Se és estudante universitário, então passas certamente o teu janeiro enfiado no quarto dedicado ao estudo, a reler um sem número de matérias chatas e a tirar mil e um apontamentos para ires preparado para os teus exames e melhorias. Não há como escapar aos livros e aos cadernos, e acabas por ver-te obrigado a colocar de lado a vida social.

O 5 desta semana é dedicado a ti. O Espalha-Factos decidiu reunir uma lista de filmes que te oferecem uma excelente escapatória ao estudo, de modo a também teres os teus bons momentos de relaxação e diversão na companhia do que de melhor se faz no cinema. Escolhemos fitas que não fossem muito além da hora e meia de duração, mas que não deixassem de ser envolventes, apelativas e ideais para te abstraíres por breves momentos do trabalho académico.

Ser ou Não Ser (1942)

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Damos início a esta lista com um clássico dos anos 40. Ser ou Não Ser, de Ernst Lubitsch, é uma divertidíssima comédia que decorre em plena Segunda Guerra Mundial. O título remete, obviamente, para o solilóquio da peça Hamlet, a mesma que os protagonistas do filme interpretam nos palcos de Varsóvia. Mas, quando os nazis invadem a capital polaca, os atores acabam por juntar-se à Resistência para tentarem retomar a cidade. Com a ajuda de um aviador do exército polaco, que terá importante papel não só na luta contra o exército de Hitler mas também no despoletar de um triângulo amoroso, o grupo de atores vai tentar enganar e derrotar as tropas alemãs através das suas capacidades performativas.

Ser ou Não Ser divide-se, então, em duas linhas narrativas principais: a luta contra os nazis e o triângulo amoroso entre o casal de atores Maria e Joseph Tura e o aviador Stanislav Sobinski. Por muito afastados que possam parecer estes dois pontos da história, Lubitsch aproxima-os e desenvolve-os em paralelo com a mestria que só o icónico realizador tinha, acabando por pregar ainda uma pequena partida ao espetador (e às próprias personagens) na última cena do filme. Cada linha de diálogo é hilariante, e a inteligência das piadas aliada às excelentes interpretações do elenco fazem com que a obra seja absolutamente intemporal. A cómica sucessão de peripécias das nossas personagens dão fluidez e ritmo aos 99 minutos do filme, que se veem num abrir e fechar de olhos e nos deixam com um sorriso estampado na cara, ajudando, assim, a desanuviar um pouco a cabeça depois de um dia de estudo.

O Aeroplano (1980)

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Tido como uma das maiores comédias de sempre (a revista Empire colocou-o em primeiro lugar na sua lista de melhores filmes do género), O Aeroplano continua a surpreender pelo seu humor surreal e insólito. Paródia aos filmes desastre, a narrativa desenrola-se exclusivamente dentro de um avião, mas, sejamos sinceros, a história (a tentativa de um passageiro e uma assistente de bordo aterrarem um avião depois dos pilotos terem tido uma intoxicação alimentar) é o menos importante.

O Aeroplano prima essencialmente pelo seu sentido de humor a roçar o non-sense e pelos inúmeros trocadilhos que preenchem o argumento do início ao fim. Robert Hays e Julie Hagerty interpretam as personagens principais, o casal do filme que é utilizado para satirizar eficazmente as fitas românticas, mas Leslie Nielsen (que mais tarde seria a estrela de Naked Gun) acaba por lhes roubar todo o protagonismo: o seu Dr. Rumack é o rei das punch lines e qualquer cena em que ele entra não passa sem um par de risadas. Muitos tentaram reproduzir a fórmula dos irmãos Zucker, mas O Aeroplano colocou-se num patamar quase inalcançável graças ao seu humor despreocupado e a ter como único objetivo ser uma simples mas divertida comédia. Objetivo esse mais que atingido.

O Fantástico Senhor Raposo (2009)

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Wes Anderson tem uma filmografia assinalável e os seus dois últimos filmes em particular, Moonrise Kingdom e Grand Budapeste Hotel, foram um tremendo sucesso junto de público e crítica. Contudo, um dos seus títulos mais curiosos e divertidos é igualmente um dos seus mais esquecidos e ofuscados. Falamos de O Fantástico Senhor Raposo, belíssima animação em stop-motion que o realizador nos ofereceu em 2009. Com George Clooney e Meryl Streep a emprestar as vozes ao simpático casal de raposas, a história fixa-se na luta entre uma animada trupe de animais e uns zangados agricultores que querem a todo o custo exterminar a comunidade animalesca.

Perfeito para entreter a nossa criança interior, visto tratar-se de uma história bastante simples de acompanhar, feita com a doçura e delicadeza típica dos filmes destinados aos mais jovens, O Fantástico Sr. Raposo não deixa de ter tudo aquilo de que gostamos nos filmes de Anderson: a impecável simetria, a fotografia sempre com cores vivas, as personagens peculiares e o humor sempre requintado do realizador. A animação é maravilhosa e a escolha de atores para dobrar os vários animais não podia ter sido a mais acertada, culminando assim numa ótima escapatória ao estudo.

Palo Alto (2013)

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Palo Alto, protagonizado por Emma Roberts e James Franco, é talvez dos filmes recentes mais interessantes sobre a temática do High School norte-americano. Uma história sobre adolescentes que é tão relacionável, atraente e bonita que nos faz sorrir das memórias que todos partilhamos dessa fase da nossa vida. Um indie que extravasa para além da experiência imediata do cinema e que nos acompanha graças ao seu delicado modo de se relacionar com todo o tipo de espectador e com as suas experiências mais emocionais. Um filme para se ver sem qualquer esforço. Um tipo de cinema tão genuíno que a audiência apenas também tem de o ser assim para o aproveitar.

Mr. Kaplan (2014)

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E porque não deixar os livros de lado durante 98 minutos para ficar a conhecer um pouco mais sobre o novo cinema latino-americano? Mr. Kaplan é a segunda longa-metragem de Álvaro Brechner, realizador uruguaio que tem tudo para destacar o seu país no mapa cinematográfico. Jacobo Kaplan é o protagonista desta história, um ex-fugitivo durante a segunda guerra mundial de 76 anos que, ao suspeitar ter encontrado um Nazi escondido numa praia, tentará desmascará-lo no resultado de uma investigação em que é acompanhado pelo “motorista” contratado pela sua família.

Se te dissermos que esta suspeita vem depois de Kaplan refletir sobre a utilidade da sua existência será previsível achares que se trata de um capricho de um velho que apenas se quer sentir valorizado antes que chegue a sua hora. E talvez seja mesmo isso. Mas de uma crise de terceira idade surge uma história verdadeiramente divertida e genuína, num filme visualmente lindíssimo que te fará abrir os olhos já cansados de tanto estudo.

Artigo redigido por: Patrícia Nunes, Ricardo Rodrigues e Sebastião Barata