A quinta instalação de American Horror Story, intitulada Hotel, da criação de Ryan Murphy e Brad Falchuck, estreou no canal FX no dia 7 de outubro. O episódio intitulado Checking In veio retomar um pouco o conceito de terror a que assistimos na segunda temporada, Asylum.

O Hotel Cortez, em Los Angeles, recebe duas turistas suecas. Estas ficam instaladas no misterioso Quarto 64, que será o cenário para muitas das cenas controversas do episódio – e de toda temporada, provavelmente. Os corredores do hotel são assombrados por crianças cuja característica principal é o seu cabelo loiro platinado. O pior acontece quando uma das turistas é atacada por um grupo dessas mesmas crianças, que se alimentam do seu sangue.

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O detetive John Lowe (Wes Bentley) está encarregue de investigar uma série de assassínios misteriosos cometidos em circunstâncias macabras. John ainda vive com o pesadelo de ter perdido o seu filho Holden numa feira há cinco anos, o que fragilizou o seu casamento com Alex (Chloë Sevigny). Uma chamada anónima conduz o detetive ao Hotel Cortez.

Somos apresentados a Iris (Kathy Bates), a rececionista do hotel, e a Liz Taylor (Denis O’Hare), um travesti que trabalha no bar. Ambos assistem à chegada de Gabriel (Max Greenfield), um toxicodependente que se instala também no Quarto 64 (após o desaparecimento das turistas suecas). Após injetar uma droga alucinogénica, Gabriel é violado por um demónio com um dildo em bico de metal. A situação chama a atenção de Hypodermic Sally (Sarah Paulson), também uma toxicodependente, que parece criar um fascínio tanto por Gabriel como pelo demónio.

Finalmente chega o momento de conhecermos a grande estrela desta temporada: Lady Gaga no papel de Condessa/Elizabeth (dona do hotel). A protagonista, em conjunto com o seu amante Donovan (Matt Bomer), seduz um casal num parque e condu-lo para o hotel. Como se uma cena de sexo a quatro não fosse suficientemente escandalosa, o desfecho dá-se quando Elizabeth e Donovan cortam as gargantas do seus companheiros e alimentam-se do seu sangue.

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Iris tem mantido as turistas suecas presas numa sala, acreditando que também estas são toxicodependentes, e mantendo o pretexto de as curar. Hypodermic Sally interrompe a cena e liberta uma delas, mas esta acaba por morrer às mãos da Condessa.

John Lowe, após não ter encontrado resultados no hotel, é agora conduzido a uma mansão, acreditando que a sua esposa Alex corre perigo. No cenário, após termos uma curta visão de James March (Evan Peters), assistimos a um novo assassínio macabro em que as vítimas têm intestinos fora do corpo. Através da publicidade feita a esta temporada, sabemos que James March foi o construtor e dono original do Hotel Cortez nos anos 30, o que nos faz crer que a série pode estar a introduzir aqui um elemento sobrenatural.

Will Drake (Cheynne Jackson), um pilar do mundo da moda em Nova Iorque, chega ao hotel com o propósito de o comprar, acompanhado pelo seu filho. Will apresenta-se como uma ameaça à Condessa e esta, em jeito de vingança, leva o filho do recém-fechado a uma sala secreta, onde estão todas as crianças de cabelo loiro platinado – entre elas Holden, o desaparecido filho do detetive.

Num flashback a 1994, descobrimos que Iris é, na verdade, mãe de Donovan, e seguiu-o até ao Hotel Cortez, pois este escondera-se no Quarto 64 de modo a consumir drogas com Hypodermic Sally. Iris fica presa no hotel de modo a proteger o filho, mas vinga-se ao atirar Sally de uma janela, matando-a. Esta cena faz-nos mais uma vez questionar se a quinta temporada de AHS introduzirá elementos sobrenaturais, pois durante todo o episódio Sally esteve viva e de “boa” saúde.

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O primeiro episódio desta nova instalação da série não surpreendeu em termos de temática, pois traz-nos um déja vu a um terror psicológico já explorado em Asylum. Hotel, no entanto, ganha bastante pelo seu visual: a criação do Cortez foi magnífica, atribuindo um certo assombramento a um edifício ao estilo de art déco. As narrativas exploradas não foram propriamente interessantes – já lá vai o tempo em que American Horror Story conseguia criar um episódio com pés e cabeça que lançasse uma temporada em grande. Ultimamente, a série assenta em cenas chocantes e narrativas separadas, ao invés de criar um conjunto coerente.

É possível dizer que a série sofre um pouco com a saída de Jessica Lange, protagonista das últimas quatro temporadas. Não temos agora um pilar que se assuma como imagem de destaque. Lady Gaga esteve bem, mas o seu papel vai demasiado de encontro ao seu estilo artístico – teria sido mais interessante vê-la em algo fora da sua zona de conforto. Se falarmos de protagonismo feminino, diria que Sarah Paulson tem vindo aos poucos a roubar a luz da ribalta.

NOTA: 7/10