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6 razões pelas quais adoramos ‘Star Wars: O Despertar da Força’

Nos últimos anos, o novo Star Wars tem sido alvo de entusiasmo cinemático inesgotável, fundamentado por uma expectativa que tem vindo a dividir a opinião geral dos fãs em relação ao novo título do franchise. A tarefa de J.J Abrams de agradar à generalidade do público sempre se adivinhou difícil e de uma responsabilidade incomensurável, que o acabou por conduzir ao que muitos consideram um caminho demasiado seguro e isento de risco.

Desenganemo-nos ao acreditar em fórmulas simplistas para descrever um filme como O Despertar da Força.  Apesar do novo volume da saga Star Wars ser facilmente criticável pelas mais variadas razões, este apresenta uma série de fatores que vão permitir que continue a ser falado e relembrado por milhões de fãs no decorrer dos próximos anos.

O Espalha-Factos pretende enunciar alguns dos motivos pelos quais a nova película da franchise continua a ser competente em emocionar e divertir um espectador durante duas horas de puro espectáculo visual. É o cinema de uma geração a refletir-se a si próprio.

1 – As personagens da trilogia original estão de volta…

Possivelmente o epicentro do hype gerado em torno do novo filme de J.J Abrams tem a ver com a vontade inexplicável de rever velhos amigos e perceber de que forma eles envelheceram juntamente com o universo que os rodeia. Harrison Ford, Carrie Fisher, Mark Hammill e o próprio Peter Mayhew (o ator por trás do Wookie Chewbacca) regressam para mais uma viagem pela galáxia com novo enfoque nos alicerces da família e no passar de gerações.

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2 – … E os novos protagonistas asseguram o seu legado

Se existe alguma razão para ansiar os próximos episódios desta nova trilogia essa prende-se com a lufada de ar fresco trazida pelos novos protagonistas de Star Wars. É neste ponto fundamental que se sente principalmente o eco do despertar de uma nova geração de heróis intergalácticos com carisma suficiente para aguentar as horas necessárias e desnecessárias no ecrã. Não poderíamos deixar de referir a química entre Finn e Rey, que se conduzem a si e ao espectador pela mão com a maior das facilidades e a presença do robot BB-8 que, com certeza, será um dos personagens favoritos do público durante muito tempo.

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3 – O tributo aos one-liners…

O argumento de Lawrence Kasdan, J.J Abrams e Michael Arndt pode nem se aproximar dos melhores da saga, mas nasce certamente com o intuito de homenagear a primeira trilogia de Star Wars. Em Star Wars: O Despertar da Força as frases idiotas e ridiculamente divertidas proferidas pelos nossos personagens favoritos são a (re)representação do humor característico do cinema de ação dos anos 80.

De facto, a odisseia no espaço de Luke, Solo e Leia reflectia esse espírito descontraído e quase infantil de um filme de série B que não pretendia mais do entreter o espectador durante duas horas. Poder substituir as conversas sensaboronas sobre política intergalática pelas situações de aperto para Han Solo é um privilégio – tanto para o espectador como para o cineasta.

– … E o regresso aos efeitos práticos

Durante os anos 80, o universo Star Wars era maioritariamente habitado por diversas marionetas e objectos mecânicos, responsáveis pela criação de um ambiente visual credível e palpável. Se as prequelas de George Lucas vieram destruir a herança deste marco no cinema de efeitos especiais, o filme de J.J Abrams tem como um dos seus objectivos o resgate dos efeitos práticos. O mais interessante e curioso é que estas novas criaturas estão inscritas nos pormenores dos cenários criando uma visão mais holística da apropriação do espaço captado pela câmara. Neste sentido, deixamos especialmente um novo destaque a BB-8, um personagem que vem preencher o espaço livre de C3-PO e R2-D2 com movimentos e intenções reais controlados de forma precisa.

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5 – o som é fantástico

Haverá componente mais memorável em toda a saga Star Wars do que a belíssima banda sonora de John Williams? Em O Despertar da Força o compositor veterano volta a brindar-nos com os temas pelos quais nos apaixonámos, introduzindo, de igual forma, variações interessantes aos seus originais e novas composições que acarretam consigo ímpeto para um novo começo. Recomenda-se a audição (ou reaudição) do tema de Rey, que sabe tão bem como chocolate quente neste Natal.

O sound design também entra, evidentemente, na equação do trabalho com o som e este foi construído de forma absolutamente extraordinária. A equipa de sonoplastia deste novo título volta a utilizar sons tão icónicos que se dissociam facilmente da imagem e ecoam em loop na nossa mente – o ruído suave da máscara de Kylo Ren, os tons complexos do emprego da Força, o entusiasmo capturado com o início de uma batalha de sabres de luz.

Com a ajuda da tecnologia do Dolby Surround 7.1 alguns dos momentos altos da película tornam-se avassaladores – o mais pequeno pormenor da queda da neve ou do restolhar de um ramo trespassa e confunde-se com o maior frenetismo de uma batalha que apenas queremos que não termine.

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6 – Este é, possivelmente, o último “evento” de Star Wars ao qual vamos assistir

A indústria de Hollywood tem manifestado uma progressiva tendência em banalizar um fenómeno no cinema e especialmente naquilo que do cinema se transformou em cultura pop. Os super-heróis são hoje figuras que protagonizam a maior parte dos filmes que saem em circuitos comerciais e a tentativa de criar inúmeros remakes de clássicos dos anos 70 e 80 continua a ser um método preferencial por parte das grandes produtoras.

O que há aqui a concluir? Que muito possivelmente este será o último grande evento de um filme de Star Wars que vamos assistir. A Disney encontrou uma nova mina de ouro e agora convém explorá-la ao máximo. Se achávamos que o fenómeno começava e terminava com a Marvel, podemos cometer o risco de nos enganarmos seriamente. É que a verdade é que não víamos um verdadeiro filme da saga há muito tempo e agora vamos ter de nos habituar a ver prequelas, sequelas, desenhos animados, séries de televisão, publicidade até enjoarmos abrupta e definitivamente Star Wars. O meu conselho? Aproveitar o presente de Natal de J.J Abrams aos fãs com a tranquilidade e felicidade que este requer e oferece.

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