2016 avizinha-se como um ano forte em concertos em Portugal. Mas, com 2015 a chegar ao fim, também é sempre bom recordar aqueles concertos que aqueceram corações e arrepiaram os pêlos da nuca aos amantes de música deste pedaço de terra à beira-mar plantado durante estes 365 dias.

Luís Pereira

O concerto de novembro passado que os Unknown Mortal Orchestra deram no Hard Club irá facilmente estar durante uns anos no meu top 3. Até porque admito que berrei um pouco quando passou a Swim and Sleep (Like a Shark).

Imediatamente a seguir, e não lhe ficando atrás, está a atuação dos Florence + the Machine no Super Bock Super Rock deste ano. Florence correu entre o público, Florence chorou com o público, Florence enlouqueceu o público. 

Em terceiro e quarto lugar aparecem duas bandas portuguesas – porque ‘nós’ também damos bons concertos, para os mais desatentos. D’ALVA no recém-aberto Understage do Rivoli ainda hoje me faz transpirar uns pingos de suor. Frescobol, Aquele Momento e um profundo Só Porque Sim que mostraram que D’ALVA #batequebate à séria. Os Gypsies – ainda desconhecidos mas a tornarem-se numa promessa a passo galopante – transformaram o Indie Music Fest numa festividade que só com eles podia fazer a festa por três dias. Houve um verdadeiro casamento entre a trupe cigana e quem assistia ao concerto.

Por último, a acabar melodramaticamente, surge Iron & Wine na Casa da Música. Foi o concerto mais arrepiante deste ano. Ainda ouço o som dos pacotes de lenços a serem abertos. O som ofegante da senhora sentada a duas filas de mim. O som das cordas de aço que transformaram a Sala Suggia no espaço onde decorreu o concerto mais fofo deste ano.

Iron and Wine

Iron and Wine

Beatriz Rainha

Naquele que considerei ser o festival com melhor cartaz deste ano, o Super Bock Super Rock proporcionou-me a melhor hora e meia da minha vida com o incrível concerto dos Crystal Fighters, que espalharam muito amor e energia pelo MEO Arena (se bem que o ambiente teria sido verdadeiramente mágico num espaço aberto).

Imediatamente antes, foi a vez de Rodrigo Amarante nos presentear com uma atuação quase inteiramente acústica e muito intimista, totalmente adequada para dançar um slow no escuro.

No pódio, estão também os Thunder & Co. e Os Capitães da Areia, com as fantásticas atuações no Indie Music Fest, e Francis Dale no Era Uma Vez em Paris, na edição deste ano do NOS D’Bandada (Porto).

 

Alexandra Silva

Numa altura em que cada vez as bandas aparecem em concertos inseridos em festivais torna-se mais que evidente que é nesses espaços de fruição, não só da música mas também do ambiente, que vamos ver alguns dos nossos artistas favoritos. Nada contra, adoramos festivais, mas ver a banda numa sala onde só se está lá para aquilo tem outro élan. Assim, a minha lista de concertos favoritos é um misto entre concertos em nome próprio e grandes prestações em festivais.

Tive a sorte de assistir no estrangeiro ao regresso das Sleater-Kinney que não passaram pelo nosso país; à tomada de posse do palco que foram os Royal Blood ou uns Future Islands (como já havia testemunhado); ao regresso de uns Blur ou Sean Riley & The Slowriders e ao nascimento da estrela Benjamim Clementine. O ano ‘concerteiro’ acabou em beleza: dEUS que até já víramos este ano, mas como nunca os vimos, num formato tão íntimo, na Aula Magna e o coração cheio. Foi um bom ano, sim senhor.

Blur no Super Bock Super Rock

Blur no Super Bock Super Rock

Joaquim Pedro Santos

Em 2015, tive a oportunidade de ir ao Parque da Cidade do Porto para ver um festival diferente, o NOS Primavera Sound. Talvez por ter sido a minha estreia, os concertos bateram um bocadinho mais forte do que o normal, afinal de contas todo o ambiente o proporciona.

Destaco três em particular: Jungle, no Palco Super Bock, Caribou e Patti Smith, ambos no Palco NOS. Escolho os Jungle porque a expectativa para os ver era muita e, como bónus, tive direito a um concerto bastante mexido e a puxar à dança. Tal como os anteriores, Caribou ficou-me na memória graças à setlist dançável e cheia, mas mesmo cheia, de graves. Arrepiou-me completamente. Last but not least, Patti Smith. A americana celebrou o 40º aniversário de Horses de forma exímia. Foi bom ver que o rock não sem idade de reforma.

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

João Patrício

Em 2015 tive o prazer de ir ao NOS Alive, onde pude assistir a concertos que dificilmente serão esquecidos. O primeiro a destacar é o de Sam Smith. A atuação correu na perfeição e o alinhamento e escolha das músicas denota que o cantor não se esquece dos verdadeiros fãs, aqueles que acompanham a sua carreira desde cedo e que conhecem todas as suas canções, mesmo aquelas que não constam no seu álbum de estreia.

A energia contagiante dos Metronomy também foi de louvar. O Palco Heineken criou um ambiente bastante interessante, e músicas como Love Letters fizeram-me dançar por um pouco. Ainda no NOS Alive, tive a oportunidade de presenciar um concerto do grande James Blake. Mais do que ouvir a música, quase que se pôde senti-la. É impossível não me lembrar constantemente de quando o cantor entoou os primeiros versos de I Never Learnt to Share, ou do quão fantástico foi ouvir 200 Press ao vivo. No remate do último dia do festival do Passeio Marítimo de Algés, os Chromeo fizeram-me dançar como nunca antes ninguém o fizera!

Do outro lado da fronteira, no Portugal AliveNoiserv aqueceu as almas daqueles que, estando longe, deixam o coração em terras lusas. Sem truques, apenas David Santos e a sua panóplia de instrumentos musicais.

Noiserv, Portugal Alive.

Noiserv, Portugal Alive.

Pedro Quirino

Depois de me ter sido dada a oportunidade de escrever, aqui há uns tempos sobre o concerto do Sr Father John Misty no Vodafone Paredes de Coura deste ano, é com naturalidade que a minha escolha pende para este momento.

Era um concerto que se aguardava com enormíssima expectativa e o ex-Fleet Foxes chegou viu e venceu. Numa actuação que tanto se mostrou profundamente sentimental como sensualmente triunfante, Father John deleitou o público de Coura com a sua potência vocal e a sua anca provocadora. 

Father John Misty, Paredes de Coura 2015

Father John Misty, Paredes de Coura

Daniel Dantas

2015 foi um ano incrivelmente atrativo e feliz para os festivais portugueses. Consequentemente, acabei por não marcar presença em espetáculos em sala fechada na quantidade desejada.
Guardadas ficam as memórias de um concerto eletrizante dos Underworld no NOS Primavera Sound, brindando o Parque da Cidade do Porto com dubnobasswithmyheadman tocado na íntegra e terminando a sua atuação com o clássico Born Slippy.

Meses mais tarde, em agosto, a soul, as lágrimas melancólicas e os agradecimentos sinceros de Charles Bradley deixaram o público de Paredes de Coura absolutamente deliciado.

No fecho da temporada dos festivais e num fim de tarde soalheiro, Nicolas Jaar atuou no LISB-ON Jardim Sonoro, preenchendo o Parque Eduardo VII com a sua relaxante sonoridade deep house e minimal.

Nicolas Jaar, Lisb-on

Nicolas Jaar, LISB-ON Jardim Sonoro.