No passado dia 15 de outubro, realizou-se uma aula de yoga no interior da sala de exposições temporárias do Oceanário de Lisboa, na qual é possível visitar, até 2017, as Florestas Submersas de Takashi Amano, falecido quatro meses após a abertura ao público daquela que se sagrou como a sua última grande obra. 

Takashi Amano, falecido a quatro de agosto, distinguiu-se como fotógrafo, designer e aquariofilista. Além de ter fundado a empresa japonesa Aqua Design Amano, especializada em desenvolver produtos para aquários, foi considerado uma das pessoas mais influentes no panorama paisagístico aquático de água doce, tendo introduzido conceitos originários dos jardins japoneses, como pedras Zen e a Wabi-sabi, uma visão estética centrada na aceitação da transitoriedade e da imperfeição.

O yoga, uma prática física e mental originária da Índia, associa-se com a prática meditativa do budismo, que se cruza com o Wabi-sabi, tendo por isso, a prática e o conceito estético referidos, um objetivo em comum: o alcance de tranquilidade através do esvaziar da mente. No dia 15 de outubro, foi possível alcançar esse estado de quietude e simplicidade, na mesma sala em que se encontram as Florestas Submersas de Takashi Amano, um aquário de 40 metros de comprimento, 2.5m de largura, 1.45m de altura e 160 mil litros de água, que demorou sete meses a preparar e que contém réplicas de paisagens da natureza localizadas nas florestas tropicais, um dos habitats mais ricos e diversos da Terra.

fotografia @ Pedro A. Pina

fotografia @ Pedro A. Pina

Yoga Session_5_Florestas Submersas_Pedro A. Pina

fotografia @ Pedro A. Pina

A Floresta Submersa, uma suite de 13 minutos, composta para acompanhar a exposição de Amano pelo músico português Rodrigo Leão, convive com o som do aquário e enche o espaço com uma ode à natureza, que invoca os sons da floresta, através de um quarteto formado por dois violinos, um violoncelo e uma viola de arco, convidando os espetadores a mergulhar no mundo submerso que admiram. Este som permitiu o início perfeito de uma aula de yoga, que serviu não só para ensinar a celebrar o bem estar e a procurar o equilíbrio através da aceitação do desequílibrio do ser como para introduzir o conceito da exposição, que pretende ligar a arte e a natureza, o perfeito e o imperfeito.

Numa saudação ao sol, composta por 12 posturas de yoga, inteiramos-nos de nós próprios, despojando a mente de preocupações, e reaprendemos a respirar, a primeira ação que realizamos ao nascer e a última ao morrer. O Wabi-sabi, presente nas Florestas Submersas, trata-se de uma apreciação estética do despojamento e da aceitação das imperfeições. A natureza é um exemplo de uma evolução errática que, ainda assim, se revela enigmática e atraente.

O aquário de Takashi Amano parece ter 100 anos e, no entanto, tem apenas meses. Enquanto, com as pernas esticadas, tocamos nos dedos dos pés com as pontas dos dedos das mãos, vislumbramos de cabeça para baixo um ambiente subaquático que se espelha e se desdobra em dois, impedindo o espetador de desviar o olhar de tão incrível espetáculo visual.

“A VIDA NA TERRA DEPENDE DO GRANDE EQUILÍBRIO ENTRE AS FLORESTAS E OS OCEANOS” E TAKASHI AMANO TORNOU REALIDADE A SUA INTERPRETAÇÃO ARTÍSTICA “DESTES MÁGICOS E MISTERIOSOS ECOSSISTEMAS”, OFERECENDO UMA EXPERIÊNCIA SENSORIAL E EMOCIONAL ÚNICA.

Aquele que é, de momento, considerado o maior ‘nature aquarium’ do mundo recria os ciclos de vida e transformação da natureza, através de quatro toneladas de areia, 25 toneladas de rocha vulcânica dos Açores, 78 troncos de árvores da Escócia e da Malásia, 10.000 peixes tropicais de água doce de 40 espécies e 46 espécies de plantas aquáticas. É possível ter, através da sua contemplação, uma experiência de relaxamento e simplicidade, que nos transporta de volta às origens da vida, até 2017, no Oceanário de Lisboa.

Fotografias por Raquel Dias da Silva