O mais recente musical de Filipe La Féria estreou dia 21 de novembro, às 15h, no Teatro Politeama, em Lisboa. É na presença de um narrador que nos é apresentada a história do menino selvagem. Tarzan, personagem criada por Edgar Rice Burroughs e popularizada através da adaptação cinematográfica por parte da Disney, em 1999, trata-se do filho de um casal de ingleses que, após o assassínio dos seus progenitores, é encontrado e criado pela gorila Kala.

Num dia dedicado aos mais pequenos, Tarzan – O Musical não começou à hora programada: sentar crianças não é fácil e, por maior e mais visível que o entusiamo seja, há que ser paciente. Destaca-se um rapaz louro que, sozinho, parece confuso com os lugares, passando de uma para outra cadeira, à medida que os devidos ocupantes se manifestam. Mais tarde, a meu lado, sentado nas escadas da régie, percebo que não tem bilhete, porque está ali para ver o pai em palco. “É o chefe dos macacos”, declara, orgulhoso, referindo-se ao imponente chefe gorila Kerchak, interpretado por Tiago Isidro. Poucos minutos após as 15h, pergunta “quando é que começa?”

_DSC0005ef

Tarzan – O Musical estreia com a entrada de um narrador em palco. A história do bebé, que um dia será um homem gorila, inicia-se com Bruna Andrade a dar voz, corpo e alma à mãe adoptiva de Tarzan. Apresentado à tribo gorila e a Kerchak, marido de Kala, Tarzan é aceite, mas com duras reservas. Afinal, é um estranho e em nada se parece com a sua nova família. Ainda assim, a mãe gorila ama-o como se de um filho biológico se tratasse, tal como todas as mães que decidem adoptar um ser que não possui o seu ADN. Promove-se o amor como fator de união, capaz de ultrapassar quaisquer diferenças, e o amor aos animais, em particular, uma vez que, tal como o Professor Arquimedes afirma: “há pessoas que são animais e animais que são pessoas”.

Numa selva cheia de lianas e com ocasionais pores-do-sol desconcertantes, uma história de coragem, amizade, autodescoberta e, sobretudo, muito amor, é contada à medida que Tarzan (Pedro Goulão) cresce e aprende a ser como os gorilas, sofre discriminações e luta pelo afeto e respeito de Kerchak, se transforma num homem (Ricardo Raposo) e descobre que existem outros como ele, aquando da chegada de Jane Porter (Sara Cabeleira), o Professor Arquimedes (Filipe Alburquerque) e Clayton (João Duarte Costa).

_DSC0035ef

Além dos figurinos criativos e coloridos, do cenário mágico e das letras das canções que ficam no ouvido, destacou-se a interpretação do mais jovem ator do elenco, um Tarzan criança cheio de talento, de Bruna Andrade como uma Kala protetora, exemplo de uma mãe extremosa, e de Tiago Isidro, o Kerchak imponente, que aos poucos se deixará conquistar pelo Tarzan adulto. No que diz respeito à personagem de Jane Porter, os mais velhos são capazes de ter ficado desiludidos com a personagem, pelo menos não me lembro de ser tão picuinhas e pouco compreensiva.

Um espetáculo divertido e educativo, que emociona até os mais graúdos, mais não seja por reavivar memórias de infância. Tarzan – O Musical, para toda a família, está em cena até dia 27 de dezembro, terça e sexta às 11h e às 14h, sábados, domingos e feriados, às 15h, no Teatro Politeama. O preço dos bilhetes, disponíveis na Bilheteira Online, varia entre os 5€ (2.º balcão) e os 12,50€ (plateia e 1.ª tribuna).

Fotografias de Raquel Dias da Silva