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fotografia @ David Cachopo

‘Cinderela’ no Teatro Armando Cortez: “Sonhar é bom”

Cinderela, a mais recente produção do Teatro Infantil de Lisboa, estreou dia 17 de outubro, no Teatro Armando Cortez, na Casa do Artista. Este é um dos contos de fadas mais populares de todos os tempos transformado num musical, que promete não só o habitual romance como muitas e valentes gargalhadas.

No ano em que celebra 40 anos de existência e mais de 50 produções originais, o Teatro Infantil de Lisboa apresenta Cinderela com o apoio do canal infanto-juvenil Nickelodeon, que em dia de estreia surpreendeu a criançada e as suas famílias: à entrada as Tartaruga Ninja, prontas para mais uma aventura, e à saída prémios para os mais sortudos e uma canção em uníssono para as três aniversariantes do dia. Contudo, a fonte de maior diversão originou-se em palco.

“Com texto e encenação de Fernando Gomes, conta-se, de forma original e bem-humorada, a história de Cinderela”

Com texto e encenação de Fernando Gomes, conta-se, de forma original e bem-humorada, a história de Cinderela, uma jovem doce e bondosa, que após a morte de seu pai se vê transformada numa criada pela sua madrasta malvada e as suas duas filhas. A fada madrinha surge em seu auxílio para que a apelidada Gata Borralheira possa finalmente encontrar o amor. É no baile real, organizado por um rei desejoso de ter um “netinho”, que conhece um jovem romântico e encantador, nada mais nada menos que o próprio príncipe. Reconhecida como a dona do sapatinho de cristal, perdido nas escadarias do palácio, alcançará finalmente a derradeira liberdade.

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Maria João Vieira conquistou facilmente o público com a sua Cinderela. Ainda assim, Anástasia e Grisella, representadas por Henrique Macedo e Paulo Neto respetivamente, destacaram-se de forma clara. A expressão facial e corporal de ambos os atores é tão forte que é impossível não rir quando entram em cena. Encantadora é também a representação de Andreia Ventura que se desdobra entre uma Madrasta cruel e uma Fada Madrinha absolutamente adorável, personagens que exigem registos completamente diferentes.

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Por outro lado, os cenários, a lembrar a Broadway, e os figurinos coloridos encantaram os olhares curiosos e, durante o intervalo, os pequenos espetadores demonstraram-se irrequietos e procuraram o levantar da cortina vermelha e, consequentemente, o vestido azul de Cinderela ou o casaco florido do Príncipe estiloso.

“Este musical é, no entanto, muito mais do que um espetáculo visual bastante agradável. É mais do que as músicas que ficam no ouvido e as coreografias giras”

Este musical é, no entanto, muito mais do que um espetáculo visual bastante agradável. É mais do que as músicas que ficam no ouvido e as coreografias giras. O que seduz é a linguagem de comédia romântica, adequada ao público-alvo, a inclusão de elementos modernos na narrativa clássica, como o Facebook, e sobretudo a intenção lúdico-pedagógica, que permite não só que os pequenos espetadores se divirtam mas também que apreendam lições valiosas, relacionadas com a natureza e o mundo animal, a família, o amor e o sonho. Como a Cinderela diz: “Sonhar é bom.”

Aliás, o sonho acaba por ser o tema central da história. Encontrar o amor é um sonho comum, mas a maior parte dos sonhos vão além disso e é o que este clássico intemporal pretende incutir: a ideia de que nada é impossível se, em vez de ficarmos sentados de braços cruzados, ousarmos lutar pelos nossos desejos mais profundos.

Cinderela encontra-se em cena até dia 20 de março do próximo ano, de terça a sexta para grupos organizados e escolares mediante marcação prévia, e sábados e domingos às 15h para o público em geral, no Teatro Armando Cortez, na Casa do Artista. O preço dos bilhetes é 11€ para adultos e 9€ para crianças, a partir dos três anos. Para mais informações, basta aceder à Bilheteira Online.

Fotografias de David Cachopo

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