Este mês, a Brand New traz-te projetos made in Portugal, que se distinguem pela sua originalidade. O destaque do mês é dado à Myiarts, uma plataforma que se propõe conectar artistas e entusiastas de arte, de forma rápida e prática. Estivemos à conversa com o CEO desta startup, Ivan Braz, na Incubadora Criativa e Tecnológica da Universidade Lusófona, dias antes de viajar para São Francisco para uma nova aventura, e contamos-te tudo o que precisas de saber sobre o presente e o futuro deste projeto. Ainda no panorama nacional, fica a conhecer a NearUs e a TeeLegend!

Destaque do mês: Myiarts

Pretendemos desmistificar o sentido de consumir arte.” – Ivan Braz

O nome não é português, nem a maioria da equipa… mas os criadores sim. Ivan Braz e Dulce Guarda são os fundadores da Myiarts, uma plataforma que permite “fazer um cross-matching [uma correspondência], entre o artista e o art enthusiast”, de acordo com os gostos deste último. Ele, Ivan, desdobra-se entre as funções de CEO e de gestão de produto; ela, Dulce, é a responsável pelo Marketing. Por outras palavras, são os “fazem-tudo-um-pouco” da empresa.

Ao Espalha-Factos, Ivan revelou que tudo partiu de uma falha identificada pelos dois: a falta de contacto direto entre os artistas, as galerias e os consumidores de arte. “As pessoas consomem muita cultura no Facebook, por exemplo, mas, muitas vezes, passa-lhes completamente ao lado, não chega às pessoas que realmente a querem consumir, seja arte, museus, exposições ou monumentos. (…) Não há um sítio específico onde os artistas se possam promover e onde possa haver uma ligação mais social”. A isso acrescenta-se o facto de a maioria das galerias estarem “vazias”.

É aqui que entra a Myiarts. “Pretendemos desmistificar o sentido de consumir arte”, diz Ivan. No fundo, querem “democratizar a arte“, criando uma comunidade que seja mais do que um conjunto de transações e crie contacto entre os artistas e os entusiastas de arte.

Com um modelo Freemium, a plataforma quer, assim, ser uma ferramenta útil para os artistas e as galerias se divulgarem a si próprios, “de uma maneira muito mais fácil e interativa“, dando-lhes orientação, “sobretudo porque os artistas não são gestores, são criadores“. Para isso, Ivan adianta que uma das funcionalidades disponíveis será a possibilidade de os interessados se informarem sobre as tendências no mercado, “saberem se estão a vender/comprar a obra de arte ao valor correto, se devem diminuir ou aumentar o valor. De uma maneira geral é conseguir criar proximidade, porque os artistas precisam de fãs”.

A plataforma tem um foco na pintura e escultura, algo que a distingue de outros sites (como o DeviantArt). “Não há nada no mercado” com este foco, que aposte na formação de uma comunidade, esclarecem.

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Para já, a Myiarts está numa fase de testes com artistas de várias nacionalidades, mas já tem cerca de 22 mil pré-registos na plataforma, essencialmente dos EUA e do Reino Unido. Em janeiro chega a aplicação, que será “mais uma fase para fazer os utilizadores conhecerem não só uma vertente dos artistas mas também o que se passa a nível artístico, em qualquer ponto do país“. Chama-se ArtSpotting e “a ideia é as pessoas conhecerem o que existe em redor“. Já a plataforma deverá chegar em fevereiro do próximo ano.

“Despedi-me e estive um ano a analisar e a perceber a estrutura e o potencial do mercado – Ivan

A Myiarts é fruto de muito trabalho e investimento (não só financeiro). Ivan vem da área de desenvolvimento tecnológico. Depois de tirar uma semana no trabalho para estudar o mercado, decidiu despedir-se e passar um ano a “analisar e perceber a estrutura e o potencial do mercado“. A partir daí começou a constituir a equipa e a desenvolver o projeto.

Nos seus primórdios, a Myiarts trouxe-lhe, a ele e a Dulce, o primeiro lugar no Novabase Gameshifters de 2014, um evento de networking que permite, num espaço de 24 horas, pôr em prática uma ideia inovadora. Desde então, o projeto passou por um período de reestruturação. Mas Ivan sentiu que não conseguiriam “atingir os objetivos” em Portugal. “Acho que [Portugal] é um mercado que tem um potencial enorme mas que, infelizmente, não é bem divulgado e as pessoas não têm grande apoio na área das artes“, nota. A empresa está incorporada nos EUA.

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Ivan e Dulce aproveitaram a oportunidade de se mudarem durante dois meses para a Grécia, onde usufruíram de um programa de aceleração com o qual conseguiram apoio financeiro e mentoria, algo comum a este tipo de programas. Sem nunca desistir, quando o programa terminou Ivan e Dulce mudaram-se para os EUA, onde, para além de mais investimento, conseguiram captar importantes parcerias, como faculdades de arte (o The Art Institute of New New York City, por exemplo).

Para lá voltaram no início deste mês de dezembro, ao abrigo de um(a) programa/parceria com o prestigiado MIT. Apesar da internacionalização, a Myiarts não deixa de lado o mercado português, até porque “dos 23 mil utilizadores pré-registados, cerca de 3000 são portugueses“. “Queremos também apostar no mercado em Portugal, para que os consumidores consigam conhecer e consumir o que há em Portugal“, acrescenta.

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Apesar de confiantes no futuro da empresa, Ivan reconhece apenas que o mercado das artes não é fácil, por ser um “mercado pesado, velho“. Mas acrescenta que “há uma nova geração de consumidores de arte”.

Também está a dar nas vistas… a NearUs

Near us

O quê? A NearUs é uma aplicação portuguesa que te permite comunicar com alguém em locais ou eventos, por exemplo num jogo de futebol ou num concerto, de forma completamente anónima. A app pode também ser utilizada por promotores de eventos para interagirem com os consumidores (para que estes escolham o melhor jogador em campo, ou a próxima música num concerto, por exemplo).

Como? Tudo o que tens de fazer é escolher um nickname e a distância a que queres encontrar alguém para conversar (até 5000 metros) e procurar “salas” (ou criar a tua própria sala). Depois disso, é uma questão de teres sorte e encontrares alguém que também esteja conectado à aplicação e que contigo possa discutir sobre o evento ou o local onde se encontram. No final da conversa, a sala e as mensagens desaparecem.

Um pouco de História: A aplicação foi criada em 2014 por  André Freitas, Rui Peixoto e Tiago Serra, em Barcelos. No início deste ano, venceu, em Barcelona, o prémio de melhor aplicação móvel europeia, o EU Mobile Challenge.

Tens 24 horas para comprar esta t-shirt… com a TeeLegend

tee legend

O quê?1 T-shirt. 24 horas. Desaparece para sempre” – é este o conceito da TeeLegend, uma plataforma online portuguesa de vestuário. A cada dia, a empresa apresenta uma t-shirt/camisola/sweatshirt/casacos ilustrados por um designer profissional. Os desenhos são feitos a pensar nos “fãs de cinema, devoradores das séries, amantes dos videojogos, historiadores, heróis de banda desenhada, Jedi’s, E.T.’s, geeks e outros colecionadores bem humorados“, escrevem em comunicado.

Como? As peças estão expostas no website apenas durante 24 horas, para homem, mulher e crianças a partir de um ano de idade, com possibilidade de distribuição a nível mundial. Depois desse período as peças “desaparecem para sempre“.

Um pouco de História: A TeeLegend foi criada este ano por Ricardo Fonseca, com mais de 15 anos de experiência em comércio eletrónico. Ele próprio é um fã da “cultura geek”.

Até ao próximo mês!

Fotografias da entrevista: Élio Santos