Com a competição já encerrada e os vencedores a irem sendo anunciados ao longo da tarde, o penúltimo dia do MUVI Lisboa deu destaque aos clássicos.

Acordes Históricos

Muito já se falou sobre Música no Coração e Quase Famosos. O primeiro é aquele clássico de cinema que todas as famílias já viram inúmeras vezes pelo Natal; o segundo é um dos filmes que melhor retrata o ambiente do rock nos anos 70. Mas por muitas vezes que já os tenhamos revisitado, vê-los no grande ecrã dá toda uma nova essência a cada um deles. Música no Coração foi apresentado numa versão restaurada em 8K e reajustada em 4K, conferindo-lhe um nova beleza que se perde quando o vemos na televisão: os montes (vivos ao som da música), o palacete dos von Trapp, todas as cores e, claro, os momentos musicais ganham nova vida vistos numa sala de cinema. O mesmo se pode dizer sobre Quase Famosos, que na grande tela transborda todo o espírito rockeiro para a plateia, já para não falar na banda sonora que, com o sistema de som da Sala Manoel de Oliveira, adquire outra magia e badassness.

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A Band Called Death

A sessão de encerramento do MUVI deu continuidade ao tema do punk que havia estado em destaque no dia anterior. A Band Called Death leva-nos à descoberta de três irmãos que começaram a tocar punk antes mesmo de o género ser criado, mas que por uma série de infortúnios nunca conseguiram lançar a sua música.

David, Bobby e Dannis Hackney são o trio que nos anos 70 iniciaram a banda, tocando um rock mais pesado e rápido daquele que se ouvia na altura. O talento estava lá, mas as propostas de contratos discográficos nunca chegaram a ir para a frente precisamente pelo nome da banda: Death. David, o líder do grupo que havia tido a ideia do nome, recusou-se sempre a alterá-lo e, assim, o disco dos irmãos nunca foi editado. Só em 2008, oito anos depois da morte de David devido a um cancro nos pulmões, se descobriram as gravações dos Death, para grande sucesso de crítica e público.

A vida destes três irmãos é algo inimaginável. À frente do seu tempo (“the punk band before there was punk” foi uma frase muito utilizada quando mais de três décadas depois se ouvir falar da banda), mas condenados ao azar, foram protagonistas de uma história que mais parece saída de um filme. A Band Called Death foi rodado em 2012 quando Bobby e Dannis puderam finalmente disfrutar da fama e do reconhecimento, sem nunca esquecer o seu falecido irmão, a verdadeira mente por detrás da banda. Cheio de momentos incrivelmente emotivos, nomeadamente quando são recordados os momentos finais da vida de David (a início, o filme até se foca mais nele do que nos restantes Hackneys), e levando-nos numa visita guiada pelos sítios chave da curta carreira do grupo, o documentário cumpre eficazmente o objetivo: mostrar o quão surreal e, de certo modo, triste foi a carreira dos Death, apesar do quão visionários eram os três músicos.

A Band Called Death peca apenas por se intrometer em demasia na família Hackney, havendo segmentos dispensáveis para compreendermos o percurso da banda (não havia necessidade de filmar o funeral da mãe dos irmãos). Mas, no geral, é um cativante registo que nos introduz a um grupo que merece que se escute a sua música e se conheça a sua história.

7/10

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Electric Man

O último showcase foi um ao som das guitarradas de Electric Man. Convidando logo no início o público a aproximar-se do palco, o ritmo acelerado das suas canções e a energia dos instrumentos animaram a Sala 3 e poucos foram os que permaneceram sentados nas suas cadeiras. À música de Electric Man juntaram-se vídeos em 3D analógico (tendo sido distribuídos à entrada óculos old-school, de lentes azul e vermelha), onde se utilizaram excertos de vários filmes. No final, o VJ Pedro Carruna foi convidado a subir ao palco para responder a algumas perguntas, tendo aí afirmado que prepara sempre vídeos diferentes para cada concerto, de modo a que nunca sejam iguais uns aos outros. Tito Pires, verdadeiro nome de Electric Man, terminou o Q&A agradecendo ao MUVI pelo convite, encerrado assim o penúltimo dia do festival.

Foto retirada do Facebook do MUVI

Foto retirada do Facebook do MUVI Lisboa