Na décima quinta entrada do Boca de Cena decidimos relembrar todas as figuras ilustres que já passaram por esta rubrica. O Espalha-Factos é curioso e está sempre atento aos passos dos grandes nomes do teatro português e, por isso, fomos procurar saber o que anda Eunice Muñoz a fazer, ou onde podemos encontrar Cucha Carvalheiro, por exemplo. Metemos o GPS a funcionar e agora mostramos-te as localizações dos nossos atores.

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Afastada dos palcos há quase três anos, Eunice Muñoz, de 87 anos, vai finalmente regressar ao trabalho. Uma queda grave foi o primeiro incidente a obrigá-la a fazer uma pausa. Depois, travou uma luta contra um cancro na tiróide, que a chegou a deixar a atriz sem voz.

A veterana atriz recuperou deste momento difícil da sua vida, e regressa agora e só pensa em fazer aquilo que a apaixona: representar. Em entrevista à TVI, Eunice disse: “a minha sorte é ser uma entusiasta da vida, nunca tive pensamentos negativos”. A atriz confidenciou na mesma entrevista que o seu maior medo foi quando teve a dúvida de poder voltar a trabalhar.

Com uma carreira que se estende ao longo de mais de sete décadas de actividade, Eunice Muñoz é um dos maiores e melhores exemplos de longevidade no meio artístico e social. Em breve, a atriz vai entrar na nova novela da TVI, onde dará vida a uma senhora divertida. O regresso aos palcos também está a ser preparado e deverá acontecer pela mão de Filipe La Feria, com a peça As árvores morrem de pé.

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Com 61 anos de uma carreira viva e cheia de variedade, João Perry tornou-se um ícone, uma cara adorada por um vasto público e um dos grandes símbolos do teatro nacional. É discreto e bem-disposto, e essas características servem mesmo para nos concentrarmos em valorizar verdadeiramente o seu trabalho, seja na televisão, na tela ou em palco.

Em setembro pudemos ver João Perry no papel do empresário nortenho António Castro de Aguiar na novela Coração D’Ouro, ainda a ser transmitida pela SIC. No teatro, e até muito recentemente, o ator esteve em palco pela peça As Raposas no Teatro Aberto.

Assim como Eunice Muñoz, também João Perry vai integrar no novo elenco de A Impostora, a nova novela da TVI, a ser exibida no início de 2016.

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O GPS do Espalha-Factos diz-nos que o ator e encenador Rui Mendes continua a tendência que iniciou em 1975, focando-se muito na encenação e na representação em companhias e instituições de grande porte e história, como o Teatro da Cornucópia, o Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro da Malaposta, o Teatro da Trindade, entre outros.

Recentemente, Rui Mendes integrou o elenco de Bem-vindos a Beirais, série exibida pela RTP e que terá fim em início de 2016. Na série, o ator interpreta o papel de Leonel Alves, o Presidente da Junta de Freguesia de uma aldeia vizinha e rival de Beirais.

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Na quarta rubrica do Boca de Cena, o Espalha-Factos decidiu relembrar uma atriz que já abandonou os palcos, mas que continua a ser uma referência no meio artístico português.

Esta atriz de nome tão carregado de talento, além de ter integrado as grandes companhias do teatro nacional, é reconhecida pela sua voz nos teatros radiofónicos e pelas personagens emblemáticas em vários filmes portugueses, como Amor de Perdição, de 1943, Um Homem às Direitas e Vizinha do Lado, ambos de 1945, entre muitos outros.

Abandonou os palcos em 2005, com a peça Copenhaga. Desde a sua saída que tem recebido convites para fazer peças de teatro, tendo recusado todos. Diz que é muito cansativo. Agora quer tempo para si. Em 2013, publicou o livro No Palco das Memórias, tendo confessado que a nível literário não é o melhor, mas é o relato da marca que deixa no teatro em Portugal.

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Jorge Silva Melo é ator, encenador, dramaturgo, realizador e tradutor. Destacou-se também como assistente de realização de notáveis como João César Monteiro e António Pedro Vasconcelos. Fundou o Teatro da Cornucópia, juntamente com Luís Miguel Cintra e, ao longo da sua carreira, trabalhou vários textos de personalidades de consciência social vincada, como Pinter, Bretch, Pasolini, entre outros.

Atualmente, continua ativo na companhia de teatro Artistas Unidos. Exerce funções de encenador, bem como de ator, e está ainda presente noutros projectos paralelos de outras artes, como documentários. Até 12 de dezembro, Jorge Silva Melo encena O Tempo, uma peça que fala de uma mulher que herda uma fábrica, mas que desejava ser pianista, e acaba por construir uma amizade com um operário à beira da reforma. A peça está em cena no Teatro da Politécnica, em Lisboa.

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Com quase 70 anos de carreira, Lourdes Norberto é hoje uma das actrizes mais respeitadas do panorama nacional. Foi no teatro que Lourdes consolidou quase toda a sua carreira, desde a comédia ao drama. Por todo o seu contributo no teatro, a Câmara Municipal de Oeiras homenageou a atriz com a Medalha de Ouro da Autarquia e deu o seu nome ao Auditório Lurdes Norberto, em Linda-a-Velha.

Lourdes irá juntar-se a Eunice Muñoz e João Perry no elenco de A Impostora, novela que será exibida no início de 2016 pela TVI.

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Carlos Paulo vê no seu trabalho de representar a única e pura forma de estar na vida. É um ator de muita garra, que sempre perseguiu os seus desejos e ambições. Foi por isso que aos 15 anos abandonou o seu lar para ir atrás do que desejava, e aos 21 anos fundou o Teatro da Comuna, juntamente com João Mota.

Admite que nasceu para servir o público. Para fazer pensar, sonhar, rir ou até chorar. Carlos Paulo é um ator muito querido e estimado pelo seu público, e é reconhecido o seu talento quando se fala de improviso e entrega, bem como o seu espírito carinhoso e entusiasmado.

Recentemente, o ator levou a palco a peça Do Desassossego, inteiramente baseada no Livro do Desassossego, de Bernardo Soares. Atualmente, Carlos Paulo continua a ser um dos atores residentes e também figurinista do Teatro da Comuna.

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Na oitava entrada da rubrica Boca de Cena falámos-te de Maria do Céu Guerra, nome e rosto de fácil reconhecimento. Tem presença assídua nos principais palcos deste país, e ocasionais mas memoráveis aparições no cinema, sendo a mais recente em Os Gatos Não Têm Vertigens, desempenho que lhe valeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Cinema.

Sempre discreta na sua vida pessoal, Maria do Céu Guerra é daquelas artistas portuguesas que construiu uma reputação de excelência e profissionalismo ao longo dos seus vastos anos de carreira, através de um talento sem igual e uma predisposição já rara para trabalhar. Recentemente a atriz foi distinguida pela Fundação GDA, recebendo o galardão de melhor atriz principal pela interpretação no drama Os Gatos Não Têm Vertigens, de António Pedro Vasconcelos.

A atriz e encenadora Maria do Céu Guerra vai também juntar-se a Eunice Muñoz, João Perry e Lourdes Norberto para dar vida a uma personagem da nova novela da TVI: A Impostora.

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Cresceu em cima de um estrado de espectáculo, e aos oito anos estreava-se no teatro infantil da televisão estatal. É ator, encenador, professor e figura puramente teatral. Foi ao lado de Carlos Paulo que fundou a Comuna Teatro de Pesquisa, em 1972, companhia que ainda hoje dirige e pela qual já encenou mais de 90 produções.

Pioneiro da expressão dramática em Portugal, João Mota trabalhou com João dos Santos e Arquimedes da Silva Santos na Escola Superior de Educação pela Arte.

O GPS do Espalha-Factos diz-nos que João Mota encontra-se, atualmente, numa velha e primordial casa na vida do ator, seis décadas depois, a Cornucópia.

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Este ator, homenageado na décima entrada do Boca de Cena, é conhecido por ser uma figura reservada e séria, geralmente sucinta nas respostas que dá. A sua influência no teatro é inegável, mas Luís Miguel Cintra deixou também a sua marca no cinema, na literatura, na poesia, na escrita e até no canto. Ator e encenador, cedo quis marcar a história do teatro com a fundação do Teatro da Cornucópia, com Jorge Silva Melo.

Foi na Cornucópia que o ator anunciou que, por motivos de saúde, não voltaria a subir ao palco. Foi após a última apresentação de Hamlet, de Shakespeare, que esteve em cena no Teatro da Cornucópia, que Luís Miguel Cintra se despediu dos palcos mas não do teatro. O ator deverá continuar a exercer as suas actividades de encenador e diretor do Teatro da Cornucópia.

Está ainda prevista a sua participação no novo filme de Sérgio Treffaut.

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Com grande experiência profissional, Francisco Pestana é uma das maiores personalidades do teatro português. A sua influência é inegável enquanto personagem e produtor criativo nos campos do cinema e televisão, mas a sua maior pegada foi deixada no teatro.

Foi co-fundador da Comuna Teatro de Pesquisa, onde permaneceu até 1981, participando em inúmeros espetáculos. Foi também co-fundador do Novo Grupo, companhia residente do Teatro Aberto. Iniciou a sua actividade como dramaturgo em 1992 e foram inúmeras as peças publicadas ou levadas a palco.

Atualmente, podemos encontrar Francisco Pestana no Teatro Aberto, onde continua o seu trabalho como ator e diretor.

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Licenciou-se em Filosofia, mas o GPS do Espalha-Factos encontrou Cucha Carvalheiro no teatro. Desde cedo percebeu a sua paixão pelos palcos e, em 1995, juntamente com Fernanda Lapa funda a Escola de Mulheres – Oficina de Teatro. Integrou elencos de diversas peças que se imortalizaram nos palcos como A Cabra, em que a sua encenação lhe valeu o Globo de Ouro para Melhor Atriz de Teatro.

Cucha é também uma cara conhecida da televisão e do cinema, tendo participado em diversas novelas e filmes. Hoje, podemos encontrar a artista no elenco de O Jardim Zoológico de Cristal, em cena no Teatro São Luiz, em Lisboa. Esta é uma peça de Tenesse Williams, e é uma encenação de Sandra Faleiro.

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Este foi o nome apresentado na décima terceira entrada da rubrica que homenageia os grandes artistas da arte portuguesa. Repleto de talento, Fernando José Rodrigues foi professor, é escritor e ator.

Foi um dos fundadores do Projeto Artes Novas, movimento cultural e artístico que dá voz à poesia de Língua Portuguesa, com auxílio da música, da pintura e da arte dramática. Os espetáculos do Projeto são de sensibilidades e de humor, com afetos à flor da pele. Este artista participa também no grupo de teatro infantil O Gato.

O GPS do Espalha-Factos revela-nos que, nos dias de hoje, Fernando José Rodrigues está focado na sua escrita. Prepara-se para escrever a sua próxima obra, que terá como título Atentando em Lisboa.

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A grande atriz Ana Bola foi a última personalidade a ser homenageada na rubrica mensal Boca de Cena. De carácter humorístico, a artista de 63 anos divide a sua actividade de atriz com a de autora de textos humorísticos, o que já lhe deu pleno reconhecimento entre diferentes gerações.

Apaixonada pelo teatro e pelo público, Ana Bola sente-se feliz com o que faz. É relembrada pelas inúmeras personagens que interpretou, como Denise de Magalhães, a patroa ambiciosa, ou Teresa Guilherme, em Estado de Graça.

Muito recentemente, o público teve oportunidade de a reencontrar na sua peça Ana Bola Sem Filtro, que percorreu o país. Hoje, Ana Bola está em Donos Disto Tudo, um programa humorístico exibido pela RTP.