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E os melhores momentos de dança no cinema são…

Hoje, 5 de novembro, o dia é dedicado ao cinema! A sétima arte tem envolvido o mundo de tal forma que é impossível resistir à sua magia. Alguns dos seus momentos mais inesquecíveis no grande ecrã têm sido responsabilidade da dança. Por isso, para celebrar o cinema, cinco redatores da secção de Palcos&Letras do Espalha-Factos revelam-te aqueles que para si são os melhores momentos de dança na sétima arte. Não foi fácil e fica a boa mágoa de ter deixado alguns momentos de fora, mas a escolha tinha de ser feita. Fica com a nossa seleção e vê se encontras algumas cenas em comum.

Sara Bregieira

Vincent Vega e Mia Wallace em Pulp Fiction

Que John Travolta sabia dançar, isso nós já sabíamos. Quem se lembra do seu momento de dança em Saturday Night Fever? Ou em Grease, de 1978? No que toca à dança, John Travolta já provou o seu talento. Foi no filme de Quentin Tarantino que o ator voltou a provar os seus dotes para a dança ao lado de Uma Thurman. As personagens Vincent Vega e Mia Wallace dançaram um twist num concurso de dança que teve lugar num salão de cocktails praticamente vazio chamado Jack Rabbit Slim’s. A dança foi encenada ao som de You Never Can Tell, de Chuck Berry. Foi, sem dúvida, uma cena de dança que se imortalizou nos ecrãs.

George e Peppy em The Artist

http://youtu.be/zPJ_hXkdPuc

O filme mudo a preto e branco The Artist alcançou um enorme sucesso junto da crítica, e não tanto com o público. Dirigido por Michel Hazanavicius, a história passa-se em Hollywood entre 1927 e 1932 e foca-se na vida de um ator, protagonizado por Jean Dujardin, que está em declínio profissional e na vida de uma atriz, protagonizada por Bérénice Bejo, em ascensão enquanto o cinema mudo sai de moda, sendo substituído pelo cinema falado. As personagens George e Peppy protagonizaram juntas a cena final de sapateado, o que foi bastante libertador para os dois. Os atores aprenderam a dançar durante cinco meses, o que pode não ser muito tempo. No final, resultou numa dança cheia de alegria e que se imortalizou no cinema.

Tiffany e Pat Solatano em Silver Linings Playbook

Nunca passaria pela cabeça de ninguém ver Bradley Cooper e Jennifer Lawrence protagonizarem um dos melhores momentos de dança do cinema. Mas em Silver Linings Playbook isso aconteceu. Foi num estúdio de dança em Philadelphia que os atores trabalharam incansavelmente com o coreógrafo Mandy Moore e, num mês, dançavam quase como profissionais. Tiffany, papel desempenhado por Jennifer Lawrence, dança como uma forma de terapia e encontra em Pat Solatano, a personagem de Bradley Cooper o parceiro que precisava para participar numa competição de dança. No concurso, os dois arrasam por completo, uma cena que será sempre recordada.

Matilde Ferreira

Alex Owens em Flashdance

Esta é uma daquelas músicas que mal começa a tocar dá logo vontade de dançar. Irene Cara interpreta o tema What a Feeling, banda sonora de uma cena incontornável quando se fala em dança no cinema.

Em Flashdance, Jennifer Beals dá corpo à jovem Alex Owens, que aos dezoito anos tem o sonho de se tornar bailarina profissional. E quem é que não se lembra da rapariga de maillot preto, que entra tímida numa sala de audição e assim que a música começa a tocar se transforma numa bailarina confiante, cheia de garra e energia? Pois é. O filme é de 1983 mas ainda faz sonhar, suspirar e bater o pé ao ritmo da música, aqueles que se perdem a tentar contar o número de piruetas que faz numa única coreografia. O final é feliz e relembra-nos o poder contagiante do disco dos anos 80!

Frances Houseman e Johnny Castle em Dirty Dancing

Esta lista não ficaria completa se não falassemos de Dirty Dancing, em português Dança Comigo, um filme em que, tal como o nome indica, a dança assume o papel principal. Em 1987 Jennifer Grey e Patrick Swayze foram Frances Houseman (Baby), uma turista que está de férias com a família  no resort onde ele, Johnny Castle, é instrutor de dança.

A última cena do filme é uma explosão de alegria com música, cor, sorrisos e onde todos, mas mesmo todos, dão o seu “pezinho de dança”. Mas são os dois atores principais que protagonizam um momento inesquecível ao som de I’ve had the Time of Life. Podemos até dizer que este filme foi o responsável por todos os sonhos em que as raparigas dos anos 80 e 90 se imaginaram de vestido branco a voar para os braços de um galã de cinema.

Alejandro e Elena em A Máscara de Zorro

Alejandro e Elena, também conhecidos por Antonio Banderas e Catherine Zetta-Jones, protagonizam no filme A Máscara de Zorro, de 1998, um apaixonante pasodoble, que os eterniza como dois protótipos da cultura latina. Ele um cavaleiro andante, ela uma mulher forte e enigmática. O pátio da majestosa fazenda Montero, cria o ambiente perfeito para esta dança intimista, mas cheia de salero, em que os dois olhares se cruzam numa intensidade única. A luz baixa, a banda sonora de James Horner,  o vermelho das paredes, dos lábios e da roupa da atriz criam um clima de paixão de fazer suster a respiração. É caso para soltar um entusiasmado “olé”!

João Martins

Carlitos em A Quimera do Ouro

Ao longo da sua carreira, Charlie Chaplin deixou-nos grandes e diversos ensinamentos. Um deles é que brincar com comida pode envolver muito engenho quando se faz isso a sério, e outro é que se pode dançar sentado e sem mexer as pernas. Apesar de não ser inteiramente original, nesta curta cena de A Quimera do Ouro, Chaplin (Carlitos) tenta impressionar um grupo de mulheres com um número de dança em que apenas usa dois garfos e dois pães. Mesmo estando sentado, o seu movimento facial e corporal faz deste um dos melhores e mais marcantes momentos de dança no cinema, obrigando até, na altura, a interrupções da projeção do filme só para o repetir. Não serão muitos os coreógrafos que se podem gabar do mesmo.

Cosmo Brown e Don Lockwood em Serenata à Chuva

http://youtu.be/bM_U2AyX7YU

No que toca a grandes momentos de dança no cinema, tanto Donald O’Connor como Gene Kelly conseguiram figurar em vários ao longo do seu vasto currículo. Em cada filme em que figuraram, tinham pelo menos dois ou três grandes momentos de dança sozinhos ou acompanhados; basta ver Gene Kelly em Um Dia em Nova Iorque ou Donald O’Connor em Sua Excelência a Embaixatriz para se perceber. É por isso que o mais justo é escolher esta cena de Serenata à Chuva, na qual ambos dançam e se desafiam em conjunto, mesmo sem a chuva e sem o estado febril de Gene Kelly quando dança na rua sozinho neste filme. Moses Supposes também é um grande momento, que junta as personagens Cosmo Brown (Donald O’Connor) e Don Lockwood (Gene Kelly).

Flash mob em Dueto da Corda

E porque não meter o “rei da soul” a cantar naquele que talvez seja dos primeiros e mais emblemáticos flash mob registados no cinema? Foi o que fez o argumentista e realizador John Landis quando colocou Ray Charles a cantar Shake a Tail Feather numa das grandes comédias de ação dos anos 80 (e de sempre), o filme Dueto da Corda – ou The Blues Brothers, se se quiser utilizar o título mais comum. O filme conta com vários momentos musicais mas o twist cantado por Ray e dançado por dezenas de bailarinos nas ruas de Chicago deve ser das mais animadas do cinema.

Helena Moreira

Elenco de Fame

Quem já viu o famoso filme dos anos 80, Fame, dirigido por Alan Parker, certamente se lembra da cena de dança mais clássica dos filmes americanos. De modo a mostrar ao “mundo” o trabalho do seu filho, o pai de um dos quatro jovens, cujas histórias são seguidas no filme durante o seu percurso na Escola de Artes Dramáticas de Nova Iorque, utiliza o seu táxi para colocar a música Fame em alto som na rua da escola. Rapidamente se forma o que parece ser um flash mob, todos os alunos da escola dançam e divertem-se à voz de Irene Cara. A cena termina com as sirenes da polícia a aproximarem-se, já que com tremenda confusão os condutores não conseguiam avançar.

Paulina e John Clark em Shall We Dance?

Não fosse Jennifer Lopez uma mulher de sangue quente e não teria protagonizado um dos melhores tangos da sétima arte ao lado de Richard Gere em Shall We Dance?, na versão de 2004, realizada por Peter Chelsom. Uns anos antes, em 1937, Fred Astaire e Ginger Rogers também encantavam com as inúmeras danças e a paixão que os unia. No entanto, é na versão mais moderna que a professora de dança Paulina ajuda John Clark a redescobrir-se através da dança. Em conjunto, celebrizaram um sensual tango ao som de Gotan Project  – Santa Maria.   

Nina Sayers em O Cisne Negro

Vencedor de alguns prémios, inclusive o Óscar de melhor atriz pelo desempenho de Natalie Portman, o Cisne Negro (2011) mostrou aos espectadores como o ballet pode ser apaixonante e sensual. No meio de uma intensa batalha psicológica (e inclusive sexual) consigo própria, Nina Sayers consegue ultrapassar as suas dificuldades enquanto bailarina e apresentar O Lago dos Cisnes, ballet do russo Tchaikovsky, de forma “perfeita”, como comenta no final já ferida. Para espanto dos espectadores fãs do thriller, já que haviam questionado a veracidade das cenas de dança onde surge Natalie, esta foi sem sombra de dúvidas uma performance fantástica da atriz e um dos melhores momentos de dança do cinema.

Teresa Serafim

Jerry Travers e Dale Tremont em Chapéu Alto

Devemos reservar um espaço especial a Fred Astaire, pois foi um dos responsáveis de a dança aparecer “inteira” e com mais frequência no cinema. Antes eram apenas filmadas partes do corpo dos bailarinos, mas Astaire exigiu ser captado por inteiro. Para isso, chegou a ter intensos ensaios de dança dez horas por dia, para que nada falhasse. Mas tudo se teria tornado mais desinteressante sem a sua companheira Ginger Rogers. Deste dueto poderíamos escolher vários momentos dos dez filmes em que atuaram juntos, mas destacamos Chapéu Alto de 1935. Jerry Travers (Fred Astaire), famoso dançarino nos EUA, vai a Londres protagonizar um espetáculo e conhece  Dale Tremont (Ginger Rogers). Deste encontro resulta uma das cenas mais emblemáticas e reproduzidas dos musicais: Cheek to Cheek.

Elenco de West Side Story

http://youtu.be/II2uaRmlQNg

West Side Story é aquele musical que anda sempre pelos palcos do mundo. O cinema imortalizou este musical em 1961 com a realização de  Jerome RobbinsRobert Wise. O filme é protagonizado por Natalie Wood, como Maria, e Richard Beymer, como Tony, que vivem um amor à Romeu e Julieta, numa luta entre os emigrantes de Porto Rico e os naturais dos EUA, que vivem em Nova Iorque. Nesta cena colorida e com a introdução do mambo surge uma autêntica battle entre grupos rivais. Quem ganha? No final só a dança e uma reflexão sobre a sociedade multicultural dos EUA. 

Nini das pernas no ar e o Argentino Narcolético em Moulin Rouge

Dentro deste género podiam ser muitas as cenas que poderíamos destacar. Escolhemos El Tango de Roxanne de Moulin Rouge para mostrar um lado sensual e romântico da dança no cinema. O filme protagonizado por Ewan McGregor (Christian) e Nicole Kidman (Satine) tem influências desde Alexandre Dumas a Queen. A história de amor entre a dançarina de cabaret e um aspirante a escritor leva-nos ao tango construído com Roxanne dos The Police e Tanguera de  Mariano Mores. Jacek Koman, como Argentino narcolético, e Caroline O’Connor, como Nini das pernas no ar, dão vida a uma cena bem intensa, onde por trás há amor, inveja, intriga e corrupção no emblemático “Moinho Vermelho” parisiense.

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