É verdade que a quinta instalação de American Horror Story não começou da melhor maneira e, à semelhança das duas temporadas anteriores, andou um pouco aos ziguezagues sem saber como dar uso às personagens que tinha. Contudo, o último episódio foi provavelmente um dos melhores de toda a série. Não só porque pegou nas várias fatias do bolo do Hotel Cortez, como também recuperou elementos de outras temporadas. Be Our Guest estreou canal FX no dia 13 de janeiro.

Liz (Denis O’Hare) e Iris (Kathy Bates) tomam agora a gerência do Cortez e tentam reinventá-lo, mudando a mobília e atraindo novos clientes. Mas os espíritos no hotel não descansam e continuam a matar os hóspedes. Os grandes rebeldes são Sally (Sarah Paulson) e Will (Cheyenne Jackson), que se recusam a ser bem-comportados.American Horror Story

Liz e Iris convocam uma reunião com os fantasmas e assistimos ao regresso de imensas caras que apareceram ao longo desta temporada, incluindo as turistas suecas, o Gay Lenhador, a agente imobiliária Marcy, Miss Evers (Mare Winnigham), entre outras. O encontro é interrompido por James March (Evan Peters), o qual concorda que os homicídios têm de parar. Esta foi a primeira de muitas cenas do episódio que encheu o nosso coração de nostalgia, ao ver a junção de tantas personagens e sabendo que esta seria a sua despedida.

Iris oferece um telemóvel a Sally e apresenta-a ao mundo das redes sociais. A toxicodependente encontra finalmente a ligação ao mundo que procurava, recebendo o tipo de atenção que a livrou até do mundo das drogas. Uma resolução um pouco descabida para o universo desta temporada, mas que ainda assim teve a sua graça. Liz convence Will a voltar ao seu negócio da moda e este começa a montar desfiles, em que os modelos convidados eram os próprios fantasmas do Hotel. Uma cena que nos fez regressar ao segundo episódio da temporada, mas desta vez com um elenco muito mais interessante.

Liz continua a sentir a falta de Tristan (Finn Wittrock), o qual ainda não revelou a sua presença enquanto espírito, e Iris decide contratar Billie Dean Howard – se estão recordados, Billie Dean é uma psíquica da primeira temporada, também interpretada por Sarah Paulson. O regresso glorioso de mais uma personagem da casa assombrada.American Horror Story

Billie Dean contacta o espírito de Tristan e este diz-lhe que não quer falar com Liz, culpando-a pela sua morte. A protagonista decide então seguir com a sua vida em frente e encontra uma nova forma de amor quando assiste ao nascimento do seu neto. Contudo, os eventos dão uma curva inesperada e Liz é diagnosticada com cancro.

Ramona (Angela Bessett) sugere torná-la num vampiro, concedendo-lhe vida imortal. Liz recusa e diz que quer morrer no Hotel e ficar junto dos fantasmas, os quais considera agora a sua família. Reunindo novamente todo o elenco, Liz pede-lhes que todos a matem simultaneamente e a ajudem no seu “renascimento”. Devo dizer que a junção deste elenco era suficiente para tornar este episódio perfeito. Todos eles mostraram uma química conjunta inigualável.

A cena é interrompida pela Condessa (Lady Gaga), a qual considera Liz a sua melhor criação: tendo-a ajudado na sua primeira transição, pretende agora ajudá-la na sua última. A Condessa chora à medida que corta a garganta de Liz. Agora em espírito, esta recebe a visita de Tristan, o qual a informa de que não queria interromper a sua vida porque achava que ela merecia mais tempo enquanto humana. Os dois beijam-se e decidem celebrar a sua eternidade em paz.American Horror Story

Billie Dean Howard continua a investigar os eventos do hotel, atraindo atenção indesejada. Avançando para 2022, na noite de Halloween (a qual o Cortez comemora como Noite do Diabo), John Lowe (Wes Bentley) reaparece e explica, através de flashbacks, o que lhe aconteceu nos últimos anos.

Após não se conseguirem adaptar ao mundo lá fora, a família decide mudar-se de novo para o hotel, exceto a filha Scarlett, que é a única normal no meio disto tudo. Contudo, John é perseguido pelos seus crimes e baleado pela polícia, mas consegue chegar ao Cortez antes de morrer, juntando-se ao mundo dos espíritos.

Relatando todos estes eventos a Billie Dean, John conduz então a mulher para a festa anual da Noite do Diabo e mais uma vez assistimos ao grande regresso dos nossos assassinos favoritos, tais como John Wayne Gacy, Jeffrey Dahmer, Richard Ramirez e, com um carinho especial, Aileen Wuornos (interpretada pela veterana Lily Rabe).

O grupo ameaça Billie Dean, dizendo-lhe que ela tem de parar com as investigações no hotel, caso contrário será morta às mãos deles. Ramona torna-se numa espécie de apólice de seguro, já que é das poucas que consegue sair do Cortez e assegurar o silêncio de Billie Dean. Nos últimos minutos do episódio, a Condessa, com toda a sua beleza e glamour, desfruta de uma bebida no bar à medida que engata um recém-chegado.American Horror Story

Este episódio foi tão bom que não só fechou a quinta temporada de American Horror Story, como teria sido capaz de encerrar a série. Trazer de volta muitas das caras que já passaram pela série é sempre uma técnica infalível, especialmente com um elenco deste calibre.

Por falar em elenco, os aplausos desta semana vão, sem dúvida, para Sarah Paulson. Deve ser uma tarefa extremamente difícil interpretar duas personagens diferentes no mesmo episódio, mas a atriz fê-lo de forma irrepreensível. Denis O’Hare, como sempre, arrasou na sua prestação, roubando o protagonismo a muitos dos presentes. Lily Rabe, embora apenas com uns minutos de tempo de antena, teve um regresso inigualável.

Despedimo-nos então do Hotel Cortez, fechando todas as narrativas que, ao longo da temporada, parecem não encontrar uma direção concreta. Admito que ao início estava cético, sobretudo devido à ausência de Jessica Lange, mas este episódio foi a prova viva de que os criadores e o elenco têm toda a capacidade de manter a série viva durante muito mais tempo.

NOTA: 9/10