Fernando Fernandes, Bed Legs
Beatriz Teixeira

Entrevista a Bed Legs: “Queremos ter impacto”

Foi num dia frio de janeiro que nos encontramos com Fernando Fernandes, vocalista dos Bed Legs, na estação de São Bento, no Porto. A banda de Braga irá lançar o seu primeiro longa-duração este mês, sendo Vicious o single de apresentação do álbum.

A origem do nome da banda, o novo álbum Black Bottle, o estado do rock em Portugal e a equidade de oportunidades. Entre o frio que se sentia e os comboios que passavam, num dos bancos da estação falou-se um pouco sobre isto.

Espalha-Factos (EF): Porquê Bed Legs?

Bed Legs (BL): Na altura nós juntámo-nos e começámos a criar uns temas. Surgiu a oportunidade de entrarmos num concurso de bandas em Coimbra para depois ir tocar à Queima das Fitas. Já tínhamos os temas, só que eles pediam nome. Primeiro surgiu Blazers, por causa dos casacos de cabedal, mas depois pensei “Eu acho que isso é uma equipa de basquetebol da NBA”, é melhor não. (risos) Depois pensámos em Rain Dogs mas fomos ver e já havia uma banda com esse nome. Depois alguém surgiu com Bad Lands mas não concordámos. E o Hélder na brincadeira disse Bed Legs, como somos quatro, as quatro pernas da cama. Nós concordamos e mais tarde pensámos “Será que Bed Legs é um bom nome? Mas agora já está” (risos) Foneticamente até é um nome que é fácil de dizer e fica na cabeça. Mas não foi nada de conceptual, foi uma piada que acabou bem.

EFVicious é o single de apresentação do álbum que vai sair dia 29. É um disco que conta uma história, no qual cada tema também é sobre uma história. O que é que nos podes dizer sobre ele?

BL: É um álbum sincero, é cru, não é muito fictício. Escrevi a maior parte das letras, com a ajuda da banda em algumas que tive mais dificuldade em acabar. Não foi muito conceptual no sentido de pensar num início, meio e fim e mas acaba por ter. Começa com a Road Again porque depois de termos estado parados durante muito tempo voltámos à estrada para apresentar o nosso trabalho e fazermos aquilo que queremos. E depois no meio da estrada há muita coisa que se passa, como se passou no passado. Muita borga como há na Vicious, muitos excessos. Muitos encontros, romances, como a Love, Lies and Love. Romances passageiros no meio de mentira, a cena de prolongar o romance que nem sempre é possível. Depois há a Wrong Man que é sobre não ser o homem ideal ou o homem certo. A My Heart Back que é sobre uma desilusão amorosa. A New World é sobre mudar de vida, sobre haver um novo mundo que espera por nós. Há a Try que é um conselho de amigo para amigo, para tentar reconquistar o amor. E a The Fight que é continuar a lutar porque um futuro melhor virá. O álbum tem um início, meio e fim mas isso foi mais uma questão de organizar o puzzle e no final até conseguimos criar uma narrativa.

Fernando Fernandes, Bed Legs
Fernando Fernandes, vocalista dos Bed Legs (fotografia de Beatriz Teixeira)

EF: Qual tem sido o feedback até agora?

BL: O single acho que as pessoas têm gostado. Foi uma coisa que fizemos nós próprios, o videoclip fomos nós que produzimos com a ajuda também de um coletivo de Braga ao qual pertenço e acho que foi fixe. Do nada fizemos um videoclip que acho divertido, dinâmico, com energia.

EF: Já existem planos para o lançamento do álbum e uma possível tour pelo país?

BL: Queremos ter impacto. Acima de tudo impacto. Mas depois depende dos sítios onde nós vamos tocar, se é um sítio muito grande ou um sítio pequeno. Vamos tocar no Sabotage em Lisboa no dia 20 de fevereiro. Em Braga e no Porto ainda estamos a marcar. Mas em Braga queremos que seja mesmo no centro da cidade e fazer publicidade com antecedência para ter um público fixe e ter impacto.


EF: No meio de tanta eletrónica e psicadelismo, o vosso rock ainda consegue sobreviver?

BL: Sim, eu acho que sim. Eu acho que ainda conseguimos ter público. Isto é uma questão de ondas, hypes. E agora há muita eletrónica. Eu próprio produzo música eletrónica, eu gosto muito de música eletrónica. Mesmo as pessoas da música eletrónica gostam de vários estilos musicais, acabam por samplar vários estilos musicais. O que importa é as coisas circularem. Depois, se calhar, vai haver alguém com carisma que vai mostrar à pessoa certa, aos amigos e vão começar a gostar.

EF: Vitorino disse há uns tempos que “Quando um português canta em inglês fica tristemente ridículo”. Sendo vocês uma banda que gosta de escrever e cantar em inglês, o que pensam sobre isto?

BL: É legítimo o que ele está a dizer. Nós no início quando nos juntámos perguntamos “Vamos cantar em inglês ou português?”, e a banda decidiu cantar em inglês. Eu, sinceramente, escrevo mais em português e gosto mais de cantar em português mas também gosto de cantar em inglês. É um desafio. E foneticamente também é outra coisa. Português até acho que é um desafio muito maior. É legítimo o que ele diz mas cantar em inglês também é outra moca, ele que experimente e depois diga o que acha. (risos)

EF: Vocês acham que ainda existe um “favorecimento” para os artistas que estão em Lisboa e Porto? Ou acham que as cidades mais pequenas como Braga e Leiria estão a conseguir resistir a isso?

BL: Tens um bocado de razão no que estás a dizer. Já o Eça de Queirós dizia que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem e ainda se mantém um bocado. Isto anda um bocado centralizado em Lisboa e no Porto mas já começam a soar nomes de outras cidades: os Glockenwise de Barcelos, os Killimanjaro, os Cave Story de Leiria. Mas começam a haver, já começo a ouvir falar de bandas de fora destas duas cidades principais.

 

Black Bottle tem data de lançamento para dia 29 de janeiro. Até lá Vicious convida quem ouve a estar atento aos Bed Legs.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=2cTqrPV1hvc]

 

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