“Faltavam prémios na música portuguesa”, diz Nuno Calado, radialista da Antena 3. É muito importante “ser premiado”, numa “indústria musical portuguesa pouco expressiva”, concorda Zé Pedro, ícone dos veteranos Xutos e Pontapés.

Os dois referem-se à importância dos Portugal Festival Awards, cuja terceira edição acontece a 17 de novembro, no Cinema São Jorge, em Lisboa. Com um universo de 230 festivais no país (a um ritmo crescente), Pedro Esteves, jornalista do Observador, indica que cabe aos media fazerem a “curadoria” com base em critérios de relevância e importância de cada festival, mas que é inevitável que só se consiga falar de vinte ou duas dúzias de festivais dentro deste universo tão grande. “Há coisas que acabam por se perder”, afirmou o jornalista. Riot, baterista e produtor dos Buraka Som Sistema, habituado a palcos internacionais, confirma que a tendência do crescimento do número de festivais “é global”.

Zé Pedro comparou os festivais ao futebol, como se houvesse uma primeira e uma segunda divisão de festivais, em que os pequenos têm de trabalhar e desenvolver-se para crescerem e tornarem-se por sua vez grandes festivais, subindo à primeira liga, nesta metáfora. Como exemplo prático falou-se do Festival do Crato, que passou de uma festa da aldeia para um denominado “festival”.

E foi do público, na Fnac Chiado, que surgiu outra perspetiva. Luís Ferreira, organizador do Festival Bons Sons, estava na audiência que compôs o espaço-café da loja Fnac do centro de Lisboa, e defendeu que o futuro pode passar pelo sucesso dos pequenos e médios festivais, com quem os grandes festivais podem dividir o público. Luís Ferreira deu o exemplo do seu festival, que se realiza na aldeia de Cem Soldos, cujos limites físicos estão naturalmente estabelecidos e que, portanto, é impossível manter o mesmo conceito e aumentar em termos de público, como havia sido sugerido que fosse natural que os pequenos festivais tentassem fazer. Outros exemplos dados foram o Milhões de Festa e o Entremuralhas, festivais com locais geográficos específicos e que cumprem plenamente aquilo a que se propõem, sem intenção de se expandirem.

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Sobre os festivais portugueses em si e a sua qualidade, Pedro Esteves disse que “os festivais são cada vez mais experiências”, em que, às vezes, até mais importante do que a música, é o convívio e o ambiente vivido no recinto e entre festivaleiros. Contudo, o jornalista do Observador também considera que, especialmente para um público mais especialista e selecto – mas não exclusivamente – ainda se pode descobrir boa música nova em festivais, até sem a procurar, apenas circulando entre dois palcos ou zonas do recinto.

Pedro Esteves também considera que a existência de tantos festivais é muito positiva para os artistas, dado que o meio de sobrevivência das bandas e dos músicos, atualmente, passa muito por espetáculos ao vivo, em contraste com as vendas reduzidas dos discos. Zé Pedro e Riot consentiram esta opinião.

Os dois artistas realçaram ainda as crescentes melhorias nas condições dos festivais para o seu público, mas que resta ainda melhorar aspetos como os serviços de alimentação nos festivais.

Noutro tópico, o músico dos Buraka Som Sistema criticou o brand naming dos festivais, afirmando que se torna excessivo, além de denunciar por vezes o marketing abusivo e intrusivo que acontece nos palcos. Porém, todos os intervenientes concordaram que é essencial a presença e o patrocínio das grandes marcas nos festivais em Portugal, para estes terem sucesso.

Zé Pedro aproveitou ainda para deixar elogios rasgados aos Buraka Som Sistema, referindo-se ao proveitoso percurso internacional da banda. “Espero que vocês voltem”, revelou Zé Pedro, em relação ao hiato anunciado há algumas semanas pelo grupo de Riot. O guitarrista dos Xutos e Pontapés disse ainda que considerava os Buraka Som Sistema “um exemplo” de banda. Em jeito de graça, disse ainda que adoraria tocar em Coachella, onde os Buraka Som Sistema atuaram em 2009.

A cerimónia dos Portugal Festival Awards de 2015 acontece a 17 de novembro no Cinema São Jorge, em Lisboa, e conta com as atuações de Da Chick, Duquesa, Golden Slumbers, Isaura e Thunder & Co.

As categorias decididas por votação do público são Melhor Festival de Grande Dimensão, Melhor Festival de Média Dimensão, Melhor Festival de Pequena Dimensão, Melhor Micro-Festival, Melhor Festival Urbano, Melhor Festival Não Urbano, Melhor Festival Académico, Melhores WC’s, Melhor Campismo, Melhor Atuação Ao Vivo – Artista Internacional, Melhor Atuação Ao Vivo – Artista Nacional e Melhor Atuação Ao Vivo – Artista Revelação. Podes votar nestas categorias no site oficial dos Portugal Festival Awards.

Há ainda outras categorias decididas por um júri composto por Álvaro Costa, Ana Markl, Ana Teresa Ventura, BCSD Portugal, Filipe Pedro, Fred Pinto Ferreira, Hélio Morais, Joana Cruz, Nuno Calado, Pedro Esteves, Pedro Ramos, Pedro Trigueiro, Rita Carmo, Ruben Obadia, Rui Ventura, Sair da Casca, Tó Pereira (DJ Vibe), Tó Trips, Uriel Oliveira e Valete. Essas categorias são Contribuição para a Divulgação da Música Portuguesa, Contribuição para o Turismo, Melhor Cartaz, Festival Mais Sustentável, Melhor Ativação de Marca e Melhor Comunicação.