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10 livros que deves ler neste inverno

Naqueles dias de inverno em que a chuva e o frio não te deixam sair de casa, há uma alternativa à televisão: os livros. O dia 22 de dezembro marca o início oficial do inverno e o Espalha-Factos apresenta-te uma lista com os livros que podem ajudar-te a passar estes dias mais frios. Todas as nossas sugestões são histórias envolventes, capazes de te levar por mundos fantásticos, para leres, bem quentinho, debaixo de uma manta ou à lareira, quem sabe com uma caneca de chocolate quente a acompanhar.

A princesa do gelo, de Camilla Läckberg

a princesa do gelo

Quando regressa à sua terra natal, Fjällbacka, uma pequena cidade sueca, Erica Falk encontra uma comunidade envolvida em tragédia. A morte da sua amiga de infância, Alex, é o princípio de um grande mistério. Tudo leva a crer que a rapariga se suicidou, mas quando começa a escrever uma evocação para ler no funeral da amiga, Erica vê-se de repente no centro dos acontecimentos. Conhece Patrik Edstrom, que investiga o caso e os dois acabam por formar uma equipa e desenvolver uma investigação paralela à da polícia, que traz ao de cima a verdade de um passado perturbador, marcado por vários segredos convenientemente esquecidos.

A princesa do gelo foi o romance que catapultou Camilla Läckberg para as livrarias portuguesas, sendo que estas personagens já deram origem a outros livros. A autora já ultrapassou as fronteiras suecas tendo sido apelidada pela Oceanos, editora do livro em Portugal, como “a nova Agatha Christie que vem do frio”.

A rapariga que roubava livros, de Markus Zusak

A rapariga que roubava livros

Este é um livro em que a morte assume papel de narrador numa Alemanha marcada pela Segunda Guerra Mundial. Liesel, uma menina de nove anos de idade, entregue para adopção, roubou o primeiro livro no funeral do irmão, quando ainda não sabia ler. Foi o primeiro de muitos pelos quais se apaixonara e que a ajudarão a superar as dificuldades da vida, dando um sentido à sua existência. O pai adoptivo, um intérprete de acordeão, é quem a acompanha neste caminho das letras que lhe permite exorcizar fantasmas do passado. Ao longo dos anos, Liesel continua a dedicar-se à prática de roubar livros e a encontrar-se com a morte, que utiliza um registo humano e poético, para atrair a atenção de quem a lê para cada frase. Um livro que devolve um outro olhar sobre os dias da guerra no coração da Alemanha e acima de tudo pelo amor à literatura.

O australiano Markus Zusak é o autor deste best-seller, adaptado em 2013 para o cinema. O jornal The Guardian descreve o livro como: “Inquietante, desafiante, triunfante e trágico… Um livro de grande fôlego, escrito de forma soberba… É impossível parar de o ler”.

Marina, de Carlos Ruiz Zafón

marina

Óscar tem 15 anos, é aluno de um colégio interno em Barcelona e dedica o tempo livre aos passeios pelas ruas da cidade, das quais admira os casarões envoltos de grandes jardins. É precisamente uma destas casas, aparentemente abandonada, que chama a atenção do rapaz. Quando se aventura pela casa percebe que não está sozinho, mas deixa-se seduzir pela voz e música de Marina, e por um antigo relógio de bolso, que acaba por levar quando se assusta e foge daquela casa desconhecida. Num outro dia, em que regressa para entregar o relógio, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma hora. Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda esta mulher. Paixão, aventura e mistério num livro de um dos mais conceituados escritores espanhóis da atualidade.

Casa dos espíritos, de Isabel Allende

casa dos espiritos

Um universo repleto de espíritos, personagens multifacetadas e humanas marcam a obra de estreia de Isabel Allende. Esteban Trueba, o patriarca, vive obcecado pela terra e pela paixão absoluta pela mulher. Clara, a matriarca misteriosa é dotada de poderes sobrenaturais, estabelecendo o destino da casa e da família Trueba. A filha Blanca vive um amor proibido com Pedro, o filho do capataz do pai, de onde nasce uma criança: Alba, que se torna uma mulher de convicções fortes, capaz de dar corpo à luta pela justiça social. A autora apresenta a evolução da família, ao longo do século XX, num clima revolucionário do Chile, terminado com o golpe militar de 1973. As paixões da família Trueba, as suas lutas e segredos desenvolvem-se ao longo de três gerações e de um século de violentas mudanças.

A Casa dos Espíritos é um best-seller de 1982. Em 1993 deu origem a um filme com o mesmo nome, dirigido por Billie August.

Nocturno indiano, de Antonio Tabbuchi

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O autor acredita que este livro pode ser um guia para amantes de viagens improváveis. Ao longo de doze capítulos viajamos de Bombaim a Goa, sendo que cada um deles retrata uma noite num lugar da Índia. Em Noturno Indiano, acompanhamos o narrador que se aventura por um país que não conhece em busca de um amigo que não vê há anos, mas cujo percurso se torna, rapidamente, numa viagem espiritual em busca de si próprio. Um hino à força criativa da linguagem, pois é graças a uma palavra evocada em várias línguas que o viajante se aproxima daquele que procura.

Num livro em que o registo de diário, o relato de viagem e o romance policial se misturam, é através de várias personagens enigmáticas com que o protagonista se cruza que António Tabbuchi contrasta a miséria explícita com o luxo exclusivo a poucos. Destacamos as referências à literatura portuguesa e as marcas culturais deixadas pelos portugueses naquele país.

As Lágrimas da girafa, de McCall Smith

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As Lágrimas da girafa é sobre um pequeno e exótico país do continente africano e a primeira mulher detetive do Botsuana, cujo maior desejo é poder ajudar as pessoas. Este é o cenário que McCall Smith apresenta neste livro em que revela uma África diferente do habitual, pacata, tal como as tardes que Mma Ramotswe passa à sombra de uma majestosa acácia, com uma chávena de chá de rooibos na mão, a pensar nos casos que tem por resolver. O mais desafiante leva-a a percorrer o país para resolver um enigma com mais de dez anos: o desaparecimento de um americano nas matas do Botsuana.

Neste livro muito leve, mas envolvente, Mma Ramotswe ensina-nos que da mesma forma que a girafa doa as lágrimas para que as artesãs africanas untem as suas cestas, cada pessoa deve dar algo de si aos outros.

Madame Bovary,  de Gustav Flaubert

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Um dos clássicos da literatura e de leitura obrigatória: Madame Bovary é um romance dos meados do século XIX pioneiro devido ao seu realismo. Aparentemente, Flaubert escreveu o típico romance que uma mulher gostaria de ler: Emma, uma pequena burguesa sonhadora, espera o dia de encontrar o seu príncipe que as novelas cor-de-rosa relatam. Acaba por casar com o médico Charles Bovary, mas rapidamente se cansa da vida monótona de mulher casaca e fiel. Frustrada e angustiada refugia-se nos seus amantes, esquecendo-se do marido e da filha. Além dos seus amantes, Emma esbanja todo o dinheiro do marido em prendas para si, acabando por deixar a família na desgraça, causando um final trágico.

Madame Bovary não é um mero romance simplista. Por trás de toda esta história há uma grande crítica moral da sociedade francesa da altura. Ninguém escapa ao dedo acusador de Flaubert, nem mesmo a literatura de cordel, principal fonte da vida imoral de EmmaMadame Bovary é um livro que tem de ser lido pela mensagem sublimar que traz agregada. É uma lição e uma crítica que pode ser atualizada e situada na modernidade.

A Pérola, de John Steinbeck

a perola

Há uns anos, A Pérola de Steinbeck era um dos livros de leitura obrigatória do ensino básico. Uma história curta, que prende e nos deixa absorvidos pela sucessão intensa de acontecimentos e aventuras. A Pérola fala-nos de um casal pobre e sem qualquer bem material. Do nada, o homem da família encontra uma pérola tão grande e tão perfeita que a família decide fugir dos ladrões e revendedores oportunistas e tentam ter o máximo lucro daquela oferenda divina. Mas como o caminho até ao sucesso não é fácil, a família é perseguida e corre grandes riscos de vida. O pior acontece: não conseguem vender a pérola, não conseguem enriquecer, não conseguem sequer salvar-se a si próprios nem ao seu bebé do mal que a ganância traz.

As velas ardem até ao fim, de Sandór Márai

As Velas Ardem até ao Fim Sándor Márai

Um dos melhores livros de sempre, uma obra incomparável e difícil de explicar. As velas ardem até ao fim é pequeno romance apaixonante sobre o valor da amizade. Escrito de uma maneira exímia, com uma história emocionante e emocional, Sándor Márai consegue deixar uma lágrima no olho de quem o lê e fazer o leitor reviver e reavaliar as suas relações com o outro.

Dois amigos reencontram-se já no fim dos seus dias. Entre o presente e os fantasmas do passado, KonradHenrik entram num revier de quarenta anos de separação. O que mudou neles e na sua vida? Qual o poder do tempo e da separação? Perguntas há muitas, respostas também, muitas delas dadas pelo silêncio, pelo piscar de olhos, pelo arrastar de uma palavra. Sim, em As velas ardem até ao fim o leitor partilha o espaço com as duas personagens. É ao lado delas que se presencia todas as emoções e reações, é neste universo paralelo que aprendemos o que é realmente amizade, a que se deve dar valor na vida e como se deve preservar quem verdadeiramente importa.

Histórias Falsas, de Gonçalo M. Tavares

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Para terminar a lista, escolhemos Gonçalo M. Tavares, um dos nomes mais aclamados da literatura atual portuguesa. Fizemos um esforço e fechámos os olhos aos seus grandes êxitos como Jerusalém e optamos por Histórias Falsas, um pequeno livro de pequenos contos, todos eles falsos, ou talvez não.

Ideal para aquela tarde em que não se aguenta mais o estudo ou em que o cheiro a filhós já se entranhou em todas as partes da casa, de leitura fácil e rápida, este é um livro que no fundo não conta apenas histórias. Histórias Falsas parte de personagens reais e cria pequenos episódios que podem ou não ter sido reais, explora-os não ao pormenor é verdade mas sim naquilo que significam. O conceito de belo é questionado, o de amor, o de justiça e outros que tais. A deliciosa escrita de Tavares funciona na perfeição com estas histórias morais, que ensinam e que obrigam a pensar.

Escrito por Beatriz Vasconcelos e Matilde Ferreira

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