O Papiro de César, a 36.ª aventura da coleção Astérix, chegou a Portugal a 22 de outubro. Após o regresso de Astérix e Obélix,  este é o segundo número dos seus novos tutores, Jean-Yves Ferri e Didier ConradA Guerra das Gálias, obra escrita por Júlio César para publicitar os seus triunfos junto do povo de Roma, é o ponto de partida para uma história que discute o universo da comunicação social e, em particular, uma fuga de informação que se sucede no ano 50 antes de Cristo.

Comentários sobre a Guerra das Gálias é o título do sonante e estrondoso sucesso de Júlio César que, por sugestão do seu conselheiro, Vendetudus, acaba por ser publicado sem o capítulo dedicado aos reveses sofridos face aos irredutíveis gauleses. Afinal de contas, a “triste verdade histórica” representa, sem sombra de dúvida, uma nódoa no curriculum vitae do imperador romano. Assim, resta apreender as cópias do capítulo e confinar os “escribas númidas e mudos”, atuais escritores-fantasma, à solitária. Contudo, Gigadatha, que se recusa a não ter voz na matéria, escapa-se com um papiro capaz de pôr em causa a obra e vida de César e, agindo por ideal, confia-o a Gerapolémix, um “caçador de notícias e correspondente em Roma do Diário de Lutécia”.

“Quando os romanos souberem disto, vai ser um escândalo enorme e todo o império vai estremecer!” – Gerapolémix in O Papiro de César

Enquanto os Acta Diurna, isto é, os jornais, elogiam de forma unânime o êxito da versão expurgada, Vendetudus impõe à censura romana a captura do ativista gaulês que, em reportagem, auxiliou à perpetuação da fuga de informação. Todavia, o que o conselheiro desconhece é que o canalis, ou furo jornalístico, foi parar às mãos dos irredutíveis que, determinados a evitar que os seus descendentes saibam que “César não conquistou toda a Gália”, tencionam preservar o manuscrito através da tradição oral da cultura gaulesa.

Com um argumento atual e irreverente, aborda-se o universo da comunicação social à medida que se revêm personagens carismáticas e com sentido de humor, capazes de resistir “ainda e sempre”, incluindo no desenho, que mantêm o estilo a que o público se habituou, embora apresente elementos distintos, como uma maior força nas expressões faciais.  Até o mais antigo transportador de mensagens, o pombo-correio, recebe destaque neste 36.º álbum. Não obstante, é o famoso “boca-a-orelha” dos gauleses o responsável pelo nascimento da série de banda desenhada, Astérix, criada por “dois escribas contemporâneos”Albert Uderzo e René Goscinny.

Nota: 8/10

FICHA TÉCNICA

Título: O Papiro de César

Texto: Jean-Yves Ferri

Desenhos: Didier Conrad

Cor: Thierry Mébarki

Tradução: Maria José Pereira e Paula Caetano

Legendagem:Nuno Portugal

Editora: Edições ASA

Páginas: 48

Preço: 12,90€