Castello Branco esteve ontem no Passos Manuel num concerto intimista que aqueceu os corações de quem lá estava.

Na voz traz um Gilberto Gil que gosta de fazer letras sobre a amiga que não sabe escolher namorados, um Cícero Rosa Lins que clama que as crianças deviam mandar nas mães, um Sufjan que tem um Esteves zuca no final do cartão de cidadão. Na guitarra canhota traz a nova esperança da nova música brasileira.

A sala tinha lugares livres a mais. O talento de Castello Branco ainda não é muito conhecido em Portugal. Infelizmente. Mas não foi isso que tornou a noite numa coisa menor. Serviço, o álbum de estreia do cantor, tratou de aquecer a noite fria e de arrefecer os problemas do mundo.

Castello Branco

Tem Mais Que Eu só não levantou poeira – perdão pela referência, Ivete – porque o anfiteatro tem cadeiras. De outro modo veria-se ali um carnaval invicto em pleno dezembro. No entanto, não foram as cadeiras que detiveram o samba tímido das cabeças.

Castello Branco mostra que sabe do que fala nas suas letras. Entre as histórias ouvidas, há uma que se torna especial. Uma que fala que o amor das crianças é mais leal, mais forte. Uma que fala que devíamos viver numa sociedade em que as crianças ensinam os adultos, sobretudo a amar. Tudo é explicado pelo próprio que, num momento de desabafo, explica o teor da letra.

Castello Branco

Entre músicas do álbum de estreia e do próximo trabalho, o humor de Lucas é acompanhado pelo riso tímido da plateia. A capacidade de intimidade que o cantor apresenta perante o público faz dele uma promessa. Pela boa música, pela humildade, pela genialidade.

“Para acabar, qual querem?” é seguido por duas vozes que disparam de rajada um “Céu da Boca!” e um “KDQ!”. “Vocês vão ter que chegar a um consenso”, diz o cantor enquanto se ri. Afinal parece que Castello Branco não é de todo um desconhecido dos que ali estavam.

Foi o final de semana mais doce do último ano. Castello Branco mostra que ainda temos capacidade de amar quem nos acrescenta.