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‘A Estrela do Deserto – Tomo 1’: sangue, sexo e violência

A Estrela do Deserto, de Enrico Marini e Stephen Desberg, passa-se em Washington DC, no início dos anos 1870. Um western atípico, que se centra no Arizona dos párias, após Matt Montgomery se confrontar com o assassinato da sua família. Vencedor de um Prix des libraires e de um troféu Betty Boop para a Melhor Ilustração no Festival de Banda Desenhada de Hyères.

A Estrela do Deserto (tomo 1 e 2) trata-se do volume 6 da Coleção Grandes Autores de Banda Desenhada, numa publicação conjunta do jornal Público/Edições ASA, editada entre janeiro e março de 2008, que inclui títulos de referência de dezasseis dos mais conceituados autores da História da BD. Os dois tomos existem ainda em edições separadas, com a chancela da ASA.

Em A Estrela do Deserto – Tomo 1, Matt Montgomery ocupa um posto importante no Ministério do Interior, distraindo-se dos problemas familiares, que o atormentam, por entre os dossiers fastidiosos que diariamente o absorvem. Porém, ao instalar-se o fim de semana, o personagem, que apregoa necessitar de silêncio, confronta-se com o irromper de uma discussão, iniciada pela sua mulher.

“A verdade é que, para mim, é importante fazer tudo como deve ser. Existem regras. Como na lei” – Matt Montgomery in A Estrela do Deserto

Helen, a única filha de Matt Montgomery, partiu com “o imbecil do Glover”  e o pai não mostra qualquer intenção de a receber novamente em sua casa. Afinal de contas, preveniu-a do arrependimento que se seguiria. A sua mulher tenta chamá-lo à razão, explicando-lhe que “uma jovem como ela precisa de cometer erros para depois poder reencontrar as suas raízes”.

Matt Montgomery não está interessado em discutir o regresso de Helen. Fugindo à realidade, deseja voltar ao trabalho no ministério, mas sobretudo acabar com aquilo que consome o seu tempo e, consequentemente, a sua vida. Apregoador da importância de respeitar as regras sociais, acaba por se revelar hipócrita, ao confessar o caso com a sua secretária, que só toma “nos braços depois das horas de trabalho”.

Guídry é o que de mais perto Matthew possui de um amigo. Ambos são parte integrante daquilo a que se refere como a civilização. “Homens respeitosos”, declara, sem elucidar o leitor acerca do que é, para si, um ser respeitável. Contudo, ao regressar a casa, confronta-se com a polícia e o assassinato da sua família.

“Compreendo agora que tudo o que fiz, fi-lo na crença de que haveria tempo para tudo mudar, tempo de pôr tudo no seu devido lugar” – Matt Montgomery in A Estrela do Deserto.

No peito desnudo de Helen o assassino traçou uma estrela. Movido por um esforço de compreensão, Matt Montgomery dispõe-se não só a descobrir a razão por trás do homicídio da sua filha e mulher, como o significado daquele estranho símbolo. Após encontrar pistas suficientes, parte em direção a Topeka, uma pequena cidade no Estado do Kansas, perto da construção da via-férrea de Santa Fé.

Com uma paleta na qual predominam tons dourados, A Estrela do Deserto afasta-se do Oeste soft das produções clássicas de Hollywood, oferecendo sangue, sexo e violência. O volume 1 acaba de forma abrupta, mas suficientemente esclarecedora para o leitor não se sentir perdido e desejar ver as suas dúvidas esclarecidas no volume 2.

Nota: 6/10

Ficha Técnica

Título: A Estrela do Deserto – Tomo 1

Argumento: Stephen Desberg

Arte: Enrico Marini

Tradução: João Silva

Revisão: Zulmira Perdigão

Impressão e acabamentos: Grafiasa

Editora: Edições ASA

Páginas: 54

Preço: 5,50€ (na Wook)

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