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‘Pedro e Inês’: Nada melhor do que voltar a dançar um amor lendário

A Companhia Nacional de Bailado começou a temporada 2015/2016 com a peça Pedro e Inês, inspirada na estória de amor mais trágica da História de Portugal, com coreografia, direção musical e dramaturgia de Olga Roriz.

O bailado, que a CNB estreou em 2003, foi a trigésima criação da coreógrafa, mas a primeira em que conta uma história do início ao fim: a lenda de D. Pedro (futuro rei) e D. Inês de Castro, fidalga galega, ordenada matar pelo rei D. Afonso IV. Faz parte do imaginário coletivo dos portugueses, mas neste espetáculo é recontada através dos corpos e movimentos dos bailarinos. Todas as cenas fazem parte de sonhos ou pesadelos de Pedro e Inês.

Fotografia de Bruno Simão
O Sonho – Pedro e Inês

Um dos aspetos mais originais do bailado é a presença de um tanque de água em palco, lembrando a Fonte dos Amores na Quinta das Lágrimas, lugar de encontro secreto entre as duas personagens. Foi neste cenário que Pedro (Miguel Ramalho) e Inês (Filipa de Castro) protagonizaram o dueto mais apaixonado, intenso e absorvente do espetáculo, com movimentos rápidos onde os dois corpos se fundem numa intimidade sem fim.

Fotografia de Bruno Simão
Pedro e Inês

Em declarações ao jornal Público, em 2003, Olga Roriz esclareceu que este elemento surgiu quando ainda pensava estrear Pedro e Inês na Quinta das Lágrimas, em Coimbra, com a possibilidade de desenvolver toda a peça dentro de água, no tanque rodeado de vegetação. Porém, “mesmo que pudéssemos estrear na quinta em Coimbra, teríamos sempre de nos apresentar, mais tarde, numa sala convencional (…) foi aí que o João (cenógrafo) pensou numa forma de levar o tanque para o palco.”

“destaque para a interpretação e entrega de Carlos Pinillos que transmite toda a raiva e desespero de Pedro quando se apercebe da irreversabilidade da morte de Inês”

A última cena do bailado recupera o episódio do espelho de água, depois de D. Pedro, desenterrar e coroar a sua amada. O rei procura devolver-lhe a vida, manipula-a, posiciona-a, move-a como se de uma boneca sem vida se tratasse. E espera, incessantemente, que ela lhe devolva os gestos cúmplices e os beijos apaixonados. Um dueto emocionante e poderoso, com destaque para a interpretação e entrega de Carlos Pinillos que transmite toda a raiva e desespero de Pedro quando se apercebe da irreversabilidade da morte de Inês.

Fotografia de Bruno Simão
Dueto depois da coroação

Um espetáculo completo, em que todos os elementos se relacionam em harmonia: música, luz e corpos em movimento. Um bailado intenso, apaixonado e apaixonante, capaz de nos envolver e fazer suster a respiração.

Pedro e Inês esteve em cena no Teatro Camões entre 8 e 24 de outubro. Entre 29 e 30 de dezembro vai passar pelo Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada. Com coreografia, direção musical e dramaturgia de Olga Roriz, cenografia de João Mendes Ribeiro, figurinos de Mariana Sá Nogueira e desenho de luz de Cristina Piedade.

Fotografias de Bruno Simão

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