No dia 4 de dezembro, sexta-feira, a Sala 2 do Hard Club, recebeu Craft Spells e Toulouse para uma noite repleta de revivalismo, indie pop e surf rock.

Depois da abertura de portas marcada para as 21h30, os vimaranenses Toulouse tiveram em mãos a missão de convencer uma plateia pouco numerosa e que ansiava pela estreia em território nacional dos norte-americanos Craft Spells. Com uma atuação agendada para as 22 horas, os Toulouse, pontuais, subiram ao palco diante de um plano de fundo azulado e de tonalidades dissemelhantes. Num concerto encorpado e constante, os Toulouse tocaram, entre outras, o seu primeiro single, Tero!, Battery e reservaram ainda tempo para mostrar algum material novo que poderá vir a ser editado. Naquele que foi o seu primeiro concerto com a sua nova formação, que conta com um novo guitarrista e teclista, aproveitaram, simpaticamente, para agradecer a presença do público no final de cada tema.

Passados dois minutos das 22 horas, Justin Paul e companhia iniciaram a sua atuação com a eletrizante From The Morning Heat. “Hello Porto! Thank you so much!” foram algumas das palavras dirigidas pelo frontman a uma plateia composta por pouco mais de meia centena de pessoas, antecedendo a melancólica Komorebi, o segundo single do seu segundo registo em estúdio, Nausea.

Agitando espectadores pouco ruidosos e inquietos, Twirl foi tocada irrepreensivelmente, seguindo-se a contrastante Dwindle, apimentada com um teclado subtil e uma atmosfera relaxante.

De volta a ritmos mais alegres, dançáveis e vibrantes, Party Talk e Your Tomb, temas de Idle Labor, o álbum de estreia de Craft Spells, surtiram de imediato efeito sobre um público que começava a ficar mais desinibido e que ia alterando progressivamente a sua postura corporal.

Com uma breve passagem pelo seu EP Gallery, editado há três anos pela Captured Tracks, a banda de Seattle tocou Still Left With Me, fazendo, seguidamente, agradecimentos intermináveis e recordando que já estão em digressão pela Europa há cerca de cinco semanas.

Invocando uma voz idêntica à de Morrissey, a batida lenta e pouco florida de The Fog Roses High e a sonoridade serena e lo-fi de Nausea serviram de aquecimento para After the Moment, um dos temas mais aplaudidos da noite e que fez o chão do antigo Mercado Ferreira Borges tremer.

Na reta final do espetáculo, seguiu-se Breaking the Angle Against the Tide, o primeiro single do seu mais recente álbum, e Scandinavian Crush, que contou com saltos contidos, simultaneamente acompanhados de aplausos.

Garantindo uma visita à cidade portuense em breve, a estreia de Craft Spells em Portugal terminou com muita vitalidade física em palco, presente em You Should Close the Door. Ligadas as luzes, de imediato chegou ao fim um concerto que, apesar de certas oscilações e de estar inserido na tour de apresentação de Nausea, conseguiu balancear perfeitamente canções antigas e temas mais recentes.