Justin Bieber, Purpose

What Do You Mean, já podemos tolerar Justin Bieber?

Nos Estados Unidos, já é um sucesso de vendas, ultrapassando o número de vendas de um álbum na primeira semana. Purpose é o quarto álbum de estúdio daquele que parece querer deixar de ser um enfant terrible no mundo da música, com fãs histéricas… e um artista com pé na electrónica, mais crescido.

Purpose é, claramente, Justin Bieber a expandir terreno para além do pop pastilha elástica. Nota-se que aprendeu alguma coisa com Skrillex e Diplo, conhecidos pelo toque de Midas, pelo menos se estivermos a falar na cena EDM. Purpose toca em campos de R’n’B, da electrónica down tempo, até. Mark my words é o primeiro tema do álbum. Uma balada, que se torna ligeiramente irritante, mas não irritante ao nível Baby. Avé.

Segue-se I’ll Show You, com uma produção muito mais direccionada para electrónica, onde é perceptível que este álbum tem uma vibe diferente daquilo que vimos Bieber fazer até agora.

Não é preciso falar muito sobre What Do You Mean – há Skrillex e isso nota-se. O mesmo acontece em Sorry, apresentado como segundo single do álbum. Há um toque ligeiramente caribenho, de verão, até. A letra é um clássico do playbook da lírica musical, com uma nova roupagem – “amor, fiz porcaria, dá para fazer reset?”. Aliás, um tema que até poderia aplicar-se à carreira de Bieber – ou pelo menos à imagem de ídolo adolescente. Que atire a primeira pedra quem nunca achou que Bieber ia chegar ao nível Britney Spears no caótico ano 2007…

Até agora, este quarto álbum de Bieber estava a ser minimamente convincente, tendo em conta que a electrónica e uma boa produção até consegue torná-lo em algo minimamente agradável. Era falar cedo demais é o primeiro pensamento ao ouvir Love Yourself. Isso e um misto de “isto é o estilo de alguém…” Bingo, Ed Sheeran. Isso e ser uma visita ao Bieber do passado. Se vamos falar de coisas menos coerentes por estes lados, The Feeling também parece não fazer sentido, pelo menos em relação ao conjunto auditivo que estamos a ter com este álbum.

Mas há que continuar, de espírito aberto, de preferência. Company tem um funk bem agradável. Se for para fazer apostas, as probabilidades para que este tema seja material de single são extremamente fortes…

No Pressure tem uma vibe relativamente mais calma, mais chill, com um toque de Big Sean – com direito até a uma referência à série Empire (“eat the cookie like Lucious“). Já No Sense, traz-nos uma leve referência auditiva a The Weeknd, em termos de sonoridade. A faixa conta com a presença de Travis Scott... e quase podia jurar que há ali um déjà-vu do Yeezus de Kanye West.

O que dizer sobre Life is Worth Living? Balada, parada, paradinha – resumidamente. Só para deixar tudo lá em baixo, a pensar nos desgostos amorosos de há dez anos. Não ao nível Adele, mas ainda assim… anda lá perto.

Tudo bem, dá para depois recuperar rapidamente com Where Are U Now. Música do verão, não há quem não se tenha abanado com isto e deixado de lado o síndrome anti-Belieber, nem que seja momentaneamente. Mais uns drops inteligentes de Skrillex e Diplo. Já dá para perceber que podemos dar pontos a Biebs pela companhia?

Escrever sobre swag, desgostos amorosos e carros? Também há espaço neste álbum para momentos de preocupação com as gerações vindouras… Children lembra logo “we are the world, we are the children“, mas assim mais animada. Bem mais. Uma surpresa, já que achava que ia manter-se um tom calminho, quase infantil. Nada disso, habituem-se, que deve haver muito DJ a ponderar colocar isto nos sets mais comerciais.

Purpose dá nome ao álbum. Depois de uma balada em que Bieber deita tudo cá para fora, ainda há espaço para um momento de spoken word, para se perceber a viragem toda até este exato momento na carreira.

Resumindo: Purpose é uma boa tentativa de experimentar algo diferente. Se é extraordinário e um dos álbuns do ano? Dificilmente. Se pode ser um passo positivo na carreira de Bieber e até, quem sabe, uma possibilidade de conquistar novos territórios para além de grupos adolescentes? Sem dúvida. Se vamos terminar 2015 a ser todos Beliebers? Duvido, mas há que reconhecer que podia ser bem pior…

Nota: 6/10

  1. Lendo o texto, pensei deve ser um blog amador, qual é meu espanto quando vi que a suposta escritora estudou jornalismo, o meu espanto seria pelas opiniões pessoais em relação ao Justin. Não sei se o objectivo do texto é informar ou dar só uma opinião subjetiva sobre o disco do Justin, já para não dizer do título já super tendencioso, mas aí eu percebo, há que chamar a atenção para ter visualizações. Em relação ao Cd do Justin vejo uma evolução e é isso que ser quer, ele só tem 21 anos, fala das suas experiências, das suas verdades, que faz sentido para quem as passou,que foi o Justin, se todas as pessoas vão gostar? Problemas deles, é só não ouvir, já para não dizer que essa obstinação em odiar o Justin tornou-se numa coisa infantil, porque erros todos cometem, se calhar temos que odiar a nossa própria pessoa antes de odiar o Justin, porque tenho certeza que há pessoas que odeiem o Justin por uma questão de moda porque se formos ver os erros desses vamos encontrar coisas piores. Apesar de ser mais velha sempre o compreendi, ninguém sabe como agiria se a sua vida fosse vigiada quase 24 horas por dia, com pessoas a chamaram-te nomes todos os dias só por diversão. É só ver que a nossa auto-estima fica beliscada se uma pessoa nos ofender imagina milhares como seria. Antes de criticá-lo tentei colocar-me no seu lugar e só digo deve ser difícil não enlouquecer com tudo que passa a sua volta.

    1. Leu as etiquetas “Opinião” e “Crítica”. Se não leu devia. E depois perceba o que querem dizer.
      Já agora, podia variar um pouco o seu vocabulário. Dizer três vezes “odiar o Justin” na mesma frase não é muito bom para quem o defende com tanto afinco.

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