Já criou mais de 120 peças e o seu trabalho já foi realizado em mais de 50 companhias de dança pelo mundo. Estamos a falar de Hans van Manen. No ano em que a Dutch National Ballet recordou algumas das suas peças, caminhamos ao lado de um dos coreógrafos mais marcantes da atualidade. 

Nasceu em 1932, em Nieuwer Amstel, na Holanda. Aos 7 anos muda-se para Amesterdão, ficando a morar muito perto de um Teatro. Desde então, nunca mais fica longe dos palcos. Durante a adolescência faz pequenas performances acompanhadas com a música que passava na rádio, quando ninguém estava em casa. Mas é aos 18 anos que entra para a Companhia Sonia Gaskell, passando para a Netherlands Opera Ballet um ano depois. Aí é promovido a solista e inicia a sua carreira como coreógrafo.

Em 1961, depois de ter estado na Companhia Roland Petit, em Paris, volta a casa, nomeadamente para a recém-formada Nederlands Dans Theater (NDT). Nessa companhia torna-se diretor artístico durante 10 anos. A partir de 1971, o coreógrafo começa um período de transições entre duas companhias. Começa esse percurso na NDT e vai para a Dutch National Ballet em 1973. Volta para a NDT em 1988 e ao sair, regressa à  Dutch National Ballet, em 2003.

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Jurgita Dronina e Jozef Varga do Dutch National Ballet num tributo a Hans van Manen

Ao longo do seu trabalho como coreógrafo, trabalha com companhias como a National Ballet of Canada, a San Francisco Ballet, o Royal Ballet, a Alvin Ailey American Dance Theater ou o Stuttgart Ballet.

Em Portugal, Hans van Manen colaborou com o Ballet Gulbenkian em peças como Canções sem palavras e 5 TangosEm 2016, a Companhia Nacional de Bailado, depois em Programa de Homenagem ao Ballet Gulbenkian ter dançado Twilight, volta a interpretar 5 Tangos.

Como é o seu trabalho como coreógrafo?

Hans van Manen tem vindo a criar um marca bem reconhecida na linguagem da dança. Tendo como base o ballet clássico, usa influências da dança moderna, como Martha Graham, e ainda junta elementos como a ginástica ou as artes marciais às suas peças. Pela simplicidade, a estrutura clara, a ênfase nas linhas do corpo e o destaque nas relações humanas, é conhecido como o Mondrian da dança.

“Eu sou muito mau a contar histórias, e essa é a razão pela qual nunca faço bailados muito longos. Eu prefiro fazê-los pequenos e o mais precisos possível”, disse o coreógrafo em entrevista ao Ballettanz, em 2007. São muitas as peças que tem criado. Destacamos as seguintes para que possas conhecer um pouco das características do seu trabalho:

  • 5 tangos

A música é do argentino Ástor Piazzolla e o tema é o tango, portanto já pressupomos que será um bailado com muito drama e paixão. Coreografado pela primeira vez para a Dutch National Ballet, esta foi uma nova forma de interpretar o tango. Os ritmos do tango têm misturas de rock e jazz e os duetos criados por Hans van Manen entrelaçam a precisão do ballet clássico com a sensualidade. Esta é a versão da Companhia Nacional de Bailado:

  • Without words

Duas das características nas criações de Hans van Manen são os duetos e os bailados “sem história”. Without Words, criado em 2010, é mais um desses exemplos. Alexander Zhembrovskyy e Igone de Jongh fazem parte do seguinte dueto, onde a ligação entre os dois é clara:

  • Dejá vu

Dejá vu, estreado em 1995, mantém a “obsessão” de Hans van Manen pelos duetos. Os dois bailarinos que o dançam devem assumir um relacionamento forte, mantendo sempre o olhar. A música é Frates de Arvo Pärt, numa versão a violino e piano. Aliás, as versões das músicas em piano são algo também recorrente no trabalho do coreógrafo. Este dueto é da Netherlands Dans Theatre:

  • Solo

Três homens de roxo dançam um único solo. Mais uma vez sem uma linha narrativa, Hans van Manen joga com fragmentos de histórias entre as pessoas e questiona a divisão do trabalho entre bailarinos e bailarinas no ballet. Vê a versão do Ballett am Rhein:

  • The old man and me

Aqui há música de J. Cale, I. Stravinsky e W.A. Mozart e foi originalmente criado para dois bailarinos bem experientes: Sabine Kupferberg e Gérard Lemaitre da Nederlands Dans Theater. Este dueto dança situações reais entre a melancolia e a euforia. Marlúcia do Amaral e Martin Schläpfer são os protagonistas do seguinte vídeo:

Atualmente com 83 anos, Hans van Manen já foi  reconhecido com os seguintes prémios:

  • Officer of the Order of Orange-Nassau – 1992
  • Deutscher Tanzpreis – 1993
  • Prémio Erasmus – 2000
  • Prix Benois de la Danse – 2005
  • Comendador da Ordem do Leão da Holanda – 2007

Além da dança, Hans van Manen também é apaixonado pela fotografia e pelo vídeo, sendo uma das personalidades que defende a filmagem do ballet. Este ano, ao recriar peças bem conhecidas do coreógrafo, como Live, Metaforen, Two gold variations e Twilight, a Dutch National Ballet não esqueceu a ligação que Hans van Manen tem às câmaras, como podes ver ao carregar na seguinte imagem:

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