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Foto: steveczajka via VisualHunt

Alguns contos de fadas bem conhecidos têm mais anos do que se pensava

Um relatório, publicado recentemente na Royal Society Open Science, revela que histórias como A Bela e o Monstro e O Anão Saltador, contadas ao longo de gerações e gerações, podem afinal ter surgido há milhares de anos.

O “Era uma vez, há muito muito tempo atrás”, frase característica dos fairy tales que ouvimos desde a nossa infância, faz agora mais sentido do que nunca.

Um estudo elaborado por Sara Graça da Silva, investigadora do Instituto de Estudos de Literatura e Tradição (IELT) da Universidade Nova de Lisboa, e Jamshid Tehrani, do departamento de antropologia da Universidade de Durham (Inglaterra) vem agora confirmar o que o Wilhelm, o mais novo dos famosos irmãos Grimm, já havia pensado no século XIX – os contos tradicionais, que tão bem conhecemos hoje em dia, têm afinal um longo percurso histórico.

Foto: Chaumurky via VisualHunt.com
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A mágica história de A Bela e o Monstro, adaptada para filme, em 1991, pela Walt Disney, ou o conto alemão O Anão Saltador, poderão ter mais de quatro mil anos de existência, não sendo mesmo assim dos mais antigos.

Foto: jimdeane via VisualHunt
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Segundo o mesmo estudo, estima-se também que o conto O Camponês e o Diabo remonta à Idade do Bronze, há cerca de seis mil anos. Outro conto popular, João e o Pé de Feijão, poderá ter tido origem há cinco mil anos.

A sobrevivência de histórias como estas, durante tanto tempo e sem nunca terem sido escritas, é um facto muito interessante para os investigadores desta área. Jamshid Tehrani afirma mesmo que muitos delas são bastante mais antigas que a própria língua inglesa e que podem ter sido, inclusive, contadas pela primeira vez num idioma entretanto extinto.

Foto: sofi01 via Visualhunt
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No entanto, esta é uma análise um pouco complicada de realizar, visto que grande parte desses contos só foram passados para papel a partir do século XVII. Para isso, os dois investigadores estudaram cerca de 275 histórias. As análises estatísticas da relação entre as lendas e a língua, bem como entre as lendas e como elas podem ter sido partilhadas entre os povos, permitiu à equipa constatar que pelo menos quatro desses contos têm uma alta probabilidade de estarem associados à estrutura da língua protoindo-europeia, uma língua comum dos povos indo-europeus com cerca de seis mil anos.

Durante anos os alemães irmãos Grimm recolheram e compilaram contos de fadas como A Bela Adormecida, A Branca de Neve, Capuchinho Vermelho, Hansel e Gretel, Cinderela e Rapunzel, o que possibilitou que ainda hoje estas sejam histórias conhecidas e apreciadas por miúdos e graúdos.

Foto: twm1340 via Visualhunt
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Wilhelm Grimm chegou a afirmar que os contos tradicionais alemães que ele e o seu irmão Jacob haviam compilado e publicado pela primeira vez em 1812, tinham raízes em culturas antigas desde a Escandinávia ao Sul da Ásia. Ideia esta que muitos, na altura, consideraram impossível e que veio agora a ser comprovada.

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