Ser-se fã ávido de cinema pode trazer muitas coisas boas: estar sempre a par das novidades da indústria; ser aquele a quem os amigos vêm pedir conselhos para uma matiné caseira; e, melhor que tudo, mergulhar como ninguém num filme e deixar-se envolver pela sua história e pelas suas personagens.

Mas ser-se assim amante da 7.ª arte também é passar anos a rezar para que venha o novo capítulo da nossa saga favorita ou para que se voltem a fazer filmes como antigamente. Quantos de nós não escrevemos já inúmeras cartas ao Pai Natal a pedir para que o Tarantino tornasse Kill Bill numa trilogia, para que viesse algum realizador Jedi fazer esquecer as prequelas de George Lucas ou para que os blockbusters parassem simplesmente de abusar no CGI?

A secção de cinema do Espalha-Factos juntou neste seu artigo natalício as melhores prendas de Natal que os cinéfilos receberam em 2015. Afinal de contas, foi um ano inesquecível para quem já estava farto de pedir tantos presentes deste género sempre sem resultado. Desde estreias a simples anúncios, nada faltou para trazer alegria aos apaixonados por cinema.

Universo Cinemático da Marvel

Antes de Iron Man (2008) sair, os filmes de super-heróis já eram populares, mas foi aqui que surgiu a ideia de diferentes filmes de heróis se passarem no mesmo universo, tal como acontece nas bandas desenhadas nas quais se baseiam. Durante os quatro anos seguintes, os filmes da Marvel Studios foram prometendo um evento que iria juntar todos os seus heróis, o qual finalmente se deu com Os Vingadores em 2012. E este ano, a sede por novos desenvolvimentos no UCM foi saciada com as estreias de Avengers: A Era de Ultron e Homem Formiga, o trailer de Capitão América: Guerra Civil e ainda o anúncio dos filmes da phase three dos estúdios.

O sucesso da “fórmula Marvel” já está a demonstrar o seu impacto na indústria, com outros estúdios a procurarem criar os seus próprios filmes interligados, com a Warner Bros. a lançar Batman V Superman e Suicide Squad já no próximo ano; o número de filmes do X-Men a ser aumentado; a Paramount a planear várias spin-offs para os Transformers; e a Universal a tentar lançar um universo cinemático parecido, mas com monstros clássicos como Drácula e Frankenstein.

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Regresso de efeitos práticos

Nos anos 90 começou-se a usar mais CGI (efeitos gerados a computador) graças ao sucesso de filmes como Jurassic Park (1993) e Exterminador Implacável 2 (1991). No inicio, isto parecia um utensílio bastante útil, visto que se poderia agora criar quase tudo o que viesse à imaginação. No entanto, depressa se tornou num pesadelo, com alguns filmes a “exagerarem” no uso de CGI para criar situações que mais pareciam ter saído diretamente de um desenho animado.

Felizmente, Hollywood está a voltar a implementar mais efeitos práticos para manter algum realismo. Só este ano, Mad Max: Estrada de Fúria e Star Wars: O Despertar da Força provaram os resultados que o menor foco em CGI pode ter. Mad Max durou mais de 100 dias a ser filmado num deserto na Namíbia e todas as armas e veículos a serem criados manualmente, enquanto que O Despertar da Força procurou filmar o máximo possível em sítios reais.

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Trainspotting 2

Um dos melhores filmes britânicos feitos na década de 90 – e considerado pela British Film Institute mesmo um dos melhores alguma vez feito – terá uma sequela, 20 anos depois do seu lançamento. Danny Boyle estará mais uma vez na cadeira de realizador, guiando o elenco original, já confirmado: Ewan McGregor (Renton), Johnny Lee Miller (Sick Boy), Ewen Bremner (Spud) e Robert Carlyle (Begbie).

A estreia de Trainspotting 2 foi inicialmente anunciada já para o ano que vem, data do seu 20º aniversário. Posteriormente, foi divulgado que as gravações apenas começarão nessa altura e, por isso, a sua estreia foi adiada para 2017. Assim parece que ainda teremos que esperar para ver onde as escolhas de vida de Renton o levaram, vinte anos depois de abandonar os seus amigos e a vida que levava em Edimburgo.

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Kill Bill 3

Esta é talvez uma das sagas mais icónicas do cinema contemporâneo e, sem dúvida, dois dos filmes que mais marcaram a carreira de Quentin Tarantino, tornando-se ambos em objectos de culto no subconsciente do público. Kill Bill e Kill Bill 2 fizeram as delícias da audiência há mais de 10 anos atrás e muita especulação surgiu em 2014 quando se apostava numa sequela no 10.º aniversário.

Apesar deste rumor nunca ter passado disso mesmo, um rumor, Tarantino admitiu agora a possibilidade de um Kill Bill 3 ser cada vez mais real. Em declarações que animam bastante os fãs ao What The Flick o realizador admitiu que “há definitivamente uma possibilidade” e acrescenta que “Eu fiz a Beatriz Kiddo passar por muita coisa, e por isso queria oferecer-lhe um tempo de paz” (…) “queria que ela passasse algum tempo com a filha sem ter de estar inserida numa máquina de géneros“.

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Finding Dory

Em 2003, Finding Nemo fazia parte do universo mágico de pequenos e graúdos quando estreou nas salas de cinema e tornou-se num dos mais emblemáticos da Disney Pixar. Foram depois precisos 10 anos para que fosse anunciada a sequela deste filme. Finding Dory foi então dado a conhecer ao público através do programa televisivo de Ellen DeGeneres. Um anúncio que apanhou toda a gente de surpresa e que deixou os fãs a salivar já que a estreia deste novo filme Pixar está apenas marcada para o verão de 2016.

Finalmente estamos agora a pouco mais de 6 meses de conhecer as novas peripécias de Dory, o peixe azul mais conhecido dos oceanos e que voltará a ser “encarnado” pela a apresentadora de televisão. O trailer lançado este ano pode ser visto aqui.

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Everybody Wants Some

Lendo o título, é possível que alguns não saibam de que se trata. Mas se dissermos que é a sequela de Dazed and Confused, talvez os níveis de excitação comecem a subir. O filme de Richard Linklater (realizador que já tem por tradição obrigar os fãs a serem pacientes, ou não fosse ele o autor da trilogia Before) que retrata fielmente a década de 70 é um dos maiores objetos de culto do cinema independente e, desde a sua estreia em 1993, não parou de ganhar fãs.

Everybody Wants Some é a continuação não da história de Dazed and Confuded, mas sim do espírito do filme. Agora, a narrativa desenrola-se na década de 80 e volta a focar-se num grupo de universitários em pleno ambiente de festas e liberdade, onde o teen spirit percorre as veias de todos os protagonistas. Anunciado este ano após muitos rumores, Linklater deu nova prenda aos fãs com o lançamento do trailer a dois dias da véspera de Natal.

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Reviver os clássicos dos nossos pais

Mencionámos aqui Finding Dory (tal como podíamos ter mencionado outra qualquer sequela da Pixar, como Toy Story 3 ou Os Incríveis 2) como uma das sequelas mais esperadas por figurar no nosso imaginário de infância/adolescência, mas a verdade é que este ano de 2015 em particular tem sido um constante sapatinho de nostalgia para a geração anterior. Se andámos há anos a pedir uma continuação das aventuras de um simples peixe, os nossos pais andam há décadas a implorar por novos capítulos de algumas das sagas que marcaram as suas vidas quando eram jovens.

É verdade que sempre foi tradição em Hollywood fazer reboots, mas a qualidade dos mesmos nunca foi muito elevada. Este ano, por fim, as cartas que os nossos pais enviaram para o Polo Norte surtiram finalmente efeito e a sua maior prenda foi um 2015 recheado de excelentes surpresas capazes de fazê-los reviver outros tempos, agora na companhia dos seus filhos. Mundo JurássicoExterminador: Genisys foram apenas os aperitivos para um ano que traria os nostálgicos e não menos espetaculares Mad Max: Estrada da Fúria e Star Wars: O Despertar da Força. E, sabendo que ambos vão ter direito a novas e promissoras sequelas, é de adivinhar que as prendas não vão parar por aqui…

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Artigo redigido por: Adriano Ferreira, Patrícia Nunes, Ricardo Rodrigues e Sebastião Barata