Na última edição de 2015, a rubrica Apsarases apresenta-te uma imersão no imaginário shakespeariano através da dança contemporânea. São Castro e António Cabrita são os pilotos desta viagem, coreógrafos e intérpretes de Play False, uma criação de 2014 que este ano foi distinguida pela Sociedade Portuguesa de Autores como melhor coreografia.

A peça recorre às narrativas de Shakespeare, nomeadamente aos aspetos psicológicos e comportamentais de personagens como Lady Macbeth, Hamlet, Romeu e Julieta e Richard III, para criar um espetáculo eclético em que as palavras e ações dos personagens servem de “matéria para os gestos e movimentos”, conforme se lê na sinopse. Conflitos mentais e a dicotomia emoção/razão são o motor desta procura e redescoberta da condição humana.

12274684_782145221896359_6252408456984472553_n

Foto: Divulgação

Com conceito, coreografia e interpretação de António Cabrita e São Castro, música adicional de Murcof e Bach, figurinos de Catarina Morla, confeção de figurinos de Nuno Nogueira, direção técnica de João Frango e produção da Vo’Arte, Play False saltita entre retalhos de humor, ironia e dramaticidade, de onde sobressai a capacidade de entrega dos dois intérpretes.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=0g-YKnB8-SU]

No jornal Público, Luisa Roubaud atribui à peça um “poderoso efeito magnético” destacando “o movimento ascensional de um braço que se suspende, um rastejar reptiliano, a explosão de um salto, a queda abrupta provocada por uma contracção do abdómen, uma sucessão nervosa de gestos miudinhos, hesitantes ou impacientes (compor a blusa, ajeitar o cabelo) ou um alegre menear de quadris (…) acções que ficam a ecoar na fisionomia dos intérpretes, trazendo à tona os subterrâneos de uma busca interior e do que com ela se descobre de verdadeiro e de paradoxal”.

Quem são os criadores e intérpretes?

António Cabrita estudou na Escola de Dança do Conservatório Nacional e é licenciado em Dança pela Escola Superior de Dança. Também estudou Cinema na New York Film Academy e Criatividade Publicitária na Restart. Atualmente divide-se entre Portugal, Alemanha e algumas cidades europeias. Trabalhou com Rui Horta, Né Barros, António Tavares, Tânia Carvalho, Ana Rita Barata, Hofesh Shechter, entre outros. É artista residente na companhia alemã SilkeZ./Resistdance. Já coreografou para a companhia Quorum Ballet, e leciona, com frequência, workshops de composição coreográfica e de vídeo em vários países europeus.

António Cabrita

Foto: Divulgação

São Castro iniciou os seus estudos em dança no Balleteatro Escola Profissional de Dança e Teatro no Porto, licenciando-se, posteriormente, na Escola Superior de Dança em Lisboa. Fez parte da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo e do Ballet Gulbenkian. Trabalhou com nomes como Paulo Ribeiro, Olga Roriz, Clara Andermatt, Rui Lopes Graça, Benvindo Fonseca, André Mesquita, Tânia Carvalho e mais recentemente Hofesh Shechter. Frequentemente dá aulas e workshops de Dança Contemporânea.

são castro

No ensaio da peça Tábua Rasa. Foto : Bruno Simão

Em parceria, estes dois bailarinos e coreógrafos têm vindo a desenvolver o projecto de colaboração artística, | ACSC |, do qual já foram criadas as peças Wasteland, Play False e Tábua Rasa, em co-criação com Xavier Carmo e Henriett Ventura e co-produção com a Companhia Nacional de Bailado e Vo’Arte. Neste projeto os bailarinos não só interpretam, como também coreografam movimento e cruzam-o com imagem e som originais.

No dia 25 de maio, o Auditório dos Oceanos, do Casino de Lisboa, foi palco da Gala dos Prémios Autores 2015, que distinguiu as melhores obras e autores do ano anterior, nas categorias de artes visuais, dança, música, literatura, teatro, televisão e cinema. Play False arrecadou o título de melhor coreografia, reafirmando esta dupla como parte de uma interessante e promissora nova geração de intérpretes-coreógrafos portugueses.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=7f5x95SPd-Y]