De certeza que quando lês um livro tens aquela sensação de que a personagem parece mesmo real, mas como é tão maléfica e assustadora então não é possível. Pois é, mas a verdade é que existiram pessoas tão más ou piores que aquelas personagens dos livros. Para este Halloween, o Espalha-Factos reuniu as piores personagens, para que vejas o quanto assustador pode ser este mundo!

  • Drácula, inspirado em Vlad III

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Drácula e Vlad Tepes

Vlad, rei da Valáquia (atual Roménia), destacou-se por combater os otomanos e por exterminar um quinto da população do país. A sua crueldade era tal que deu origem ao mito do Drácula. Príncipe das trevas, assassino sanguinário, flagelo dos turcos, rosto da maldade suprema, era assim que os contemporâneos chamavam a Vlad III. Mais conhecido por Vlad Tepes, que significa “O Empalador”, este nobre do século XV aterrorizou tanto inimigos como súbditos com os assassínios em massa que cometeu. Diz-se que Vlad sentia prazer em assistir às torturas, aos desmembramentos e às empalações, que conduziam a uma morte lenta e agonizante aos pobres desgraçados que tinham a infelicidade de lhe desagradar.

Um exemplo da sua maldade: a fim de erradicar a pobreza do país, não lhe ocorreu nada melhor do que reunir uma quantidade de mendigos e leprosos que pediam pelas ruas, oferecer-lhes um banquete e, em seguida, atear fogo ao recinto. De uma assentada, eliminou 3600 pessoas.

Vlad Tepes, com a lenda sanguinária que o seguiu, a crueldade que dominou a sua vida e a sua impiedosa personalidade, foi o modelo que inspirou aos escritores românticos do séc. XIX o género do terror e do vampirismo. Diz-se que Vlad tinha uma inclinação para beber o sangue das vítimas enquanto comia e foi essa caraterística que levou o escritor Bram Stoker a criar o célebre Drácula (1897), o vampiro imortal que regressa ao túmulo para procurar a amada.

  • Norman Bates, inspirado em Edward Gein

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Norman Bates e Edward Gein

Edward Gein nasceu em Wisconsin, área rural, em 1906, e foi criado ao lado do irmão mais velho. Educado por uma mãe cristã fanática e por um pai desorientado na sua vida. Augusta, a mãe, ensinava aos filhos a imoralidade do mundo, o mal de beber e a crença de que todas as mulheres eram naturalmente prostitutas e instrumentos do diabo. Ed teve um fraco desenvolvimento social, o que previa uma inclinação esquizofrénica.

Foi após a morte do pai, do irmão (que mais tarde se descobriu ter acontecido por culpa de Edward) e da mãe que ficou obcecado com pessoas mortas. A viver sozinho e deslocado da sociedade, passava a maior parte do tempo a ler obituários, a aprender anatomia e a visitar cemitérios locais. De acordo com um jornal de 1957, Ed admitiu ter exumado pelo menos nove corpos. Mais tarde, começou a ponderar uma mudança de sexo, desejando tornar-se na sua mãe, que tanto idolatrava. Arrancava a pele dos rostos das mulheres que matava, e que seguidamente as desenterrava, para criar máscaras (essa parte serviu de inspiração para Buffalo Bill em O Silêncio dos Inocentes e Bloody Face em American Horror Story).

Após ser descoberto pelas autoridades, Edward passou o resto da sua vida numa instituição para saúde mental, e morreu em 1984, aos 77 anos, devido a uma insuficiência respiratória causada por cancro do pulmão.

Robert Bloch inspirou-se assim em Edward Gein para criar a personagem Norman Bates no livro Psicose.

  • Severus Snape, inspirado em John Nettleship

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Severus Snape e John Nettleship

Um dos professores de Harry Potter de JK Rowling, o injuriado Severus Snape, herdou diversas caraterísticas do professor de química da autora. O professor foi inspirado em John Nettleship, que deu aulas nos anos 70 na escola Wydean.

John ficou de tal forma surpreso com a homenagem da sua ex-aluna que passou a ver o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas como a sua personagem preferida. Nettleship descreve-se como “um professor de química de pavio curto, com cabelos longos num laboratório sombrio e malcheiroso”. Ficou horrorizado quando descobriu que a personagem tinha sido inspirada em si próprio uma vez que se afirma ser apenas um professor rigoroso e nunca um malvado.

Nettleship faleceu em 2011, vítima de cancro.

  • Dorian Gray, inspirado em John Gray

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Dorian Gray e John Gray

O Retrato de Dorian Gray é uma obra de Oscar Wilde e que faz uma crítica à sociedade inglesa do século XVIII com uma série de alegorias à decadência moral e espiritual dessa mesma sociedade, que mesmo sorridente e bonita, está suja e podre por dentro. O livro imortaliza o maior medo da humanidade: o medo de envelhecer, não só de corpo, mas também de alma.

Dorian Gray, personagem principal, é um jovem que se envaidece de si mesmo, que se torna amante de si mesmo e da arte abstrata e pura e que, em seu nome das insanidades sociais, insensibiliza, diagnostica e se auto-desculpa. Porém, no final, quando quer mudar de vida não há redenção naquele jovem.

Esta personagem foi inspirada em John Gray, um atraente rapaz que fazia parte do círculo de amigos e amantes de Oscar Wilde e, quando decide afastar-se das tentações para abraçar o sacerdócio, acaba por se tornar no protagonista da obra do escritor. Há quem diga que O Retrato de Dorian Gray foi uma forma de Wilde julgar a decisão de John, pois nomeou o personagem como Dorian (referência ao grupo grego Dorians, que acreditavam no amor entre homens).

  • Henry Jekyll e Edward Hyde, inspirado em William Brodie

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Henry Jekyll e William Brodie

Robert Louis Stevenson publica The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde em 1886. Esta obra viria a ser considerada um excelente exemplo de terror e suspense e marcaria todo o leitor, pois é construído sob um atmosfera assustadora. A história de Stevenson baseou-se na vida dupla de um habitante de Edimburgo, na Escócia, chamado William Brodie: de dia era um respeitado marceneiro, à noite um assaltante.

A história desenlaça-se através de elementos que se encaixam na perfeição – um crime, um mistério e alguém a tentar desvendá-lo. A personagem Jekyll é um ilustre médico, filantropo respeitado, um exemplo de conduta, mas que vive completamente afetado pelo delírio, medo e angústia por partilhar dentro de si uma outra personalidade. Esse outro homem é Edward Hyde, que busca o prazer carnal e comete crueldades sem responsabilidade.

A inspiração para estas personagens baseou-se na dupla personalidade de William Brodie. Viveu entre 1741 e 1788 e, de dia, era um comerciante respeitável e com cargos administrativos importantes na área do comércio de fechaduras e mecanismos de segurança e de noite, Brodie tornava-se num assaltante. Utilizava o seu trabalho durante o dia como forma de adquirir conhecimento sobre fechaduras e copiava as chaves dos seus clientes.

  • Melisandre, inspirada em Maria I de Inglaterra

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Melisandre e  Maria I de Inglaterra

E como não poderia deixar de ser, até George R.R. Martin se inspirou em pessoas reais para construir as suas personagens de Game of Thrones.

Tanto Melisandre como Maria adoravam queimar pessoas que não concordassem com a sua religião. Em GOT, Melisandre queimou três membros da casa de Stannis por se recusarem a destruir os seus ídolos e não adorarem o Senhor da Luz. Em 1550, Maria Sangrenta queimou centenas de protestantes ingleses por não se converterem ao catolicismo.

O parto também é uma semelhança entre ambas. Enquanto Melisandre deu à luz uma criatura das sombras, demoníaca, Maria teve uma falsa gravidez. De acordo com o embaixador veneziano Giovanni Michieli, o marido de Maria expressou dúvidas de que a esposa estaria realmente grávida. Na verdade, não existiu nenhum bebé.

  • Regan MacNeil, inspirada em Ronald Doe

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Regan MacNeil e Ronald Doe

Muita gente não sabe, mas O Exorcista, de William Peter Blatty, foi baseado num caso real de exorcismo. A jovem Regan MacNeil acreditava estar possuída por demónios e, na realidade, existiu um rapaz chamado Ronald Doe que aos 13 anos dizia, de facto, ter estado possuído.

O escritor descobriu que existiam relatos de exorcismo escritos por padres jesuítas. No entanto, Blatty nunca conseguiu obter autorização para ler os diários sobre exorcismo, portanto, o autor dedicou-se a investigar artigos em jornais e que resultaram em descobertas surpreendentes. A família Doe vivia em Maryland, EUA, e é sabido que os problemas da família começaram com pequenas perturbações, nomeadamente sons de arranhadelas vindas do teto ou das paredes. Pouco tempo depois, os acontecimentos seguiram um rumo mais dramático.

Mais tarde, veio a descobrir-se que Ronald tinha um fascínio pelo Tabuleiro Ouija, um “jogo” para se comunicar com espíritos. Acredita-se que as possessões terão começado com estas atividades. Ronald passou por várias sessões de exorcismo até, numa noite, admitir ter sido tocado pelo Arcanjo Miguel. Depois deste acontecimento, nunca mais foi possuído.