Nova Iorque tem estado a ser palco de diversos protestos contra a brutalidade cometida pela polícia. Quentin Tarantino, realizador de filmes como Pulp Fiction (1992) e Django Libertado (2012), decidiu envolver-se na situação, afirmando que os polícias muitas vezes são “homicidas”. Perante esta acusação, a polícia de Nova Iorque ameaçou boicotar todos os futuros filmes de Tarantino.

Tudo começou a 24 de outubro, quando o realizador subiu ao pódio para falar em defesa das vítimas de brutalidade policial, sendo que algumas destas vítimas tinham sido até fatais. Afirmou que foi ao protesto devido a ser “um ser humano com uma consciência”, e desenvolveu essa afirmação com:

Quando eu vejo homicídios, eu não posso ignorar a situação…eu tenho de chamar a um homicídio de homicídio e tenho de chamar homicidas aos homicidas.

O seu breve discurso pode ser visualizado aqui:

Este discurso surgiu apenas 4 dias depois da morte de Randoph Holder, um polícia de Nova Iorque que sofreu um tiro na testa durante a perseguição a um homem armado. Em resposta a este acontecimento e à forma como estes protestos contra a polícia estão a ocorrer pouco tempo após a morte de um dos mesmos durante o serviço, Quentin Tarantino teve o seguinte a dizer para o The Post:

É assim: É um timing infeliz, mas nós ajudamos todas estas famílias a viajarem cá para contarem as suas histórias…O polícia que foi morto, também é uma tragédia.

A polícia de Nova Iorque levou estas acusações a mal, e pede um boicote contra os filmes do realizador, com Patrick Lynch, presidente da Associação Beneficente de Patrulha, a liderar este apelo:

Não me surpreende que alguém que ganha a vida a glorificar o crime e a violência também odeie polícias. Os agentes que o Quentin Tarantino apelida de “homicidas” não estão a viver numa das fantasias depravadas dos filmes dele – estão-se a arriscar e por vezes a sacrificar as suas vidas para proteger as comunidades do crime real e caos.

Os Nova Iorquinos precisam de enviar uma mensagem a este fornecedor de degeneração: De ele não ter o direito de vender as suas calunias de “Cop Fiction”. Está na altura de boicotar os filmes de Quentin Tarantino.

Apesar da crescente controvérsia, o realizador mantém a sua posição e diz que não vai recuar no que disse, justificando ainda a razão da polícia estar a fazer o boicote:

O que eles estão a fazer é bastante óbvio. É para me calarem. É para me desacreditarem. É para me intimidarem. É para calarem a minha boca, e ainda mais importante que isso, para enviarem uma mensagem contra qualquer pessoa que queira entrar nesse lado do argumento.

Eu não vou ser intimidado. Não odeio polícias. Isso é uma má interpretação. Não é assim que eu me sinto. Os polícias não são todos homicidas, eu nunca disse isso.

Jamie Foxx, estrela de Django Libertado, apoiou o seu colega e disse-lhe para continuar a dizer a verdade e não se preocupar com os “haters”, enquanto que alguns rumores indicam que Harvey Weinstein, um dos presidentes da The Weinstein Company, poderá estar chateado com estas atitudes por parte de Tarantino. No entanto, segundo a The Hollywood Reporter, um representante da Weinstein Company disse:

Nós não falamos pelo Quentin; mas ele pode e deve falar por si mesmo.

Ainda é incerto qual será o efeito desta controvérsia na carreira de Tarantino mas o seu próximo filme, The Hateful Eight, tem data de lançamento limitada para o dia 25 de dezembro, sendo que o seu lançamento oficial será a 8 de janeiro de 2016 nos Estados Unidos da América. Não há ainda nenhuma data prevista para Portugal.