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Sr. Inominável: D’Estalo não é só p’ra inglês ver

Pedro Rio-Tinto e Ricardo Lemos são uns senhores no que toca a fazer músicas que não se podem designar por um simples nome – não fosse esse o significado da palavra “inominável”. A dupla apresenta D’Estalo, disco de estreia cuja descrição pode ser feita com o título do mesmo.

O reavivamento do baixo 80’s junta-se a uma mestria de escrever letras como quem o faz há anos. É o primeiro trabalho mas podia muito bem ser o terceiro. Quem ouve pensa que estes rapazes mandam discos cá para fora qual Fachada em ano não sabático. A inexperiência é anulada desde o primeiro tema.

O disco abre com Punhal. Linhas de baixo definidas e um pop-rock ao estilo de Salto fazem antever as nove faixas que compõem o álbum. Uma excelente abertura para este trabalho.

Segue-se Corre por Aí. O single que serviu de porta-estandarte do álbum não podia ter feito um trabalho melhor. O tema começa a construir-se desde o início, crescendo e acentuando-se à medida que os segundos se somam. Haverá sempre lugar para uma nota de destaque às linhas de baixo de Pedro Rio-Tinto. Pareceu-me ouvir Heróis do Mar mas vou deixar isso à consideração de quem ouve.

Para Inglês Ver aparece ao som de God Save the Queen. A guitarra que abre o tema remonta-nos às baladas dos tempos dos GNR. Mas a reviravolta vem montada nas vozes da dupla que trazem um outro brilho à cena. Habituem-se, vou sempre elogiar as linhas de baixo.

Diz Que Disse é uma pausa. Deixa o álbum respirar e deixa o ouvinte renovar a força – acreditem que vão precisar, o álbum ainda só vai a meio e ainda há muito pé para bater. Aqui se nota o potencial da banda. Não só fazem temas dançáveis, como nas baladas são capazes de nos levar a outros tempos. Sem sermos saudosistas, claro, porque desejarmos o regresso do passado era desejarmos que os Sr. Inominável não existissem. E quem assim pensa não sabe o que pensa.

Baterias carregadas para entrar em cena Self Service (sobe e Serve-te). Nota positiva para o falsete que acertou em cheio no que a letra quer transmitir.

Sim, pareceu-me ouvir Heróis do Mar. Pronto a Despir é o tema que melhor vai rebuscar o som da banda de Rui Pregal da Cunha. Podia-se falar também em Salto, mas falar em Salto é falar em Heróis do Mar. Nota de destaque para Columbia, a cantora que colabora neste tema e que traz um lado doce ao trabalho. Nota positiva mais uma vez para o baixo.

Perfeito Acaso dá início à ultima terça parte do disco. É um tema que pelo riff inicial se afigura mais rock e menos pop, deixando espaço, no entanto, para que ambos se relacionem no refrão.

Acabámos no Refrão é talvez o melhor tema do disco. Por ser completo em toda a estrutura musical. Não há pontas soltas. Toda a música, ao longo dos seus três minutos e quarenta e um segundos, apresenta-se como um tema que enche as medidas auditivas. A relação entre guitarra, baixo, sintetizador e a batida da bateria é a de uma banda que nasceu a saber o que os outros estão a pensar sem que nada seja dito.

O álbum termina com Volto Já. E de facto deixa-nos a querer que voltem. Depressa.

Em nota de rodapé aproveito para dizer que vi os Sr. Inominável há uns dias no concerto que deram no Armazém do Chá, no Porto. São dois rapazes tímidos mas que primam pela humildade em palco.

Nota final: 7,5/10

Podes ouvir o álbum na integra aqui:

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