A vida é sempre imprevisível. E, quando chega este marco que arranjámos para assinalar a passagem do tempo, olhar para um Ano Novo mete sempre um bocadinho de respeito. Não sabemos nada do que se vai passar, e tudo pode acontecer. Em 2015 foi, mais que nunca, assim.

Sofremos ataques imperdoáveis onde menos esperávamos, mas não deixámos que o medo nos entrasse em casa. Assistimos a reviravoltas improváveis, e à vitória do amor e da igualdade. Aprendemos que a união faz força e que, 40 anos depois, pode não ser tarde para fazer as pazes.

O Espalha-Factos voltou a crescer e, no meio de alguma turbulência, teve o melhor ano de sempre. Provavelmente porque tivemos ainda mais pessoas a torcer por nós. É mais fácil acreditar quando o fazemos juntos. E é juntos que vamos rever um ano a não esquecer.

Janeiro

2015 começou da pior maneira, com o ataque terrorista à redação do Charlie Hebdo, que deixou a Europa a discutir sobre liberdade de expressão e os seus limites, muito antes de prever que terrorismo viria mesmo a ser uma das palavras do ano. No Espalha-Factos, defendíamos que «o medo não pode dominar quando as nossas canetas se aproximam do papel, quando chega a altura de assinar um texto ou de dar a cara por uma história em que se acredita», num artigo de opinião assinado por José Morais.

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Fevereiro

Foi marcado pelo estrondoso sucesso de bilheteira de As 50 Sombras de Grey, um filme que não convenceu José Pereira: «(…) o argumento é péssimo, as performances dos atores são sofríveis (…)». Nem convenceu Madonna, aliás, que achou o filme erótico muito irrealista e «talvez feito para quem nunca fez sexo antes». No departamento do amor, tivemos mesmo melhores sugestões, com uma lista que não envelhece de 12 locais românticos a visitar no Dia dos Namorados.

Foi também o mês em que Sam Smith varreu quatro Grammys, o que não chegou para ser o centro das atenções. Kanye West fez esse papel, ao interromper o discurso de Beck, vencedor do Álbum do ano, inconformado por não ter sido Beyoncé a vencer o prémio.

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Março

Em março estreava o aguardado Shark Tank em Portugal, mas nem o horário, nem o painel de tubarões ou mesmo as ideias empreendedoras pareceram agradar ao público, levando o programa a uma certa irrelevância.

Melhores notícias vinham da música. O Festival da Canção da RTP pareceu recuperar algum do seu prestígio, com uma das semifinais a chegar mesmo a liderar a audiência. A grande vencedora foi Leonor Andrade, com Há um Mar Que nos Separa. A nível internacional, Pedro Miranda já apontava para a genialidade daquele que viria a ser um dos álbuns do ano: To Pimp a Butterfly, de Kendrick Lamar (entretanto confirmado para próxima edição do SBSR).

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Abril

O 1.º de abril, pródigo em notícias falsas, foi pretexto para a organização da Queima das Fitas de Coimbra anunciar The Kooks para a edição de 2015, um nome que parecia bom demais para ser verdade. Era mesmo verdade e foi uma boa lição de viralidade.

Poucos dias depois, Portugal soube de uma notícia que, essa sim, devia ser mentira: morreu Manoel de Oliveira. «Um cineasta maior do que Portugal», nas palavras de José Pereira.

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No mês da liberdade, a RTP 2 estreou a mini-série Os Últimos dias da PIDE e chegou aos cinemas Capitão Falcão, um super-herói português ao serviço do Estado Novo, filme que mereceu uma crítica muito positiva de Ricardo Rodrigues.

No Dia Mundial da Dança, Teresa Serafim deu-nos a conhecer a Escola de Dança do Conservatório Nacional, numa reportagem a que se juntou uma das melhores galerias fotográficas do Espalha-Factos deste ano, pela Inês Delgado.

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Maio

Demos destaque a uma das séries mais populares do mundo, Game of Thrones, inaugurando um lote de artigos que nos mostram que a realidade pode ser bem mais retorcida que a ficção.

Um rosário de tragédias foi também a participação portuguesa na Eurovisão, que apenas conseguiu 19 pontos. Num artigo onde aponta muitas negligências à RTP, Pedro Miguel Coelho chegou mesmo a pedir demissões no canal.

Qual pescada, Golfinhos com as Estrelas foi o programa que, antes de o ser, já era. Depois de várias queixas, nomeadamente uma providência cautelar interposta pelo PAN – que denunciava prejuízo da saúde e bem-estar destes animais -, as gravações foram canceladas. Os golfinhos agradeceram. Os espetadores também, provavelmente.  Não é todos os dias, nem todos os anos, que um canal de sinal aberto deixa cair um programa.

Junho

Começa a época dos festivais de música. O primeiro digno de destaque foi o NOS Primavera Sound, que saciou os amantes de música alternativa, bateu recordes de audiência e ficou marcado pela dupla atuação de Patti Smith.

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

Tempo também para outras gritarias. Manuela Moura Guedes abandonou em direto o programa Barca do Inferno, depois de mais uma das muitas acesas discussões. Foi uma espécie de Prolongamento em versão feminina.

Atentos à atualidade política, fizemos uma lista de 5 filmes indie cujo orçamento foi o equivalente ao que o Estado português arrecadou com a venda da TAP. O Pulp Fiction está lá.

O Espalha-Factos festejou a legalização do casamento homossexual em todos os Estados americanos e acompanhou com atenção um dos maiores movimentos mediáticos do ano, #LoveWins, com um resumo do melhor que apareceu por essa internet fora.

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Emocionámo-nos com a morte do ator Nuno Melo.

Julho

Devastadora notícia para os consumidores de séries de forma ilegal: o Wareztuga acabou. Foi tempo de procurar alternativas, que entretanto também foram banidas. O mês começa também com um importante referendo na Grécia sobre se o país devia aceitar mais austeridade. Em solidariedade com o povo fundador da cultura ocidental e democrática em que vivemos, elaborámos uma lista de 5 filmes que dizem “sim” à Grécia.

Em crise não estão os festivais de verão. Os amantes dos selfie sticks tiveram de os deixar à porta do NOS Alive e do Super Bock Super Rock e assim todos pudemos assistir aos grandes concertos de Muse ou Mumford & Sons no Passeio Marítimo de Algés e testemunhar o sucesso do regresso do SBSR à cidade, com Florence + The Machine como cereja no topo do bolo.

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No intervalo entre concertos, lançámos ainda o #EspalhaFotos no Instagram, etiqueta através da qual passámos a destacar, semanalmente, as melhores fotografias dos nossos seguidores.  

Agosto

A estreia do reinventado Pátio das Cantigas, que entretanto se tornou o filme português mais visto de sempre, desiludiu Ana Margarida Coelho, que elencou seis razões pelas quais o considerou pior que a obra original, de 1942. Mais honras mereceu Som de Cristal, um programa em que Bruno Nogueira acompanhou vários artistas de música pimba no seu dia-a-dia.

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Em agosto os Buraka Som Sistema anunciaram uma paragem por tempo indeterminado, mas, calma, só depois da digressão de 2016. Miguel Araújo e António Zambujo marcavam por esta altura espetáculos em conjunto nos Coliseus de Lisboa e Porto, o que, aos poucos, também se tornou uma digressão: são já 15(!) os concertos agendados para fevereiro e março de 2016.

Mais festivais e mais uma edição memorável do Vodafone Paredes de Coura (onde os Tame Impala foram reis e senhores) narrada por Alexandra Silva com fotografias de Cátia Duarte Silva. Foi mesmo a maior enchente de sempre. Tempo ainda para o Bons Sons. E o que tem de tão especial este festival? Proximidade e diversidade, contou-nos Telmo Simões.

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Setembro

Em Setembro, o Espalha-Factos comemorou 10 anos de existência e renovou a sua imagem. Depois de alguns dias em manutenção, o site voltou com uma nova cara e uma ótima notícia: os Gato Fedorento voltaram à televisão, num espaço diário que fez mais pelo esclarecimento sobre as eleições legislativas do que muitas peças jornalísticas. Na rentrée televisiva, Coração d’Ouro foi a aposta da SIC para honrar o sucesso de Mar Salgado, e não podia ter começado melhor, com uma vantagem confortável sobre A Única Mulher.

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Na despedida do verão, Beatriz Rainha foi ao bosque mágico do Indie Music Fest. É um festival com uma mística especial e isso valeu-lhe o prémio, pelo segundo ano consecutivo, de melhor Micro-Festival dos Portugal Festival Awards.

Outubro

Fica marcado pela chegada a Portugal do Netflix; aqui está tudo o que precisas de saber sobre o serviço de séries e filmes. Fica também marcado pelo estrondoso lançamento de Hello, de Adele, disposto a bater todos os recordes musicais, e por duas polémicas: um verdadeiro confronto entre o comentador Pedro Guerra e o presidente do Sporting CP, Bruno de Carvalho, que fez a TVI 24 liderar as audiências; e uma gaffe de José Rodrigues dos Santos que ofendeu o deputado Alexandre Quintanilha e milhares de portugueses.

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Para desanuviar, fomos desencantar 15 palavras de amor que não têm tradução.

Novembro

Os ataques terroristas em Paris despertaram uma onda de solidariedade sem precedentes, um pouco por todo o mundo, e mereceram a nossa reflexão, quer sobre a barbárie, quer sobre a forma como os jornalistas prestaram um mau serviço à sociedade e criaram mais ruído do que informação.

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Chegaram as reactions ao Facebook, uma extensão ao botão de Gosto, e passado algum tempo concluímos que falta um bonequinho: o de ninguém-quer-saber-das-reactions. Entretanto, parece que Justin Bieber é tolerável por cada vez mais pessoas. É, pelo menos, a opinião de Cátia Rocha.

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Soube-se também que A Quinta é o reality show menos visto de sempre na TVI, o que pode indicar uma mudança de paradigma na televisão nacional. 2015 terá trazido o fim do formato?

O maior festival de inverno, Vodafone Mexefest, voltou a proporcionar concertos em espaços inusitados da capital, mas este ano, sem desprimor para outros, as atenções estiveram todas postas num homem: Benjamin Clementine.

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Dezembro

O final do ano teve direito a uma torrente de confirmações que faz antever um 2016 musical de luxo e com muitas escolhas para fazer. Teremos em Portugal Justin Bieber, The Cure, AC/DC, Adele, Pixies, Maroon 5, Kendrick Lamar… bem, haja dinheiro e energia. Temos também marcação cerrada entre a Everything is New e a organização do Rock in Rio, cujos novos episódios aguardamos com ansiedade.

Incontornável é também a estreia de mais um episódio da saga Star Wars, filme que ultrapassou os mil milhões de dólares em receitas num tempo recorde. Simão Chambel faz uma apreciação muito positiva do Despertar da Força e deixa um conselho a todos os fãs: aproveitar o presente de Natal de J.J Abrams aos fãs com tranquilidade e felicidade.

Descobre quem fez cameos em Star Wars VII

Em altura de balanços, já podes consultar as listas de melhores álbuns, livros e filmes de 2015 para a nossa equipa.

Num período de tempo tão largo como é um ano, particularmente este, absolutamente atribulado, é normal que nos escapem muitos episódios na altura de fazer uma retrospetiva. Por isso, pedimos-te que partilhes connosco aqueles que foram, para ti, os momentos mais importantes de 2015 em todos os mundos do entretenimento. Desejamos-te um 2016 cheio de boas notícias.