Lisboa vs Porto

Lisboa vs Porto: Expressões lisboetas ou Expressões portuenses?

Lisboa vs Porto. No primeiro sábado de cada mês o Espalha-Factos passa a ser o campo de batalha para um confronto mensal entre duas belíssimas cidades portuguesas. Nesta guerra de regiões, palavras, fotografias e vídeos são as únicas armas permitidas. A vitória!? Será decidida por ti através dos teus comentários.

As expressões são um dos elementos que dão mais cor a um determinado idioma. A pensar nas várias formas de falar que existem por Portugal, nesta edição do Lisboa vs Porto resolvemos organizar um top 5 de expressões lisboetas e portuenses que, no fundo, são usadas um pouco por todo o país.

Expressões lisboetas

“Resvés Campo de Ourique”

Esta expressão tem várias explicações. Uma delas diz que esta, que significa “por um triz” ou “à justa”, remonta a 1755, aquando o Terramoto de Lisboa. O maremoto que se seguiu atingiu praticamente toda a cidade, chegando perto de Campo de Ourique. Foi por pouco que não atingiu esta zona!

Há quem justifique ainda a origem desta expressão através do traçado oitocentista, uma vez que a circunvalação que traçava os limites da cidade passava dentro do bairro de Campo de Ourique, pelo que o bairro ficava “à justa” de Lisboa.

Uma outra aceção da expressão advém do elétrico 24, que fazia o percurso entre Prazeres e o Largo do Carmo. O elétrico roçava a esquina da Panificação (que fica em Campo de Ourique) e por isso se um passageiro pusesse a mão do lado de fora tocava no edifício. Era mesmo “Resvés Campo de Ourique”!

“Caiu o Carmo e a Trindade”

Sempre que há uma desgraça, uma grande confusão, uma surpresa (ou em ironia para demonstrar que aquilo que aconteceu não tem importância) lá dizem os lisboetas (e não só!) que caiu o carmo e a trindade. O terramoto de Lisboa teve mais uma vez culpa no cartório.

O Carmo e a Trindade eram dois conventos que faziam parte da freguesia do Sacramento e que ruíram com o terramoto de 1755, provocando um grande estrondo. Quando os habitantes souberam do sucedido, logo disseram “Caiu o Carmo e a Trindade”. A expressão ficou.

“Ficar a ver navios”

Quem nunca se dececionou e não conseguiu o que desejava? Pois é, já todos ficámos a ver navios. A ver os navios passar ficaram também durante muitos anos alguns lisboetas no Alto de S. Catarina, que não acreditando na morte de D. Sebastião na batalha de Alcácer-Quibir em 1578, esperavam que o rei chegasse num deles.

“Meter o Rossio na Rua da Betesga”

A rua da Betesga (betesga que significa também beco) é uma pequenina rua que liga a Praça da Figueira ao Rossio. Como é impossível meter o Rossio (uma das maiores praças da cidade) numa rua tão pequena, usamos esta expressão quando alguém quer fazer algo impossível ou desproporcionado.

“Nem disse nem água vai nem água vem”

Mais uma expressão que começou depois do terramoto de 1755! Quando o Marquês de Pombal reconstruiu a cidade após o sismo decidiu implementar uma rede de esgotos. Até àquela altura, a água suja das casas era atirada das janelas para as ruas.

Nessa altura as empregadas diziam “água vai” quando procediam a esse ato pouco higiénico. Se não avisassem que iam fazer esse despejos, surgia a expressão “nem disse nem água vai nem água vem”. Depois disso passou a ser usada quando alguém não alertou para algo que devia ou fez algo sem avisar.

Expressões portuenses

“C’a grizo”

Uma expressão não muito antiga, sendo que é bastante usada entre os mais jovens. “C’a grizo” é usada quando alguém quer expressar o frio que sente, como alusão à temperatura do norte.

“Chamar o Gregório”

Esta é bem comum entre os estudantes universitários, principalmente durante as festas e jantares de curso. Quando alguns dos estudantes se excedem um pouco na bebida e estão prestes a vomitar, eis que esta expressão surge. “Chamar o Gregório” significa claramente o ato de vomitar, sendo que o próprio vómito costuma também ter o sinónimo de “Grego”.

“Bai no Batalha”

Esta é bastante mais conhecida entre os portuenses. “Vai no Batalha” é usada quando nos apercebemos que alguém está a mentir ou a aldrabar nalguma coisa. A própria expressão é acompanhada com uma entoação que claramente alude à nossa descrença perante o que foi dito.

Pode-se dizer que é um sinónimo da frase “isso é tanga”. A expressão é também uma referência ao cinema Batalha, como que a dizer que aquilo que foi dito ou não é verdade ou não passa de um filme.

“Bergar a Mola”

Quando alguém diz que vai “bergar a mola” é porque vai claramente fazer algum esforço físico. Pois é isso mesmo que esta expressão significa: ir trabalhar. O mesmo também é aplicado quando uma pessoa manda a outra “bergar a mola”.

“Arrotar Postas de Pescada”

Esta expressão tem sido bastante usada ao longo dos anos. Quando alguém “arrota postas de pescada” é porque está claramente a gabar-se de algo, da sua importância ou riqueza. Uma expressão bastante curiosa e aparentemente sem qualquer tipo de associação com o seu significado.

No entanto, a sua origem está, curiosamente, ligada aos pescadores de Lisboa, uma vez que a pescada era um peixe bastante valioso muito antigamente só tinha lugar na mesa dos ricos.

Lisboa vs Porto regressa em fevereiro

Lisboa e Porto, duas cidades que desde sempre andaram em guerra. A menina e moça nunca foi à bola com o ar grave e sério da mulher do norte e vice-versa. O que vale é que lisboetas e portuenses acabam as discussões regionalistas num qualquer café da esquina a beber uma bela cerveja, ou se preferirem, uma imperial ou um fino, porque afinal de contas somos todos gente da mesma terra.

Texto da autoria da Alfacinha  Serenela Moreira e do Tripeiro Tiago Costa

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