Disney in Concert

Disney In Concert: Um amor para todas as gerações

A Lisbon Film Orchestra prometeu e cumpriu: 9 de dezembro foi noite de desfilar clássicos no Disney In Concert no Coliseu do Porto.

Tomás tem seis anos, adora a Disney e não gostou da ideia de poder perder aquele concerto. Está muito animado. No rosto tem estampada a alegria do momento que se seguirá e mal se consegue manter no seu lugar, com tanto entusiasmo.

Como o pequeno Tomás, estão outras tantas centenas de crianças que enchem o Coliseu do Porto, numa noite de quarta-feira. Amanhã há escola – mas quem consegue dizer que não à Disney? Nem os adultos conseguem, certamente, pois também eles ocupam muitos dos lugares da sala e estão mais que prontos para reviver os grandes clássicos. Se o amor não escolhe idades, a Disney também não.

pequeno Tomás
O pequeno Tomás

São 21h40. As luzes apagam-se e dão o presságio de que o tão ansiosamente aguardado espetáculo está prestes a começar. O palco ilumina-se e o público irrompe em aplausos, para a orquestra que entra e se instala perante uma plateia tão bem composta e dedicada. A peça fundamental do concerto – o maestro – indica que tudo está pronto. Quando se ouvem as primeiras notas tocadas pela orquestra e se projetam as imagens de alguns clássicos da Disney na tela, a ânsia dá lugar à pele de galinha e à nostalgia profunda, sentida sobretudo pelos mais velhos. Não há dúvida de que estamos perante algo muito especial.

Uma rapsódia de sonhos realizados

Nos primeiros dez minutos, somos envolvidos numa autêntica rapsódia musical e cinematográfica do mundo da Disney: O Rei Leão, Dumbo, Aladino, Mary Poppins, Peter Pan e a bela Cinderela trazem-nos as primeiras recordações dos clássicos, culminando com uma fotografia de Walt Disney (a pessoa a quem devemos a maior parte da nossa infância), fortemente aplaudida.

O maestro Nuno Sá dá-nos as boas-vindas, embora seja o público do Porto quem de acolhimentos mais entende. “É um prazer enorme estar no Porto. É um sonho realizado estar aqui com vocês.” Para um espectador, dificilmente haverá algo mais bonito e lisonjeador de se ouvir. O maestro prossegue, dando-nos altas expectativas para a noite: “Espero que os mais velhos possam recordar e reviver a infância, e que os mais novos possam ouvir ser tocados os seus filmes preferidos.”

É-nos apresentada a voz arrepiante de Soraia Tavares que, por agora, se chama Ariel e queria ter pernas para poder estar com quem mais ama – Fora do Mar é a primeira canção que nos faz suspirar e Aqui no Mar, com Diogo Pinto, é a que nos faz acompanhar o ritmo com palmas, tornando quase impossível não dançar ligeiramente nos nossos lugares. A Pequena Sereia teve o final feliz com o seu príncipe Eric; agora é hora de recordar a nossa princesa selvagem e deixar que Pocahontas nos diga Quantas Cores o Vento Tem, ao lado do seu amado John Smith.

Mas será que é possível viver uma segunda oportunidade? A Bela e o Monstro diz-nos que sim. No entanto, antes de nos embrenharmos uma outra vez numa das mais bonitas histórias de amor, somos presenteados com P’ra Jantar e com um verdadeiro momento de teatro musical, porque a representação e a dança também fazem parte das competências dos quatro cantores convidados. Era uma vez, música se fez, Bela e o Monstro amar é o verso que parece não nos conseguir sair da cabeça.

Antes do final da primeira parte, dançamos ao som d’O Livro da Selva e ainda temos tempo de recordar a música de Mary Poppins, o clássico Disney mais antigo que esta noite tem para nos oferecer.

A segunda parte inicia-se com um medley de O Corcunda de Notre Dame, a apaixonante história do corcunda Quasimodo e da amada Esmeralda, a cigana por quem era capaz de tudo. Depressa a catedral parisiense é substituída por um palácio de gelo e as primeiras notas do piano são inconfundíveis; ouve-se uma súbita excitação das crianças por todo o Coliseu porque, finalmente, o filme do momento e o que melhor conhecem da Disney, chegou: Frozen. Dificilmente haverá uma criança que não esteja a cantar já. A música passou em plenos pulmões, acompanhando a mágica voz da cantora Ana Margarida, que no fim é fortemente aplaudida.

Viajamos do gelo de Arendelle para o calor do deserto das Arábias, com Aladino e o seu Amigo Insuperável, o Génio da Lâmpada – e mais uma grande interpretação de Bruno Ribeiro. Mais tarde, fazemos uma viagem de tapete mágico pelo mundo ideal de Aladino e Jasmine e, mais uma vez, difícil é não cantar também.

Há algo de incrivelmente mágico em ouvir uma orquestra ao vivo e igualmente difícil de transpor em palavras. Mesmo filmes que não sejam propriamente musicais, como é o caso de Piratas das Caraíbas, são dotados uma banda sonora majestosa e demasiado forte para um só Coliseu; aliado a uma orquestra que impõe respeito, o jogo de luzes fez deste um dos melhores momentos da noite.

Disney in Concert: Um pequeno mundo com grandes doses de magia

Já o concerto começa a chegar ao fim e parece apenas sobrar um dos mais importantes clássicos de toda a Disney, que ecoa nas nossas cabeças. “Tem que ser agora”, pensamos. E é agora: somos transportados para a savana africana e o início incomparável de Ciclo Sem Fim faz-nos arrepiar da cabeça aos pés, enquanto na tela um pequeno Simba é apresentado ao restante reino animal selvagem – o mesmo Simba que, ainda em pequeno, mal pode esperar para ser rei. A velha e adorada canção Esta Noite o Amor Chegou foi um dos pontos altos da noite e a última de O Rei Leão, um dos filmes preferidos das gerações mais antigas.

“Obrigado Porto!” são as palavras que enchem o Coliseu, antes da última canção desta doce viagem pelo mundo Disney, It’s a Small World.

Despedimo-nos do universo Disney por esta noite, mas não acaba por aqui a estadia da Lisbon Film Orchestra pelo Porto: na noite seguinte, 10 de dezembro, uma sessão extra do Disney In Concert, com a mesma dose de magia.

Fotografias de Luís Pereira

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