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Casulo #54: Entrevista aos Eclema

Na tua rubrica de música de sexta-feira, poderás encontrar de tudo. Desde a apresentação de novos artistas a críticas a álbuns de estreia, passando por entrevistas, muitas são as forma de fazer chegar até ti o que de melhor se faz na nova música nacional e internacional. Esta semana, o Casulo esteve à conversa com os Eclema, uma jovem banda de Ourém. Numa breve entrevista falou-se sobre o passado, o presente e o futuro do promissor grupo.

Os Eclema juntaram-se há relativamente pouco tempo. Formada por Cristiano Marcelino (CM), Tiago Silva (TS) Paulo Rafael (PR), a banda apresenta uma sonoridade bastante alternativa e cativante, descrita pelos membros como “eletrónica, experimental e neopsicadélica”.

O grupo foi uma das bandas presentes na Ocupação #1, um evento que ocorreu no passado mês de agosto, em Fátima. Uma casa abandonada foi ocupada durante um dia por várias exposições de artistas locais. O Espalha-Factos esteve lá., dá uma espreitadela na reportagem.

EF – Quando e como é que se formou a banda?

PR: Nós não temos a certeza de quando e como se formou a banda na altura. Sabemos que foi por volta de abril do ano passado e que o Tiago se juntou a nós depois. Eu e o Marcelino já tínhamos feito algumas coisas juntos e quando vimos que precisávamos de alguém para seguir as nossa ideias, chamámos o Tiago, que já conhecia de uma banda de covers da nossa zona.

EF – De onde vem o nome Eclema?

PR: (risos) O nome, por incrível que pareça veio do frigorífico da minha avó! Sei que aquilo se chamava “Edesa” ou “Eclesa” e a certa altura a minha avó me tinha chamado para ir ajudar a minha irmã (Ema) e houve ali meio minuto que estava tão farto de a chamar que a acabei por chamar de “Eclema”, a minha guitarra estava lá ao pé e nesse mesmo dia, gravei qualquer coisa do qual no final dei o nome de “eclema_1” e assim ficou.

EF – Como descrevem a vossa música?

PR: Nós não sabemos muito bem como descrever a nossa música, mas sabemos apenas que nos sentimos muito bem quando a fazemos e quando a ouvimos depois de a fazer. É um estado talvez imaginário, mas ao mesmo tempo real no contexto que cada um vai para o seu mundo e para as suas influências, mas quando nos juntamos funcionamos como uma mente única, tripartida, mas única à nossa maneira.

EF – Como é o vosso processo criativo? (Como é que surgem as canções?)

TS: Cada um traz de casa uma ideia, exploramos, abordamos o que se pode fazer acerca dela, e trabalhamos camada por camada, até a chegar a algo que talvez nós achemos que resulte numa música. Por vezes também andamos sempre de volta de plug-ins e vst´s e se acharmos algum som bonitinho, ou com algo que nos identifiquemos, trabalhamos a partir daí.

EF – Têm tido muitos concertos?

CM: Não, o nosso primeiro foi mesmo na Ocupação#1 (risos).

Eclema

EF – Como foi a vossa estreia em palco?

TS:  A nossa estreia… ahah, o pó do chão (risos) lixou-nos a cabeça um pouco, mas tirando isso, penso que para o primeiro concerto, não podia ter corrido melhor. Fomos bem recebidos, o público aderiu a nós e à nossa cena, e acho que até teve um bom resultado, mesmo a sério.

CM: Adorámos, mesmo. Sem dúvida que para o espaço que era, e para o evento em si, foi ótimo. Estávamos rodeados de artistas, com os quais partilhámos ideias. Aprendemos com eles e eles conosco. O pessoal da Ocupação#1 teve uma boa ideia em ter aproveitado aquilo daquela forma, e é bom que o continuem a fazer de forma a promover novos projetos e novos artistas.

EF – No passado mês de abril lançaram o videoclip do tema “A Minha Mente Mente”. Qual foi a sensação de verem o vosso primeiro videoclip pronto e a circular na Internet?

PR: Nervoso miudinho com um cheirinho a orgulho, de certa forma. Em termos de sensações foi incrível ver-me com menos cabelo do que tinha há um tempo, mas sim, o resultado do vídeo foi o que ambicionámos e acho que conseguimos transferir isso para o nosso público. Houve uma grande partilha quando ele saiu, de pessoal nosso amigo e familiares, o que nos fez ficar com um grande sorriso na cara e de alma cheia. MESMO de coração preenchido.

EF – Uma vez que já lançaram algumas músicas, para quando um álbum ou um EP de estreia?

TS: Estamos a trabalhar nisso para sermos sinceros, mas de momento tem sido difícil conciliar as coisas, porque estamos longe um dos outros, mas sempre com atenção às prioridades da banda. Talvez daqui a uns mesitos, saia algo, se tudo correr bem.

EF – Reparei que estão presentes nas plataformas como o Soundcloud. Acham que esses serviços vos têm ajudado a afirmarem-se no mundo da música?

CM: Em certos aspectos sim, mas há sempre uma necessidade e uma força enorme para partilhar nos feeds das redes sociais e não só as nossas músicas. Sempre nos demos a conhecer no Soundcloud, só há pouco tempo é que aderimos ao Tradiio, e até tivemos alguns resultados. Mas é sempre relativo face à enorme quantidade de géneros e estilos nos quais estamos inseridos.

EF – Que planos têm para o futuro?

CM: Ambicionamos novos palcos, novos sítios, novas experiências e fazer mais música, talvez inserirmo-nos em novos projetos.

EF – Com que artista(s) gostariam de trabalhar?

TS: Nacionalmente, Dark Shapes, PAUS, Filho da Mãe, artistas de videomapping também nos interessava, artistas dos quais nos inserimos no método de pensar, compor e realizar. É claro que se pudéssemos, Radiohead, Warpaint, Phantogram, James Blake era o nosso auge, mas vamos continuar a sonhar (risos).

Fotografias da autoria de Rui Miguel Pedrosa

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