O segundo dia da ModaLIsboa começou na plataforma Lab, com destaque para as peças entrançadas de Olga Noronha e acabou florido com a coleção de Alexandra Moura.

O segundo dia contou com uma adesão visivelmente superior em relação ao anterior. Neste dia foram os talentos de Nair XavierOlga NoronhaRicardo Andrez, Christophe Sauvat, Valentim Quaresma, SayMyName, Miguel Vieira, Ricardo Preto Alexandra Moura.

Nair Xavier

O segundo dia da ModaLisboa estreou com o desfile de Nair Xavier que apresentou uma coleção que fez juz ao seu nome “Ermo”. As cores predominantes foram os beges e os azuis, em peças de linho leves e fluidas. Dominaram as camisas masculinas de manga curta, os macacões também no masculino e as riscas vesrticais. As calças não passavam do tornozelo, mas foram os calções a peça que mais se repetiu.

Olga Noronha

Olga Noronha apresentou uma coleção com um cariz solidário e ao, contrário do habitual, as modelos estavam em plataformas para que pudessem ser observadas. Esta coleção tinha como protagonista cabelo (em abundância), em vários tons, rosas, verdes, azuis.

Uma coleção que enfatiza a ausência e perda de cabelo por alopecia e efeitos secundários de tratamentos quimioterapeuticos”. Parte do calçado costumizado por Olga Noronha foi leiloado e os lucros reverterão para o IPO.

Ricardo Andrez

Seguiu-se, a fechar as coleções em Lab, Ricardo Andrez que apresentou a sua coleção no Pátio da Galé. Predominou o tecido impermeável e a trasnparência. O padrão escolhido foram as riscas de várias grossuras e os tons azuis e cinzas. Os tecidos brilharam e os calções monopolizaram a atenção, tanto para eles como para elas.

Christophe Sauvat

Numa chuva de cores, o desfile de Christophe Sauvat foi uma lufada de de ar fresco. Peças fluídas e transparências foram o destaque deste desfile marcado pelos anos 70. O designer conseguiu enriquecer o típico estilo hippie com brilho, padrões tribais e peças decoradas com bordados floridos.
Esta união entre estilos revelou-se diversificada, não faltando a linha de união entre looks.

Valentim Quaresma

Quando se fala de um desfile de Valentim Quaresma, sabe-se à partida que o destaque é dos acessórios. Desta vez, o criador levou-os a outro nível, juntando aos colares acessórios de metal manipulado como chapéus, acessórios de braço e outros um pouco fantasiosos.

As cores das peças trabalhadas variaram entre o dourado, vermelho e turquesa que se dispunha de forma organizada por cima de roupa básica preta que, por sua vez, se destacou pelas transparências muitas vezes totais. Os modelos maquilhados de tal forma a parecerem animais selvagens carregavam verdadeiras peças artísticas e, por isso, pouco usáveis.

SayMyName

O desfile de SayMyName, o interior das peças ganha destaque e os franzidos colaboram na criação de peças inovadoras. Repleta de assimetrias e sobreposições, a coleção funcionou como um aviso de que os coletes e culotes entraram na passada estação fria e vieram para ficar. Num misto de brilhos e padrões geométricos, o desfile revelou-se uma surpresa.

Miguel Vieira

É de admitir que o grande destaque do dia vai para o desfile das peças de Miguel Vieira. Muito ao estilo Armani, o criador conseguiu criar uma coleção usando apenas três cores: preto, branco e azul. A silhueta baseou-se, na maioria, nos fatos masculinos e femininos inovados pelo criador na forma de apertar o casaco, acrescentando-lhes um cinto de tecido. As riscas horizontais também marcaram presença, surgindo em várias larguras.

Para além dos padrões, a forma de como Miguel Vieira trabalhou os tecidos se tornou ela própria num padrão personalizado. Sóbrio, elegante e muito formal, o desfile que foi uma verdadeira inovação do clássico mereceu uma valente salva de palmas!

Ricardo Preto

O discurso em voz off deu indicação de que Ricardo Preto buscou inspiração nos deuses romanos, mais precisamente, na sensualidade da deusa Afrodite. Porém essa sensualidade em nada foi acentuada apenas deixada visível por pontuais transparências. Muito pelo contrário, as curvas das modelos foram escondidas por peças sobrepostas, fluidas e largas. Fluidez essa compensada pela rigidez das peças mais formais muitas padronizadas com riscas verticais.

Com um início tão sóbrio, o desfile veio a revelar-se uma mistura de cores, de estilos, de peças e tecidos, onde os decotes profundos e as lantejoulas estiveram presentes.

Alexandra Moura

Enquanto se aguarda pelo início do desfile de Alexandra Moura, espera-se, simultaneamente,  expressividade. E tal aconteceu. Aos tecidos com revelo, de aspeto inacabado e de cores vivas, juntaram-se adornos e laços. Na verdade, os laços vestem e decoram o cabelo das modelos. Há, literalmente, laços por todo o lado.

A designer apostou, também, nos casacos, ou não fosse uma coleção de inverno, havendo deles de todos os formatos, desde blazers, a bomber jackets, passando pelos trench coats. Em contrapartida, há muita coisa a acontecer num só look pelo que muitas vezes nos questionamos: “Não vimos já isto?”.

Texto por Carolina Branco Inês Oliveira

Fotografias por Inês Lourenço da GraçaCatarina Veiga e David Martins