do experimentalismo e do psicadelismo, fazer indie rock pode parecer arriscado. Sobressai a capacidade de ainda surgirem bons artistas dentro deste estilo. Flying Cages são os novos embaixadores do riff melódico e voz-rouca-de-bagaço que navega abaixo o canal auditivo.

O disco é uno. Não existem músicas fora do contexto nem mal posicionadas. Isso confere uma facilidade em o ouvir. Não cansa, é fresco e tem uma sonoridade enérgica que percorre as treze faixas.

Sim, podemos pensar que o estilo indie rock já não é uma trend e já não se adequa. No entanto, há algo em Lalochezia que não nos faz desejar esse avanço a que, culturalmente, somos forçados. Talvez Flying Cages não pertençam a esta era, mas isso não lhes tira mérito. Enquanto o mundo pula e avança, como diria António Gedeão, somos forçados a admitir que Lalochezia é caravela quinhentista num mar que não lhe pertence. Isso atribui-lhe um mérito inegável.

Uma das revelações deste ano que elevam a barra da música nacional para 2016.

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