Faltam quatro dias para dizermos adeus a 2015! Este foi mesmo um ano cheio e que vale a pena recordar. Tenta lá arranjar um intervalo entre a busca da roupa interior azul clara e a discussão com os amigos de onde passam o fim do ano. Pelos palcos de todo mundo houve momentos que merecem ficar na história e por isso mesmo apresentamos-te um mashup dos principais acontecimentos de dança e de teatro.

Uma vitória

Na dança…

Miguel Pinheiro vence o Prix de Lausanne

Quando se fala de Prix de Lausanne pensamos imediatamente em jovens promessas do mundo da dança e sejamos sinceros, nunca nos lembramos que todos os anos são vários os bailarinos portugueses que tentam a sua sorte e se esforçam para dar o melhor de si. Este ano Miguel Pinheiro, de 17 anos, aluno da Escola de Dança do Conservatório Nacional, não ganhou o grande prémio, mas foi o vencedor na categoria de dança contemporânea e ganhou ainda uma bolsa de estudos. 

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No teatro…

 Grupo Dramático e Recreativo de Retorta vence prémio internacional

O Grupo Dramático e Recreativo de Retorta (Valongo) recebeu no dia 28 de março, em Madrid, o prémio Escenamateur Europa 2015 atribuído pela Confederação Espanhola de Teatro. A peça premiada é Óculos de Sol e tem autoria e encenação de Laura Ferreira. A encenadora caracteriza a peça como “um teatro à moda antiga mas com uma contemporaneidade particular”. Óculos de Sol tem onze atores em palco, todos eles amadores porque não são pagos pelo seu trabalho, mas dedicam-se de corpo e alma a esta arte.

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Um adeus

Na dança…

Sylvie Guillem despede-se para sempre dos palcos como bailarina

Um fenómeno tanto da dança clássica como da contemporânea, a francesa Sylvie Guillem conseguiu fazer história, mudar a história e mesmo no fim da carreira conseguiu ser inovadora. Aos 50 anos, uma idade muito avançada para uma profissão tão desgastante como a dança, Sylvie Guillem decide pôr fim à sua carreira como bailarina com a digressão Life in Progress. Da sua flexibilidade à sua técnica perfeita, à capacidade de criação e ao seu feitio, esta bailarina causou sempre sensação tendo dançado ao lado de Nureyev ou Akram Khan, quebrado as regras e por ter trocado a majestosa Paris Opera Ballet pela Royal Ballet, na altura ainda com papel secundário. O seu último solo vai ser dançado amanhã em Hiroshima, no Japão, e assim se diz adeus a um prodígio da dança e se perde a oportunidade de ver dançar uma lenda viva.

75105392_Sylvie Guillem-largeNo teatro…

Luis Miguel Cintra diz adeus à sua carreira como ator

Aos 66 anos, o fundador do Teatro da Cornucópia diz adeus à sua vida de ator nos palcos, mas não é por isso que se afasta do teatro. Um dos profissionais do teatro mais reconhecidos e queridos de Portugal foi distinguido este ano com o Prémio Carreira 2015 pela Academia Portuguesa de Cinema, mas o adeus era inevitável devido à doença de Parkinson. Em entrevista ao Espalha-Factos, Luis Miguel Cintra disse: “É fantástica [a vida de ator], mas (…) Não basta ter coragem e atirar-se para a frente. É preciso trabalhar muito porque são dois trabalhos”. E ao trabalho, à acumulação de tarefas e ainda à acumulação de empregos junta-se “o pior dos males: a sua brevidade”, como referiu Cintra na mesma entrevista.

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Uma promoção

Na dança…

Misty Copeland é promovida a bailarina principal da American Ballet Theater

Pela primeira vez uma bailarina afro-americana torna-se a bailarina principal da American Ballet Theater, uma das companhias de dança mais conceituadas a nível mundial. Sabemos que o mundo da dança está coberto de dogmas e regras que tornam a bailarina num estereótipo de perfeição, de ser místico, pálido e onde o corpo e o tom de pele têm demasiada importância. Misty Copeland entrou na companhia com 17 anos e aos 33 anos chega finalmente ao ponto alto da sua carreira, não só pelo papel de destaque que conquistou pelo seu árduo trabalho, mas pela afirmação e pelo sinal de mudança que chegou ao mundo da dança.

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No teatro…

Tiago Rodrigues torna-se o novo diretor do Teatro Nacional D.Maria II

A sua promoção chegou em outubro de 2014, mas só no início de 2015 Tiago Rodrigues assumiu plenas funções como novo diretor do Teatro Nacional D. Maria II, substituindo João Mota. Empenhado em “fazer das tripas coração”, Tiago Rodrigues disse na apresentação da temporada do TNDMII que estava disposto a mudar e a fazer diferença, a aproximar o teatro das pessoas e torná-lo numacasa aberta, presente em todo o país e para lá das nossas fronteiras, ocupada da infância, da juventude e das escolas, empenhada na pesquisa e na inovação, atenta à vida pública e capaz de contribuir para a felicidade dos portugueses”.

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Uma personalidade

Na dança…

Marcelino Sambé é solista no Royal Ballet

Logo no início do ano o jornal britânico The Independent apresentava este jovem bailarino português, que faz carreira pelas terras de sua majestade, como uma das dez figuras mais promissoras do mundo das artes para 2015. E o prognóstico cumpriu-se, Marcelino Sambé, de 21 anos, tornou-se desde junho num dos bailarinos solistas do Royal Ballet. Atualmente é um dos bailarinos da companhia mais falados, não só pela técnica ou presença em palco, mas porque se torna impossível ao público tirar o olhar deste jovem rapaz, esteja ele com um papel de destaque ou com um secundário. Regressou este mês a Portugal a convite da CNB para desempenhar o papel de Príncipe em A Bela Adormecida.

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No teatro…

Benedict Cumberbatch é Hamlet no teatro

Benedict Cumberbatch dispensa qualquer tipo de apresentações. Estamos mais do que habituados a vê-lo na televisão lá de casa em Sherlock ou no grande ecrã no brilhante papel de Turing em Jogos da Imitação, mas o ator britânico surpreendeu meio mundo com a sua versatilidade e grande desempenho no teatro como Hamlet. A peça foi transmitida nos cinemas para aqueles que quiseram aproveitar a oportunidade de ver um dos atores mais célebres do momento a trabalhar uma personagem densa e da qual toda a peça depende, naquela que foi a peça de teatro com a venda de bilhetes mais rápida da história.

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Uma companhia 

Na dança…

|acsc|- António Cabrita e São Castro

|acsc| é um projecto de colaboração artística entre os dois bailarinos portugueses. Este foi o ano da sua definitiva afirmação em Portugal como defensores da dança e do movimento. A dança no nosso país tem-se esquecido um pouco do que é dançar e está a levar a expressão “não ter medo de não dançar” demasiado a sério. António Cabrita e São Castro são dois bailarinos e coreógrafos decididos em contrariar essa tendência e o seu trabalho é reconhecido. Este ano receberam o Prémio Autores para melhor coreografia com Play False e ainda apresentaram Tábua Rasa, um espetáculo em colaboração com a CNB.

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No teatro…

Coletivo Rabbit Hole

“Inspirada nas noites queer-trash das grandes urbes, nasce em Lisboa uma estrutura que dá espaço aos queers e às prostitutas, amantes da arte, do core, da artcore e do hardcore, cyborgues, genderfuckers e rave-feministas.” Assim se descreve o Rabbit Hole, que desde 2014 possui um coletivo artístico aberto a qualquer proposta de performance de qualquer tipo. 2015 foi um ano de inúmeras colaborações e o futuro mostra-se promissor para este coletivo empenhado a dar voz a artistas emergentes.

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