Swedish House Mafia: o nome diz-te alguma coisa? Trata-se provavelmente do trio de DJs mais bem-sucedido da história da música eletrónica. Apesar de terem terminado em 2013, as referências a Swedish House Mafia são constantes na EDM e parte disso deve-se ao facto de Axwell e Sebastian Ingrosso, dois dos três membros do grupo, terem mais tarde anunciado uma nova parceria que dura até hoje. Eles estiveram ontem em Portugal e houve até tempo para bolo.

O MEO Arena foi palco de mais uma edição do Where’s The Party, da Carlsberg, que contou tanto com a dupla sueca como com nomes nacionais. Tanto o recinto como as bancadas estavam abertas mas a totalidade do espaço não lotou, o que obrigou a organização a chegar o palco à frente. Apesar disso, a festa esteve cheia de entusiastas de todos os nomes que por lá passaram e só terminou perto das 3h da manhã.

O primeiro nome a entrar em palco foi DJ Ride, o artista com o estilo de música mais diferente da noite. Campeão mundial de scratch juntamente com Stereossauro, da dupla Beatbombers, Ride aproveitou tanto para passar as chamadas “músicas de rádio” de artistas como Adele, Ellie Goulding ou OMI como para promover o seu novo álbum, From Scratch, que tem colaborações com nomes como Capicua, Dengaz ou HMB. O DJ de 29 anos esteve à conversa com o Espalha-Factos e com a 100% DJ e agradeceu o convite por parte da organização, que marcou pontos ao mostrar interesse em promover outros tipos de música em eventos como este.

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Club Banditz entraram em palco logo a seguir e poucos minutos depois de terem estado à conversa connosco. A dupla de DJs teve em 2015 um ano de afirmação em Portugal depois de já há muito ter dado cartas em países como a Grécia, Brasil e Croácia. Gonçalo Julião e João Coelho afirmaram orgulhosamente que Portugal tem “o melhor público do mundo” e pediu aos presentes no MEO Arena para “apoiar o que é nacional”.

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“Não há segredo nenhum. Não aparecemos de repente, estamos aqui há três, quatro anos e existe uma base sustendada. Começamos lá fora, fizemos Croácia, Grécia, Suíça, Espanha, e só agora com a EDP Beach Party e os Melhores do Ano é que as coisas cá em Portugal começaram a acontecer. O nosso maior orgulho é que nós realmente temos fãs, e isso é a cereja no topo do bolo. Estamos a crescer, não somos super estrelas mas já temos grandes eventos um pouco por todo o mundo para o ano graças à Universal”, disse Gonçalo Coelho.

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A Universal Music é a produtora por trás dos Club Banditz e, portanto, as expectativas são altas para o novo álbum que vai sair já em 2016. Desde setembro que o duo tem apresentado algumas músicas e, para além de ter trazido ao MEO Arena sucessos como Endless Sunrise ou a mais recente Open Your Eyes, neste evento apresentou mais três, que tiveram uma muito boa adesão por parte do público.

Dos três artistas que antecederam Axwell e Sebastian Ingrosso, Diego Miranda foi aquele que teve a atuação mais longa, pois era provavelmente o nome mais conhecido dos três. Número 58 do mundo no top-100 da DJ Mag, sendo mesmo uma vez mais o português com a melhor classificação, Diego Miranda não esteve com meias medidas e, já com o recinto no seu auge máximo, vibrou e fez vibrar os milhares de pessoas que aguardavam pelas estrelas da noite, terminando a sua atuação com Mikkel Solnado para tocar a música comemorativa dos 12 anos da MTV Portugal.

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Skrillex, mas também David Guetta ou John Newman foram alguns dos nomes que estiveram em palco graças ao set de Diego Miranda. À conversa com os jornalistas, Diego diz que ficou “surpreendido” com a sua classificação no top-100 da DJ Mag e confessa que “quando há prémios há sempre polémicas, uns que gostam e outros que não gostam. Mas é sempre uma coisa boa”. Para 2016, Diego Miranda promete música música nova já em fevereiro numa colaboração com Wolfpack, produzido na label de Dimitri Vegas e Like Mike.

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Houve até tempo para bolo. Pela segunda vez, Axwell veio comemorar o seu aniversário em terras portuguesas e a Carlsberg não deixou passar a ocasião, preparando uma supresa ao DJ e produtor sueco pelos 38 anos comemorados. Na presença da sua equipa, dos jornalistas e de alguns fãs mais sortudos, foram sopradas as velas, cantados os parabéns e não podia faltar o champ… cerveja da promotora, obviamente.

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Axwell ficou agradado com a ocasião e mostrou-se sempre recetivo a tirar todas as fotos com aqueles que não quiseram deixar escapar a oportunidade, não fosse ele um dos grandes nomes da música eletrónica da última década.

Lights down, hands up, it’s showtime. À 1h30 da manhã entrava em palco a dupla por que todos esperavam e até algumas centenas de pessoas fizeram fila à entrada do recinto. Com uma nova e assustadora intro, Sebastian Ingrosso e Axwell tinham um palco só para eles bem mais alto do que para o resto dos DJs. E aplica-se, pois o duo elevou o número de decibéis no MEO Arena.

Fumo, fogo, pirotecnia, houve de tudo para um cenário memorável e um concerto que os presentes não vão esquecer tão cedo. A primeira música de relevo no set foi a Deep Down Low, de Valentino Khan, que se prolongou durante vários minutos misturada com outros. Are You With Me, Where Are U Now e Rock The Party também passaram pelo MEO Arena.

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Sim, os Swedish House Mafia tiveram também uma presença bastante vincada nesta noite e parecia ser isso que o público mais esperava. Cada vez que músicas como a Heroes, Save The World, Don’t You Worry Child ou One (Your Name) saíam das colunas, a animação era geral. Verdadeiros throwbacks a um trio que, para além de Ingrosso e de Axwell, era formado por Steve Angello, considerado por muitos como o principal culpado pelo fim dos Swedish House Mafia.

Houve claro tempo para que Axwell /\ Ingrosso apresentassem também o que têm andado a fazer desde que começaram como uma dupla. Dream Bigger foi uma das primeiras músicas escolhidas e a Can’t Hold Us, com Salvatore Ganacci, marcou aquele que foi talvez um dos momentos mais quentes da noite. This Time We Can’t Go Gome mereceu também o seu momento de destaque e a Sun is Shining foi a música escolhida para terminar o espetáculo combinada num bonito momento de sincronia com o fogo, gritos do público e a bandeira de Portugal como plano de fundo.

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Em suma, este foi provavelmente um dos melhores espetáculos de música eletrónica do ano em Portugal, e esta é uma afirmação cada vez mais difícil de fazer tendo em conta o crescente número de festivais, beach parties e concertos do género no nosso país. Axwell e Ingrosso atraíram público de todas (mesmo todas) as idades ao MEO Arena e mostraram as vantagens de assistir a este tipo de espetáculos num recinto, como um evento singular, quando comparado àquilo que é praticado num festival.

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Num festival as atuações são muito mais efémeras, não há tempo para absorver aquilo que está a acontecer à frente do público, e já num recinto como o MEO Arena tem um impacto muito maior. Se houvesse quem tivesse dúvidas disso, Axwell e Ingrosso encarregaram-se de as dissipar. Nota 20.