Entre novas séries e regressos aguardados, 2015 não se fez só de expectativas altas concretizadas. Os géneros são variados e as opiniões também. Entre desilusões e surpresas, a equipa de TV&Media do Espalha-Factos relembra as séries de 2015 que mais marcaram o ano seja pelos melhores ou piores motivos.

Beatriz Ferreira

Melhor Série – Unbreakable Kimmy Schmidt

series 2015 Unbreakable Kimmy Schmidt

Ellie Kemper e a sua personagem, Kimmy Schmidt, foram uma das surpresas do ano. Do Netflix para o mundo, Tina Fey e Robert Carlock (os criadores) trazem a história de uma jovem a quem a infância foi roubada – ou não tivesse passado mais de 15 anos num bunker, raptada pelo líder de um culto (Jon Hamm).

Dramas à parte, desengane-se quem pensa que Kimmy, agora em liberdade, ficará num canto a chorar o passado. Deslumbrada com o mundo que perdeu, é com humor e otimismo que tenta reconstruir a vida na movimentada Nova Iorque. Não será fácil, mas Kimmy é resiliente e é disso que esta série é feita. Afinal, “females are strong as hell!”.

E esperem para ver Tituss Burgess como Titus Andromedon, que rapidamente se torna amigo de Kimmy, e com quem damos alguns dos mais estridentes risos. De destacar também Jane Krakowski (Jackie Lynn), patroa de Kimmy a viver uma espécie de crise de meia-idade.

Desde o genérico satírico às piadas (in)temporais, Unbreakable Kimmy Schmidt lembra-nos que o melhor da vida está nas pequenas coisas. Nomeada para 7 Emmys, merece o meu voto para melhor comédia do ano no pequeno ecrã. Em 2016, haverá mais.

Pior Série – Wicked City

series 2015 Wicked city

As minhas desculpas a Steven Baigelman, criador de Wicked City, mas esta tentativa de thriller/policial não resultou. As personagens são cliché: o detetive sério e ausente da família (Jeremy Sisto), descontente com o seu novo parceiro de trabalho (Gabriel Luna) que, por sua vez, é um presunçoso disposto a tudo para subir na carreira; um assassino em série bem-parecido mas de quem ninguém desconfia (Ed Westwick); a namorada (Erika Christensen) que, de tão apaixonada que está, nem se apercebe da verdadeira identidade do novo companheiro.

Depois, os atores não convencem: Ed Westwick até pode ser um serial killer algo credível mas o mesmo não se pode dizer de Erika Christensen, que, ao tentar revelar o lado negro da sua personagem, apenas consegue realçar uma Betty insegura e manipulável. Por último, os diálogos são aborrecidos. Mas nem tudo é mau em Wicked City: a banda sonora dos anos 80 é genuinamente boa.

Wicked City não foi muito bem recebida, nem pelo público, nem pela crítica. A ABC decidiu cancelá-la ao fim de apenas três episódios. Em Portugal, está em exibição no TVSéries.

Cátia Duarte Silva

Melhor Série – UnReal

series 2015 unreal

Um reality show que se passa num reality show, mas em que na verdade nada é o que parece. Pela mão da Lifetime, esta série de verão apresentou-se como uma lufada de ar fresco e provou ser mais do que um entretenimento para encher a época baixa das séries. Shiri Appleby e Constance Zimmer são as protagonistas duma série que revela todos os podres dos bastidores da televisão. Ambas são notáveis no seu desempenho, principalmente Appleby, cuja legião de fãs já vem desde os tempos de Roswell.

A premissa é bastante simples: um reality show em que várias raparigas solteiras tentam ganhar o coração do cobiçado galã, num cenário que mostra que a reality tv nada tem de realidade, mas sim uma fabricação de situações e diálogos para prender os espectadores. As protagonistas, que trabalham atrás das câmaras, têm também elas próprias uma vida que dava um programa de televisão. E é difícil qualificar qual brilha mais no ecrã, já que ambas funcionam como uma verdadeira dupla.

UnReal terá uma segunda temporada que promete não ficar nada atrás dos escândalos da primeira.

Pior Série – Limitless

series 2015 limitless

O trailer fazia antever uma grande série, suportada por um elenco que tinha como grande atrativo o já consagrado Bradley Cooper. No entanto, Limitless revelou-se algo limitada na capacidade de nos prender ao pequeno ecrã, e muito em parte devido à escolha de protagonista. Ainda mal Jake McDorman tinha saído do papel de protagonista cómico em Manhattan Love Story e já o estávamos a ver numa série que tinha um registo totalmente diferente, sem este demonstrar a capacidade de se descolar da personagem anterior.

O próprio Bradley Cooper não nos consegue prender de imediato, fazendo com que a série se torne menos e menos apelativa. O enredo também inova qb: um escritor está com um bloqueio criativo e as suas capacidades intelectuais são aumentadas quando toma um comprimido especial, repetindo-se mais uma vez a história de um civil que é aproveitado pelo FBI para resolver situações que até então não tinham resposta. O desenvolvimento até pode ter sido muito bom, mas não consegui ir além de dois episódios.

Gonçalo Baptista

Melhor Série – Agent Carter

series 2015 Agent Carter

Passada em 1946, após os eventos do filme Capitão América: O Primeiro Vingador, Agent Carter foca-se na agente homónima da SSR interpretada por Haley Atwell. Negligenciada por ser mulher no ambiente misógino da agência de segurança onde trabalha, Carter investiga secretamente, com a ajuda de Edwin Jarvis (James D’Arcy), um roubo de armas e outros dispositivos perigosos do armazém do pai do Iron-Man, Howard Stark (Dominic Cooper) que se vê acusado de as ter vendido a criminosos.

Com um enredo cativante, cheio de momentos de tensão, emoção e diversão, personagens interessantes e grandes interpretações de Atwell e Darcy, Agent Carter convenceu não só o público como a crítica especializada e, apesar de inicialmente ter sido preparada para uma temporada de oito episódios, o seu sucesso garantiu já uma segunda incursão no mundo pós-Segunda Guerra Mundial com estreia no início de 2016.

Pior Série – Heroes Reborn

series 2015 Heroes Reborn

Com o surgimento de vários casos de sucesso de séries de super-heróis, a NBC decidiu trazer de volta a sua propriedade sobra a mesma temática. Tendo deixado muitos fãs desiludidos com a série original, perdendo qualidade ao nível da narrativa temporada após temporada, esta seria uma grande oportunidade de começar de novo e corrigir o que teria falhado originalmente.
Passada após os eventos da primeira série, Heroes Reborn demonstrou que, infelizmente, a NBC parece não ter aprendido com os seus erros e apresentou um argumento de pouca qualidade e com personagens que, na sua maioria, não faziam jus aos pergaminhos principalmente da primeira temporada de Heroes original.

Luís Vicente

Melhor Série – Fargo T2

series 2015 Fargo

A série inspirada no filme do mesmo nome, dos irmãos Coen, continuou a provar-se uma das melhores produções para televisão dos últimos anos. Depois de uma soberba primeira temporada, Fargo manteve a primazia numa temporada em que muitas personagens se alteraram. Sendo a segunda a prequela da primeira, a estória dá a conhecer acontecimentos referenciados na temporada passada.

A sublimidade cinematográfica e o brilhante guião, de onde saem diálogos completamente surreais, são o que torna produção de Noah Hawley algo imperdível. Também as memoráveis performances de Kristen Dunst, Jesse Plemons e Bokeem Woodbine aliadas à já inquestionável categoria de Patrick Wilson contribuem para uma espetacular segunda temporada.

Pior Série – True Detective T2

series 2015 True Detective

Por volta do ano passado já não havia adjetivos para descrever a trama que uniu Matthew McConaughey e Woody Harrelson no pequeno ecrã. True Detective chegou, viu e venceu. Já se sabia que, por ser uma série antológica, a estória da primeira temporada nada teria que ver com a segunda, nem as personagens seriam as mesmas. No entanto, esse facto não abalou as expectativas dos fãs nem a confiança em Nic Pizzolatto, o criador da série.

Com Vince Vaughn, Colin Farrel e Rachel McAdams no elenco, a ação da segunda temporada concentrou-se nos subúrbios de L.A. Ainda que as marcas da admirável produção continuassem presentes, como a realização, a cinematografia e algumas linhas do diálogo, longe esteve da excelência do ano passado. A complexidade da intriga, que semana após semana vez se tornava mais confusa, foi uma das principais razões para a panóplia de críticas negativas que a série reuniu. Também a representação ficou aquém das expectativas.

Paulo Pereira

Melhor Série – The Knick T2

series 2015 The Knick

Apesar do pouco reconhecimento de que goza por terras lusas, The Knick tem reunido excelentes críticas no seu país de origem (EUA). Se a primeira temporada da série da Cinemax foi recebida com surpresa – face à inegável e talvez até inesperada qualidade –, a segunda foi aguardada com altas expectativas e consideráveis doses de ansiedade.

O segundo capítulo da série criada por Jack Amiel e Michael Begler teve o início no último trimestre deste ano, porém, chegou bem a tempo de superar todos e quaisquer outros programas a que assisti ao longo de 2015 – algo que tem bastante significado, se se considerar que Game of Thrones, Fargo, Vikings, Mr. Robot ou House of Cards fazem parte da minha lista.

Há algo em The Knick que cativa, que prende. Talvez a composição musical – de Cliff Martinez – que, de alguma forma, consegue ser simultaneamente estranha e adequada ao ambiente geral do programa. Ou o facto de, ao contrário do que acontece na grande maioria das séries, todos os episódios terem o mesmo diretor (Steven Sodderbergh), cujo estilo particular parece absorver-nos, tornando-nos parte dos episódios. Ou a extraordinária performance do elenco, com particular destaque para Clive Owen, Eve Hewson, Michael Angarano ou Andre Holland. Ou ainda o próprio enredo geral da série – da responsabilidade dos criadores e ainda de Steven Katz, que retrata o fascinante mundo da medicina do início do século XX.

Na realidade, é provável que tenha sido a combinação de todos estes fatores que fez com que The Knick fosse, para mim, a melhor série de 2015.

Pior Série – Once Upon a Time T5 (primeira parte)

series 2015 Once Upon a Time

Em maio, Once Upon a Time concluiu o seu quarto capítulo, tendo dado início ao quinto,já em setembro. Antes de qualquer análise, é importante referir que esta menção à série da ABC é alusiva apenas à mais recente temporada, já que não posso afirmar que a anterior tenha defraudado as minhas expectativas. Mais concretamente, é apenas a primeira de duas partes que ocupa o lugar pouco prestigiante de pior série de 2015.

O último episódio da passada temporada terminou com um daqueles cliffhangers que nos deixa desesperadamente ansiosos por saber o que vai acontecer a seguir. Contudo, neste caso, o que se seguiu esteve longe de ser satisfatório, e nem mesmo a introdução de personagens do filme Brave – com Merida à cabeça – conseguiu esconder tal facto.

Sendo mais rigoroso, o problema principal desta primeira fase da temporada não foi a qualidade dos episódios per se, mas sim a sensação transparecida de que mais e melhor poderia ter sido feito com o novo rumo que a introdução da Dark Swan fez a série seguir. Agora que Once Upon a Time (provavelmente) se aproxima do fim, muito mais era esperado de um enredo que tinha tudo para mergulhar nos mistérios mais profundos da mitologia da série. Salvaram-se as performances de Colin O’Donoghue e Lana Parrilla, sobretudo.

Porém, não posso terminar sem antes admitir que acredito que a segunda parte da temporada – que vai para o ar apenas em março – tem todas as condições para colocar a série de Adam Horowitz e Edward Kitsis de volta aos eixos. Resta esperar para ver.

Rita Teixeira

Melhor Série – Jessica Jones

series 2015 Jessica Jones

A segunda colaboração entre a Marvel e o Netflix conta a história de Jessica Jones (Krysten Ritter), dotada de super força, cuja vida muda radicalmente para pior por causa do vilão Kilgrave (David Tennant), e é absolutamente fantástica.

Os 13 episódios de Jessica Jones oferecem um diálogo inteligente e rápido, com momentos de humor aqui e ali, e um ótimo elenco, com bastante química (de destacar Rachael Taylor, Trish Walker, e Mike Colter, o indestrutível Luke Cage). Krysten Ritter é particularmente carismática, mesmo que a sua Jessica se revele, por vezes, uma espécie de anti-heroína, um tudo ou nada irresponsável. Mas Jessica acaba sempre por tentar fazer a coisa certa, enquanto tenta lutar contra os seus demónios interiores.

Embora se passe no mesmo universo que os filmes da Marvel, Jessica Jones apresenta um tom e temas mais maduros e sérios, e é ainda mais dark do que Daredevil, a primeira colaboração da Marvel com o Netflix. Não é uma série indicada para os mais novos que se deliciam com os filmes dos Avengers, mas trata-se, talvez por isso mesmo, de uma aposta ganha – e bem!

Jessica Jones não é a heroína que a Marvel merece, mas é certamente a heroína de que a Marvel precisava.

Pior Série – Game of Thrones T5

Esta foi, em dias que já lá vão, a minha série preferida. Mas vamos ser sinceros, a premiada e popular série da HBO já não é o que era e esta temporada foi simplesmente má.

Enquanto fã confessa dos livros de George R.R. Martin em que Game of Thrones é baseado, foi doloroso assistir a todas as mudanças desnecessárias que a série efetuou na última temporada. Desde a destruição de Stannis Baratheon (Stephen Dillane), passando pela ida de Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau) a Dorne e culminando com a violação de Sansa Stark (Sophie Turner), nenhuma destas mudanças contou uma história melhor. E, já agora, por onde andam Lady Stoneheart e Arianne Martell, personagens que se vão revelar tão importantes?

Claro, existiram coisas boas nesta temporada de Game of Thrones – a interpretação brilhante de Lena Headey (Cersei Lannister), a fantástica batalha de Hardhome e toda a questão Jon Snow (Kit Harington). Mas, para mim, não foi o suficiente.

E, mesmo que conseguisse ignorar todas as mudanças insatisfatórias em relação aos livros (alerta de spoiler: não consigo), é impossível passar ao lado do tratamento cada vez mais injustificável dos personagens femininos (sim, Westeros é um mundo cruel, já todos percebemos) e dos episódios que se arrastam e arrastam, sem levar a lado nenhum – desculpem, mas já não consigo lidar com mais nenhuma cena da Brienne (Gwendoline Christie, que merece melhor) a olhar para Winterfell ou da Daenerys (Emilia Clarke) a dizer que é uma rainha e ela é que manda.