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Um pequeno guia para descobrir Varsóvia

A Polónia é um país rico em história, com uma cultura única interessante de se conhecer. Passei quatro dias na sua capital, Varsóvia, e fiquei surpreendida com o que por lá encontrei. Aqui ficam alguns destaques da minha visita, com os quais espero incitar futuras viagens.

Vestígios do domínio estrangeiro em Varsóvia

Ao passearmos pela cidade percebemos que as memórias do passado se misturam com as marcas dos tempos modernos. No coração de Varsóvia encontramos o imponente Palácio da Cultura e da Ciência, o edifício mais alto do país, construído ainda sob o domínio da União Soviética, a mando de Estaline. Atualmente, nessa mesma zona, erguem-se vários arranha-céus, que dão vida à paisagem citadina de Varsóvia.

Ainda nesta parte central da cidade podemos encontrar, escondido entre prédios habitacionais, um fragmento da parede do gueto dos judeus da II Guerra Mundial. Devo confessar que foi um verdadeiro desafio encontrar este local. As indicações não estavam visíveis e o muro não é observável a partir da rua. É necessário entrar num pátio que pertence a prédios residenciais para aceder ao local onde permanece esse pedaço da dramática história da Polónia.

Também visitei o cemitério de Judeus de Varsóvia, um enorme espaço que esteve abandonado durante a II Guerra Mundial, mas que hoje está recuperado. É um ponto de interesse pouco usual, mas não significa que seja menos interessante. Há até visitas guiadas ao cemitério, onde as estátuas e os mausoléus de diferentes estilos atraem as pessoas pelo seu significado artístico e sentimental. É de salientar que muitos dos polacos judeus ali sepultados eram personalidades reconhecidas na sua comunidade.

Centro histórico

Uma das zonas turísticas mais conhecidas de Varsóvia é a “cidade velha”. Nesta parte antiga da cidade pode encontrar-se a famosa Coluna do Rei Zygmunt, localizada em frente ao Castelo de Varsóvia. Mas o verdadeiro destaque desta parte da cidade é a encantadora Praça do Mercado (Rynek Starego Miasta), rodeada por edifícios de cores alegres que tão bem caraterizam esta zona histórica, considerada património cultural mundial pela UNESCO. Também se pode, ainda, visitar as ruínas do forte medieval e a barbakan warszawski.

Parques e jardins

Varsóvia é rica em espaços verdes espalhados por toda a cidade. Não consegui visitar todos os parques mas, dos que visitei, destaco dois verdadeiramente extraordinários: Ogród Saski e Łazienki Królewskie.

O mais próximo da zona histórica de Varsóvia é o Ogród Saski, o parque público mais antigo da cidade, onde se localiza o Túmulo do Soldado Desconhecido. Nos seus bonitos jardins podem encontrar-se várias estátuas, uma fonte e um pequeno lago.

O Łazienki Królewskie é o maior parque da cidade. Fiquei deveras impressionada com o tamanho e com a beleza deste parque, que para além de ser um enorme e bonito espaço verde, ainda alberga vários monumentos de interesse, tornando-o, definitivamente, num dos locais de destaque de Varsóvia.

Há que salientar o Pałac Łazienkowski, situado no coração do parque. A paisagem natural, juntamente com o palácio, formam um panorama de sonho que nos prende cada vez mais a esta cidade surpreendente. Como se não bastasse já este quadro espetacular, fiquei ainda mais fascinada pelo facto de haver centenas de adoráveis esquilos que não tinham qualquer receio em aproximar-se.

Palácios e Castelos

O Castelo de Varsóvia (Zamek Królewski), localizado no centro histórico da cidade, foi a residência oficial dos monarcas polacos durante séculos. A grandiosidade exterior é igualada no interior. A visita aos luxuosos espaços da antiga é uma excelente oportunidade de conhecer a sua história.

Continuando a saga dos palácios impressionantes, destaca-se o Wilanowie, sem dúvida um dos meus sítios favoritos. Apesar de se localizar longe do centro da cidade, a distância percorrida é compensada pela beleza singular do local. Para além da sua fachada exterior ser encantadora (não visitei o interior, mas acredito que valha a pena), os seus jardins são incríveis, fazendo com que qualquer pessoa se sinta transportada para um romance do século XVIII (fãs de Jane Austen, este é o sítio ideal para vocês).

Gastronomia

Quando visito um país, conhecer a sua gastronomia é sempre uma prioridade. Desta vez não foi exceção, procurei experimentar ao máximo os pratos caraterísticos da Polónia. Logo no primeiro dia encontrei um pequeno mercado de comida, onde provei uma espécie de folhado e tive o meu primeiro contato com o ingrediente mais comum nos pratos tipicamente polacos: a couve. Como não sou apreciadora deste legume, a minha curiosidade pela gastronomia polaca começou a dissipar-se.

Não obstante, fui almoçar a uma cadeia de comida tradicional (Zapiecek) e pedi o famoso pierogi. Claro que não optei pela opção clássica de recheio de couve e batata, escolhi a segunda opção mais típica, a de cogumelos e carne. Esta combinação tinha um sabor forte e por isso uma dose de 11 unidades acabou por se tornar um pouco enjoativa e impossível de acabar, mas a experiência foi positiva e recomendo-a.

Outra especialidade que experimentei foi a famosa salsicha polaca (Kielbasa), que pode ser servida em cebola ou (adivinhem) couve. Evidentemente que escolhi a primeira opção e foi, sem dúvida, o melhor prato tradicional que provei em Varsóvia.

Claro que experimentei a famosa vodka polaca e admito que é realmente boa. Usualmente não aprecio vodka, mas a que experimentei na Polónia tinha um sabor diferente, muito mais agradável do que aquela que se encontra em Portugal.

Museus

Durante a minha estadia visitei dois museus: o Museu Chopin e o Museu Nacional de Varsóvia.

Tal como em qualquer outra cidade, dá-se sempre muita importância ao património artístico, nomeadamente, aos autores que estejam diretamente relacionados com a cidade. Varsóvia não é exceção e, como tal, tudo gira à volta de Chopin. Assim, percebe-se porque é que as minhas expectativas para este museu eram consideravelmente altas.

O museu não é grande e consiste basicamente numa biografia do pianista, espalhada por várias salas, onde estão expostos diários, fotos, pautas, entre outros elementos de pouco interesse. A única coisa que gostei realmente foi do piano de Chopin.

O Muzeum Narodowe w Warszawie é o maior museu da cidade, albergando várias obras de arte antiga e ainda pinturas de artistas polacos e estrangeiros de diferentes séculos. Aconselho a visita a quem goste de arte, mas não o achei particularmente excecional. No entanto, permite-nos conhecer a arte polaca,  que normalmente não temos  oportunidade de apreciar.

Os polacos

Devo referir a fraca recetividade do povo polaco como o aspeto menos positivo desta minha aventura em Varsóvia. Não sei se foi azar ou não, mas na realidade, desde que cheguei ao aeroporto até ao momento em que parti, quando precisei de contatar com os habitantes de Varsóvia, estes foram pouco acessíveis e, algumas vezes, antipáticos.

Na rua, quando procurávamos indicações perto das pessoas, muitas baixavam a cabeça e fugiam (literalmente), e no geral não se mostravam amigáveis quando percebiam que éramos estrangeiros. Este é um problema maioritariamente das gerações mais velhas, sendo que os mais jovens se mostravam mais amistosos e disponíveis a ajudar. No entanto, a impressão da cidade seria bem melhor se os seus habitantes fossem mais amigáveis e abertos a comunicar com os turistas.

Varsóvia foi uma cidade que me surpreendeu e maravilhou e, apesar dos episódios menos bons, foi uma aventura fantástica que não hesitaria em repetir.

Imagens © Maria Ana Campos

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