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Jameson Urban Routes, dia 2: do Beat à Batida

Ainda mal retornados os sentidos depois da Alfarroba lisboeta do dia anterior, os festivaleiros urbanos traçam o caminho de volta ao Musicbox para mais uma rodada de espectáculos. Depois da inauguração a portas abertas do Jameson Urban Routes que trouxe performances (muito boas, diga-se de passagem) de Cave Story, Galgo e Pega Monstro ao coração da noite alfacinha, o Jameson virou-se para o electrónico, apostando desta vez num cartaz dividido entre o nacional e o estrangeiro.

De álbum novo e acabado de sair debaixo do braço, os Holy Nothing abrem a segunda noite de forma eletrizante, não obstante o ainda mirrado público, em grande parte constituído por fotógrafos e jornalistas. Um desperdício de concerto para os pagantes da noite, tendo em conta que foi, muito provavelmente, o melhor concerto a que se assistiu na sexta-feira do Musicbox. Mesmo não tendo excedido expectativas, o trio do Porto constituído por Nelson Silva, Pedro Rodrigues e Samuel Gonçalves dividiu-se entre o recente longa-duração Hypertext e o EP de estreia Boundaries, em vorazes espirais de sintetizadores e vozes electronicamente alterados. Talvez um pouco mais inspirados no club house do que lhes convinha, os Holy Nothing lograram ainda assim em convencer, deixando uma apresentação digna do seu début no Cais do Sodré.

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Bem pior figura fez o ato seguinte, coincidentalmente o primeiro internacional da noite. De Brooklyn,  as norte-americanas Telepathe fizeram chegar a Lisboa um synthpop meio-morto, invariavelmente vazio e desprovido de qualquer elegância ao vivo. Imagine-se uns CHVRCHES ou uns Purity Ring sem metade da beleza orquestrativa, definição de texturas ou capacidade vocal (a desafinação da baixista Busy Gangnes era mais que flagrante num estilo em que esta componente é fulcral). A associação do duo com nomes com a influência de Julian Casablancas ou TV on the Radio provou-se tão vazia pela sua desmedida performance que a única questão que se colocava no final da mesma era por que é que, num género tão massificado e diversificado como a indietronica, não se foi buscar já aqui uma Sequin ou um Moullinex para preencher o seu lugar. O processo seria mais fácil, e o resultado certamente mais aprazível.

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Findo este momento a beirar o doloroso, as coisas voltam a melhorar com o principal DJ set da noite: Pablo Díaz-Reixa, mais conhecido no mundo da música como El Guincho. Veio das Canárias em jeito de disc jockey, trazendo ao Musicbox um pouco do sentimento latino que lhe é tão familiar. Em meio a algumas escolhas menos conseguidas (identificou-se algum pop rap latino de doer lá pelo meio), o set comparativamente tranquilo e ‘peso-leve’ foi a ponte perfeita para os DJs que se seguiam: à boa moda das Noites Príncipe que se realizam recorretemente no espaço, o combo de Babaz Fox + Nunex e Famifox fez subir a temperatura com os ritmos africanos da batida e do kuduro, numa altura em que a meia dúzia que se verificara no início da noite já se transformara em dezenas (e só não em centenas porque o espaço não o permitia).

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No final, a dança foi tanta que os pés só pediam casa. Pode não ter sido a melhor das noites (fruto de uma ou outra performance menos conseguida), mas ainda não era desta que nos despedíamos do Musicbox de vez, que o Jameson Urban Routes ainda teria muito para oferecer. Foi esperar pela última da semana para o comprovar.

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