Tem cabelos cor de laranja, grandes olhos verdes, um sorriso desenhado no rosto e tem autismo. Chama-se Júlia e é a nova personagem da Rua Sésamo.

Júlia faz parte da iniciativa Sesame Street and Autism: See All in Amazing Children”, que está disponível online e através de uma aplicação para tablets e smartphones. O objetivo é mostrar “o que todas as crianças têm em comum e não as suas diferenças”.

A iniciativa que criou a nova amiga de Elmo e Abby faz parte do Sesame Workshop, o programa educacional da Rua Sésamo feito em parceria com 14 instituições que quer tornar mais fácil a procura de informações sobre o autismo.

“As famílias com crianças autistas tendem a gravitar entre conteúdos online e por isso decidimos criar a Júlia em versão digital. Queremos que pais e crianças compreendam que o autismo não é um tema desconfortável”, explica Sherrie Westin, vice-presidente executiva da área dos impactos globais e filantropia da organização sem fins lucrativos. “Aos cinco anos, quando se vê outra criança que não fixa o olhar em nós, podemos pensar que essa criança não quer brincar. Mas não é esse o caso”, continua.

Para além da plataforma online (Sesame Street and Autism: See All in Amazing Children), o programa, que tem como missão “ajudar as crianças a crescerem mais fortes, mais inteligente e mais solidárias” lançou também o livro  We are amazing 1, 2, 3! e vídeos explicativos. A Parent’s Role, Family Friends e A Sibling Story são alguns dos vídeos que podemos encontrar no site da organização.

Através da hashtag #SeeAmazing, a Rua Sésamo está a incentivar os utilizadores das redes sociais a partilharem histórias, vídeos e fotografias que abordem este tema.

Alex

Alex, a personagem da Rua Sésamo cujo pai estava preso

Porquê uma rapariga?

Já se levantou a discussão em volta do género escolhido para a personagem. Afinal, por que razão é uma rapariga? “Nós assegurámo-nos de que seria uma rapariga principalmente porque o autismo é quase sempre visto em rapazes. Nós queríamos deixar claro que as raparigas também entram neste espectro. Estamos a tentar combater ideias erradas sobre o autismo e muitas pessoas pensam que só os rapazes sofrem desta doença”, explica Sherrie Westin.

Esta não é a primeira vez que a Sesame Workshop recorre a personagens para chamar à atenção e sensibilizar para determinados problemas. Em 2013 conhecemos Alex, um menino de cabelo azul que tinha o pai na prisão.