Morreu o realizador José Fonseca e Costa

Morreu o realizador José Fonseca e Costa

O cineasta português José Fonseca e Costa faleceu esta manhã vítima de pneumonia, no Hospital de Santa Maria. Tinha 82 anos de idade.

Nascido na cidade angolana de Caála em 1933, o realizador veio viver para Portugal em 1945. Iniciou-se no cinema na segunda metade dos anos 60 com alguns documentários e filmes publicitários. Antes disso, havia estagiado em 1961 com Michelangelo Antonioni durante a rodagem de O Eclipse, aquando do seu exílio em Itália. Foi para lá que fugiu após ser perseguido pela PIDE, que chegou a prendê-lo por atividades de oposição à ditadura, tendo-lhe antes disso recusado um lugar de assistente de realização da RTP e uma bolsa de estudos para frequência de um curso de cinema no estrangeiro.

Mas foi na década de 70 que o nome de José Fonseca e Costa se afirmou como um dos mais importantes no movimento do Novo Cinema Português. O Recado (1972) marcou a sua estreia na ficção, ao que se seguiram alguns dos títulos mais importantes da sua carreira, entre eles Kilas, o Mau da Fita (1981), um dos maiores sucessos de bilheteira em Portugal, Sem Sombra de Pecado (1983) e Balada da Praia dos Cães (1986). Viúva Rica Solteira Não Fica, lançado em 2006, foi o seu último trabalho como realizador e chegou a ser nomeado ao Globo de Ouro Português de Melhor Filme.

Em declarações à Lusa, o produtor e amigo Paulo Branco afirmou que, apesar da doença, Fonseca e Costaexerceu aquilo que mais gostava, que era a sua atividade de realizador, até ao fim“. O cineasta estava atualmente a trabalhar num novo filme, Axilas, que “ele conseguiu filmar não a totalidade, mas quase e temos todos os elementos para poder acabá-lo“, disse ainda à agência de notícias Branco, que salientou ainda o sucesso junto de público e crítica: “foi extremamente reconhecido durante a sua carreira (…) era um cineasta extremamente apreciado“.

Também o realizador António-Pedro Vasconcelos se pronunciou acerca da morte “de um amigo e de um cineasta com grande obra“. “Fica uma mágoa muito grande por ter perdido um amigo e um criador sem ter feito tudo o que podia ter feito“, disse à Lusa, numa declaração emotiva sobre “uma das pessoas com quem mais me identifico. Sempre a refilar, revoltado contra o sistema, mas muito divertido e com muito humor“. Vasconcelos revelou também que Axilasestá apenas um terço por fazer” e decidiu ainda relembrar a discriminação de um “sistema perverso de concursos e de júris que não o deixaram filmar durante anos“.

As declarações de pessoas com quem Fonseca e Costa trabalhou ao longo dos anos prolongam-se. Ao PúblicoLia Gama, protagonista de Kilas, o Mau da Fita, afirma que “morreu um grande cineasta (…) mas fundamentalmente um grande amigo“. Sérgio Godinho, compositor da música de alguns filmes do realizador, recorda-o como “uma pessoa valiosa no meu percurso profissional e criativo e um grande amigo“.

Para além da carreira como realizador, José Fonseca e Costa foi crítico cinematográfico, sócio fundador e dirigente do Centro Português de Cinema, presidente da direção da Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisuais e ainda tradutor de livros de teoria cinematográfica e romances. A sua última distinção foi atribuída em 2014: tratou-se do Prémio Carreira da Academia Portuguesa de Cinema.

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