DJ Ride

DJ Ride: «Por vezes o pessoal não gostar da minha música é um elogio»

Oliveiros Tomás Oliveira. O nome diz-te alguma coisa? Provavelmente não, mas se falarmos no DJ Ride, o caso já muda de figura. São ambos a mesma pessoa, são ambos campeões do mundo de scratch pela Internacional DJ Association (em conjunto com Sterreossauro, formando a dupla Beatbombers) e estiveram ambos na Where’s de Party da Carlsberg, organizada na passada sexta-feira no MEO Arena. E nós estivemos à conversa com “eles”.

O Espalha-Factos e a 100% DJ estiveram à conversa com o DJ Ride momentos antes de o produtor português entrar em palco como o primeiro artista do line-up. “Acho que faz sentido ter DJs de outros estilos, porque o público também quer coisas mais diferentes e não estar do início ao fim com a mesma batida”, comentou Ride, “a diversidade é algo que pode ajudar a chegar ainda a mais pessoas e é enriquecedor”.

Em 2015, Ride lançou o seu primeiro álbum ao fim de três anos, From Scratch, e comentou que a reação por parte dos seus seguidores foi bastante positiva: “tem tido um feedback bastante bom, até porque é com mais convidados. Chega a muita mais gente do que se fosse só instrumental. Tendo os rappers consigo ir buscar os seus públicos é muito transversal. Chega ao pessoal do hip hop mas também a pessoal da eletrónica”

DJ Ride
Foto: 100% DJ

Apesar de dizer não ter nenhuma música favorita, o DJ, que demorou três meses a produzir o álbum, destaca as colaborações como Jimmy P e sobretudo com Capicua, devido ao instrumental minimalista que conseguiu aplicar. “Ainda não tenho o número do Kendrick Lamar”, brincou o músico em relação a uma colaboração de sonho, “mas tentei a Alice Russell e estive quase a conseguir, mas ela tinha sido mãe há pouco tempo e não deu”.

Para 2016, DJ Ride deixou a promessa de lançar pelo menos mais dois singles para além de apresentar novos projetos através da dupla Beatbombers. Para além disso, e para colmatar a ausência das colaborações em muitos dos seus concertos, o músico vai fazer a digressão com uma banda e apresentar assim um conceito de concertos diferente. Em perspetiva está mais um ano em cheio.

O scratch em Portugal: reconhecido ou não?

Foi no ano de 2011 que Ride e Sterreoussauro conquistaram o primeiro título de campeões do mundo de scratch, uma das muitas técnicas de DJ que, desta feita, não consiste apenas em passar de uma música para a outra, implicando uma técnica precisa e mãos bastante habilidosas para que tudo saia no seu lugar.

Apesar dos seus 125 mil likes no Facebook, Ride não escondeu que o scratch poderia já estar mais enraizado em Portugal, apesar de a falta de novos talentos ser uma constante:

Já se esteve bem pior, mas mesmo assim não há muita cultura e não há muita informação. Por vezes vejo DJs que fazem um scratch muito básico e o público vai à loucura com eles, embora seja mesmo básico. Não há muito know how do público. A nível de DJs, infelizmente, temos também muito poucos. Chegou até a pensar-se em fazer o Thre3Style em Portugal, mas ultimamente não tem havido nada devido à falta de DJs de hip hop e de scratch.

O RedBull Thre3Style foi uma prova internacional de DJs em que Ride participou no fim desta ano, tendo apenas três semanas para preparar um set que muitos já estavam a preparar há dois anos. “O meu maior objetivo era chegar à final, conseguir e dei o meu melhor. Foi a primeira vez que um DJ português entrou neste campeonato, um dos mais vai crescer nos próximos anos”, comentou, de forma evidentemente orgulhosa.

DJ Ride
Ride recebeu o prémio “Os 20 mais” do 100% DJ

Em suma, Ride diz que “há mais pessoas a interessarem-se pelo scratch, mas não é como os outros estilos”, desafiando o público e os organizadores de eventos apostar mais na diversidade para combater esta tendência, já que “há festivais que vão do primeiro ao último DJ com as mesmas músicas e sets muito parecidos”.

E como é que o DJ de scratch responde aos haters? Fácil:

“Às vezes falar de música é como falar de futebol, há rivalidades e pessoal que se gosta de um estilo não respeita o outro, mas compreendo bem quem não compreende a minha música. Por vezes o pessoal não gostar da minha música é um elogio”

E tu, o que conheces do scratch? Fica aqui com um pedaço daquilo que é a vida do DJ Ride, pois, aqui, o “básico” é algo que não consta no menu:


Fotos: 100% DJ

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