Lisboa e Porto, duas cidades que desde sempre andaram em guerra. A menina e moça nunca foi à bola com o ar grave e sério da mulher do norte e vice-versa. O que vale é que lisboetas e portuenses acabam as discussões regionalistas num qualquer café da esquina a beber uma bela cerveja, ou se preferirem, uma imperial ou um fino, porque afinal de contas somos todos gente da mesma terra.

Espalha-Factos passa a ser o campo de batalha para um confronto mensal entre duas belíssimas cidades portuguesas. Nesta guerra de regiões, palavras, fotografias e vídeos são as únicas armas permitidas. A vitória!? Será decidida por ti através dos teus comentários.

Os cafés são um espaço de convívio que convidam várias gerações a conversar quer ao balcão ou à esplanada enquanto saboreiam um café provavelmente acompanhado por um pastel de nata. Neste mês convidativo para espaços fechados e a acolhedores, o Espalha-Factos resolveu contar-te um pouco de história de dois dos cafés mais conhecidos do país, um localizado na Cidade das Sete Colinas, outro na Cidade Invicta. Falamos da Brasileira do Chiado e do Café Majestic.

Brasileira

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O espaço na Rua Garret, em pleno coração do Chiado, foi fundado a 19 de novembro de 1905 e era um dos muitos pontos de venda do genuíno café brasileiro. Adriano Teles, o seu fundador, viveu no Brasil onde se dedicava à venda de produtos agrícolas, como o café, e a câmbios. Quando voltou a Portugal criou vários pontos de venda do famoso café do Brasil, aos quais chamou Brasileiras.

A Brasileira do Chiado foi um dos primeiros museus de arte moderna de Lisboa, tudo porque o seu fundador, Adriano Teles, também se interessava muito pela cultura e gostava de ver os intelectuais reunidos no seu espaço. O ambiente contribuiu para que este se tornasse um ponto de encontro para muitos escritores, pintores e pensadores da época, tornando-se no palco de várias tertúlias.

Não é de espantar que os primeiros esboços da famosa Revista Orpheu tivessem tomado forma n’A Brasileira. A Brasileira foi então o ponto de encontro de Pacheko, Santa Rita Pintor, Almada Negreiros e Fernando Pessoa, que ainda hoje se encontra “sentado” à porta da Brasileira.

Hoje em dia trata-se de um local de visita obrigatória em Lisboa para qualquer turista e é um dos motivos de orgulho dos alfacinhas de gema.

Café Majestic

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Apesar de o Café Majestic ser um ponto muito conhecido e frequentado tanto por portuenses como por turistas, também no Porto existiu um café de nome A Brasileira, pertencente também a Adriano Teles e inaugurado em 1903. Localizado na Rua de Sá da Bandeira, A Brasileira do Porto foi o primeiro de vários cafés com o mesmo nome que Adriano inaugurou em Portugal. Apesar de ter durado muitos anos, e de ter recebido inúmeras pessoas importantes pertencentes à literatura, teatro, jornalismo e política, eventualmente o espaço foi encerrado em 2013. Em 2014 foi anunciado que o espaço será convertido num hotel com oitenta quartos.

Embora A Brasileira tenha feito a sua história na cidade Invicta, o Majetic também não lhe ficou atrás. Inaugurado a 17 de dezembro de 1921 com o nome Elite, e situado na movimentada Rua de Santa Catarina, este café, idealizado pela mente do arquiteto João Queiroz, tornou-se rapidamente num espaço de referência durante os anos 20, aquando as tertúlias políticas e os debates de ideias fluíam nestes espaços.

Ao longo dos anos, o ambiente acolhedor e convidativo do café atraiu ilustres personalidades das mais variadas áreas, tais como o piloto Gago Coutinho, que esteve presente na inauguração. A qualidade do espaço encantou-o de tal forma que lá regressou mais vezes para se maravilhar com a sua beleza, uma das vezes acompanhado pela famosa atriz Beatriz Costa.

O café também viu-se também visitado por figuras importantes da literatura portuguesa, tais como os poetas Teixeira de Pascoaes, António Nobre e o escritor José Régio, assim como o filósofo Leonardo Coimbra. Nas últimas décadas, a fama do Majestic não decresceu, continuando a ser visitada por políticos como Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e até mesmo Jaques Chirac.

O Majestic é de facto um café cheio de história que ainda hoje continua a encantar milhares de pessoas todos os anos. Em 1992 o espaço foi encerrado para a execução de um projeto de renovação, levado a cabo pela arquiteta Teresa Mano Mendes Pacheco. Reabriu em 1994, com um pavimento interior novo e o mobiliário original reposto.

Nos últimos anos, o Majestic foi galardoado com vários prémios, tanto de nível nacional como internacional. Em 1999 recebeu o Prémio Especial de Café Creme, em 2000 foi condecorado com a Medalha de Prata do Mérito Turístico, em 2006 recebeu a Medalha de Prata de Mérito Municipal – Porto e em 2011 viu-se galardoado com dois importantes prémios: o Certificado do Prémio Mercúrio – O melhor do Comércio na área das empresas na categoria Lojas com História e a Medalha Municipal Mérito – Grau Ouro, classificado pelo site cityguides como o sexto café mais belo do mundo.

Texto da autoria da Alfacinha Inês Chaíça e do Tripeiro Tiago Costa.