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Reverence em Entrevista: Los Waves

Na segunda instância do Reverence em Entrevista, trazemos-te aqui a conversa do Espalha-Factos com Jorge Fonseca e Bruno Santos, dos recém-atuados Los Waves. Falam sobre origens e influências, skimming, raparigas, Radiohead e festivais de verão. Apenas para matarmos saudades do verão…

Espalha-Factos: Em primeiro lugar, gostaríamos que nos falassem um pouco sobre a origem da banda, como é que tudo começou.

Jorge: É uma história com várias fases… a banda começou mais ou menos em 2009, comecei com o Zé a fazer músicas num estilo completamente diferente daquele com que nos apresentamos hoje. Começamos por fazer músicas principalmente acústicas, e principalmente na onda daquilo que ouvíamos na altura, uma cena tipo Radiohead, Sigur Rós, coisas assim. Tentando ser muito resumido, chegamos a uma altura em que percebemos que não tínhamos nada para dizer, ou seja, que a música que eles faziam em termos sónicos era demasiado séria para aquilo que nós tínhamos (ou não tínhamos) para dizer. Não tínhamos experiências nenhumas, nem vivido nada do outro mundo, nem grandes amores nem nada, então decidimos parar um bocado e fazer algo completamente diferente: a música electrónica. Começámos a passar música, fizemos DJ sets durante algum tempo e depois apareceu o Los Waves, que foi um bocado um misto entre tudo o que aprendemos em termos electrónicos e  acústicos. Depois entretanto fomos para Londres, onde tudo começou.

EF: Esta evolução deu-se sempre com os mesmos integrantes?

Jorge: Não, foi sempre eu e o Zé até irmos para Londres, e só depois de termos voltado a Portugal (ainda estivemos em Londres quase 2 anos), chamámos aqui o Bruno…

Bruno: Porque éramos amigos, porque íamos à praia fazer skimming…

Jorge: Tu nem sequer tocavas, pois não?

Bruno: Não, não… Tinha interesse, mas não sabia.

Jorge: Foi mesmo porque era a única pessoa, era um gajo bacano e tal… (risos). E só há muito pouco tempo começámos a tocar com o Mark, o baterista. Ele já estava cá em Portugal há algum tempo a tocar em vários conjuntos… tem uma história assim um bocado louca (risos).

EF: O vosso disco de estreia, This Is Los Waves So What?, já tem quase um ano de lançamento. Qual tem sido a reacção do público à vossa música ao longo deste ano?

Bruno: A reacção nos concertos é sempre boa onde vamos tocar… pode ser um concerto para dez pessoas, mas as pessoas que estão lá acabam sempre por gostar.

Jorge: Sim… nós não somos pessoas que ao vivo têm aquela postura de estar a puxar pelo público, até porque somos uma banda rock e não é muito normal das bandas rock terem essa postura de animador cultural. É algo que percebemos que cá em Portugal todas as bandas acabam por fazer um pouco, e algo que nos recusamos um pouco a fazer. Mas penso que, dentro das expectativas que tínhamos quando chegámos, tudo aconteceu muito rápido de uma forma bastante boa, ou seja, mal chegámos fomos logo a Paredes de Coura…

Bruno: …ao Milhões de Festa passado alguns meses, ao Mexefest também…

Jorge: …Sim, portanto… por um lado não me posso queixar, porque uma banda que cante neste momento rock em Portugal e em inglês, é muito difícil ir assim muito longe, portanto acho que até agora tem sido positivo.

EF: Tal como a vossa banda, o Reverence Valada é um festival relativamente novo, ainda na sua segunda edição. O que acham deste projecto, e o que significa para vós tocar neste festival?

Bruno: Para mim foi talvez, até hoje, o festival ou o palco em que toquei em que me senti mais à vontade. Em termos técnicos, de som, de palco…

Jorge: E um desafio maior, porque estavamos à espera de estar completamente ‘misfits’ aqui, ou seja, num festival em que o tipo de bandas é muito mais pesado, em que o público está muito mais à procura de algo muito mais dentro, sei lá, do rock stoner, do rock progressivo e etc… nós estávamos um pouco com medo de vir aqui apresentar o nosso rock mais indie, mais soalheiro. Então acabou por ser uma surpresa boa, porque as pessoas acabaram por aderir mas do que estávamos à espera. Estávamos à espera de um pouco de ‘hate’… à medida que nos aproximámos do final do concerto o público começou a levantar-se.

Bruno: Sinceramente estava à espera de ser vaiado… eu revi na minha cabeça várias vezes como é que eu ia fazer para conseguir agredir o mais rapidamente a pessoa que me mandasse alguma coisa ou dissesse alguma coisa, o que não foi preciso! (risos) Pelo menos até agora.

EF: Quanto a esta edição do Reverence Valada, há algo de que gostaram particularmente ou que estão ansiosos por ver?

Jorge: Hoje, Jon Spencer Blues Explosion, acho que é assim a única coisa… ouvi também durante muito tempo Ufomammut, que acho que ainda vão tocar. Em termos de bandas acho que são só essas duas, em termos de festival e de ambiente e de espaço, está a ser espectacular. O espaço é fixe, é ao pé do Tejo, há muitas raparigas engraçadas… (risos).

EF: Há projecto para o futuro próximo dos Los Waves?

Jorge: Temos um segundo álbum em que já estamos a trabalhar e que vamos lançar provavelmente no início do ano que vem, onde vamos tentar fazer o máximo de colaborações que conseguirmos com outros artistas portugueses, quase todos eles mais velhos que nós e de géneros bastante diferentes.