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Portugal Fashion. A verdadeira celebração no primeiro dia do evento

A 37.ª edição do Portugal Fashion com o tema Celebration, em honra dos 20 anos do evento, arrancou ontem em Lisboa, e aterrou hoje na cidade invicta que será palco dos restantes desfiles até domingo. O Espalha-Factos esteve presente no primeiro dia, marcado pela apresentação das coleções para o verão 2016 de Storytailors, Carla Pontes, a marca HIBU e a dupla de veteranos Alves/Gonçalves.

Quando chegámos ao Ritz, o ambiente de azáfama pairava no ar e a pressão para ultimar os detalhes a meia hora do início obrigava a uma correria intensa. A sala Pedro Leitão que receberia Storytailors era invadida por manequins ainda em ensaio da pequena mostra teatral que se seguiria mais tarde durante o desfile. Toda a gente instalada, candelabros apagados e a música a soar baixinho- estava tudo pronto para o início de um verdadeiro espetáculo de encantar.

Storytailors

Ao som das batidas pesadas de Dead Combo, começava a ser narrada a história que ilustraria o desfile de Storytailors numa das salas do Four Seasons Hotel Ritz. Já vem sendo hábito a criação de uma narrativa à volta de cada coleção de Luís Sanchez e João Branco, desta feita o conceito do desfile assentou num diário- o Diário de uma Princesa em descoberta. Esta história cruza lendas da cultura portuguesa como a das mouras encantas, d’Os Lusíadas e a de Santa Joana Princesa. Um verdadeiro grito de patriotismo.

Daniela Hanganu abre o desfile com um vestido voluptuoso e estampado de azulejaria lançando o mote para o resto da coleção. Saias armadas, caudas e corpetes, brancos e azuis a dominar em peças que encenam uma verdadeira história de encantar. A sala foi palco de uma teatralização do conto por parte das próprias manequins, numa coleção marcada pelos elementos ar e água, traduzido na simplicidade e leveza nos tecidos de algodão e organza predominantes nas peças.

De toda a coleção, o holofote recaiu em duas peças, o primeiro vestido a desfilar e o último. Duas criações que estiveram presentes na exposição Iberian Suite, em Washington, a representar a portugalidade com duas das coisas que mais nos caracterizam: o azulejo e a porcelana.

A coleção Unbreakable foi um verdadeiro conto de fadas que passou pela passerelle.

 

Do Ritz damos um salto para o Museu Nacional de História Natural e Ciência, onde se realizaram os restantes desfiles do dia. No âmbito da plataforma Bloom, os jovens criadores Carla PontesMarta Gonçalves (HIBU)  e Gonçalo Páscoa (HIBU) apresentaram as suas propostas, seguidos de Alves/Gonçalves para fechar o primeiro dia do evento.

Carla Pontes (Bloom)

Para o próximo verão, a jovem criadora apostou numa coleção de inspiração aquática. Alga traduz toda a ligação com a água e com a ideia das margens dos rios onde estas plantes se prendem, o que remete para o uso da rede em algumas das peças propostas.

Com o cabelo efeito molhado e de galochas calçadas, os manequins pisaram a passerelle com coordenados de inspiração naturalista, não fosse o tema a água. Jumpsuits, tecidos aveludados, cores muito neutras e pequenos detalhes de algas bordados em azul traduziram na perfeição a linguagem minimal que Carla Pontes tem por hábito imprimir nas suas coleções.

Em conversa com o Espalha-Factos, Carla afirmou que não é propriamente difícil fazer moda em Portugal. “É muito fácil produzir, é fácil ter acesso a novas tecnologias e chegar a todo o lado à procura de material. O mais difícil é mesmo a parte de comunicar às pessoas e vender o nosso produto. A parte produtora funciona muito bem, por isso, estes eventos são sempre ótimos para chegar mais longe, são como rampas de lançamento”, disse a designer relativamente ao panorama da indústria da moda no nosso país.

HIBU (Bloom)

A falsa chuva proveniente da música de background dá o mote para o início do desfile da marca HIBU. As propostas de Marta Gonçalves e Gonçalo Páscoa são uma autêntica tempestade estética (no bom sentido) de desconstrução e reconstrução das formas através de uma técnica de colagem, numa base de inspiração japonesa.

A desconstrução das peças que pareciam “remediadas” transmitem muito a ideia dos criadores de “uma memória contínua, um jogo inacabado”. Os impermeáveis combinados com tecidos mais leves em peças com um cunho muito sporty. Cinzas e amarelos dominam as propostas desta dupla de estilo minimalista.

São notáveis uns apontamentos tribais na coleção através dos brincos em forma de boomerang e até do simples face-painting com pequenos pontos simétricos na cara dos modelos.

Alves/Gonçalves

Os “Manéis” (Manuel Alves e José Manuel Gonçalves) fecharam este primeiro dia de Portugal Fashion com um desfile repleto do glamour a que já nos têm acostumado e com as conjugações mais improváveis, que acabaram por resultar na perfeição.

Uma coleção que vem contrariar os cânones da construção de cada peça, arrojando nas combinações e sobreposições de tecidos, mas mantendo o nível da sofisticação habitual de Alves/Gonçalves.

As misturas de lantejoulas com estampados orientais, das sedas naturais aos tecidos rendados, tudo resultou nesta coleção que lança uma imagem da mulher contemporânea mais elegante e provocadora, com uma “nudez semi-escondida”. Outro pormenor de destaque neste desfile foram, sem dúvida, os sapatos trabalhados no salto com bordados e correntes douradas, perfeitos para o match com as aplicações metálicas douradas nos ombros de alguns vestidos.

[EM ATUALIZAÇÃO COM FOTOS]

Texto de Francisca Real

Fotografia de Raquel Dias da Silva

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