Foi na passada quinta-feira, dia 17 de dezembro, que os alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional (EDCN) apresentaram o bailado O Quebra-Nozes. O Espalha-Factos marcou presença numa das sessões e nos bastidores.

Como habitualmente, e para fechar o ano em grande, os alunos de todos os anos da EDCN dançam para o público numa grande produção que nunca desilude. Este ano foi mais uma vez mostrado o bailado que mais jus faz à época natalícia  O Quebra-Nozes, do compositor russo Tchaikovsky.

Não sendo um bailado muito detalhado a nível técnico (e, por isso, adequado a pequenos aprendizes), mas de uma beleza enorme, O Quebra-Nozes é já uma escolha habitual pela EDCN nesta época.

Desde os cenários, ao guarda-roupa, ao som e à iluminação, nenhum pormenor foi deixado para trás. Tendo pela primeira vez como palco o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, os alunos do 2.º ao 8.º ano foram aplaudidos de pé pela plateia que encheu ambas as sessões.

Do trabalho árduo ao bailado

Do início ao fim, os alunos, de diferentes anos e idades, mostraram todo o seu empenho e árduo trabalho em palco. A excelência e dedicação dos jovens bailarinos fizeram prova de um já grande profissionalismo. O empenho de todos os professores e da própria escola com o seu rígido método de ensino, tem, durante anos, conseguido formar grandes bailarinos, cujo talento chega, em alguns casos, às melhores companhias de ballet clássico do mundo.

Aquecimento

Aquecimento

Nos camarins, a agitação e o nervosismo instala-se. Uns aquecem, outros treinam, outros descansam e aproveitam para retocar a maquilhagem e o cabelo. Tudo deve estar perfeito! O Espalha-Factos chega e imediatamente os mais curiosos aproximam-se, oferecendo-se para responder ao que lhes fosse perguntado. Pequenos adultos e muito seguros de si, os alunos da EDCN apressam-se a contar o quão diferente é o seu percurso comparativamente a outras crianças. Muito estudo e horas a fio de aulas práticas (tanto de clássico, como de contemporâneo, entre outras) têm de ser intercaladas com ensaios, muitas vezes aos fins de semana, e uma organização muito exigente. A continuidade na escola depende dos resultados nos exames e avaliações no final do ano. Depois, o eterno estereótipo dos bailarinos magros e o controlo da sua alimentação e peso, outro fator que os pressiona e os incentiva a ser cada vez melhores e a competir uns com os outros.

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Um percurso académico muito difícil e que muitos confessam, à medida que passam de ano, ser impeditivo de praticar outras atividades extracurriculares. No entanto, a paixão que foi surgindo pelo ballet, fá-los lutar e continuar, sonhando um dia chegar ao topo de uma companhia.

O espetáculo vai começar

Ouve-se a chamada. Os pequenos grandes bailarinos vestem finalmente a personagem e os primeiros a entrar sobem ao palco. A magia está prestes a começar.

O Quebra-Nozes conta, através de fantasia e magia, as aventuras de um quebra-nozes de aparência humana, vestido de soldado, com as pernas e a cabeça de tamanho desmesurado, e de uma menina que sonha com um Príncipe Quebra-Nozes.

O Primeiro Ato começa com uma festa de Natal em casa da pequena Clarinha, com a criançada e muitos convidados. Ao fundo do salão ergue-se, resplandecente de luzes e de prendas, a árvore de Natal. Clarinha recebe como presente de Natal um quebra-nozes.

Numa feroz batalha contra o Rei dos Ratos, Quebra-Nozes, agora de carne e osso, e os restantes soldados encontram-se em grave perigo. Clarinha consegue, no entanto, vencer o seu medo, e entra na batalha. Ao lançar um dos seus sapatinhos acaba por aniquilar o Rei dos Ratos e o seu exército.

Transformado num príncipe, Quebra-Nozes conduz Clarinha ao Reino das Neves e assim termina o Primeiro Ato. Os dois jovens bailarinos são aclamados pela beleza da sua performance. Inclusive os alunos do 2.º e 3.º anos, grande parte intérpretes das crianças que surgem no início, apesar de menos experientes, foram exemplares no seu desempenho com passos mais delicados.

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O Segundo Ato inicia-se com a noite gelada que liberta os Flocos de Neve, uma coreografia em conjunto, onde os vários tutus brancos e os muitos saltos lembram a queda da neve em pleno Natal. Mais tarde, Quebra-Nozes conduz Clarinha ao seu reino, o Reino dos Doces, onde a Fada do Açúcar partilha alegria e guloseimas pelas crianças que, à semelhança de Clarinha, ainda sonham.

Os súbditos da Fada de Açúcar surgem e marcam outro dos pontos mais altos do Segundo Ato. A Valsa das Flores, a Dança dos Mirtilons, a Dança espanhola, russa e a chinesa foram interpretadas de forma perfeita.

Depois o grande momento. O pas-de-deux e a Dança da Fada do Açúcar, cuja conhecida melodia, em conjunto com a da Valsa das Flores, perpetuou o génio de Piotr Ilitch Tchaikovsky. Os bailarinos e, em particular, a aluna que interpretou a Fada de Açúcar, estão de parabéns! A sua performance foi arrepiante, maravilhosamente bela e muito bem executada a nível técnico.

Chega o final do Segundo Ato e todos se levantam, aplaudindo, durante vários minutos, o espetáculo que fechou em grande o período letivo dos alunos do 2.º ao 8.º ano da EDCN.

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Baseado no conto O Quebra-Nozes e o Rei dos Ratos, de Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffman, esta é uma história que estimula o imaginário de cada um de nós, remetendo-nos para o reino da fantasia e da magia. Perfeito para assistir com a família, esta produção clássica é irresistível e representa um momento memorável de comemoração do Natal.

Fotografias de Andreia Martins