Eram uma das bandas mais aguardadas do Indie Music Fest e tinham acabado de levar o bosque à loucura, sob a promessa de ir caçar alces. Na verdade, Os Capitães da Areia foram sentar-se com o Espalha-Factos no sofá, debaixo de uma manta aparentemente confortável, para uma conversa de meia-noite ainda animada.


EF: Primeira pergunta e a mais importante: o que é melhor, pão com marmelada ou tortas de azeitão?

António: Bom, eu acho que é pão com marmelada.

Pedro: Com tortas de azeitão tu não consegues sobreviver. E houve um eremita que viveu 12 anos só com pão com marmelada.

EF: Mas o que tem o pão com marmelada de tão especial?

Pedro: Tem pão e marmelada.

António: O pão com marmelada tem a nossa infância. (risos)

EF: Vocês tiveram a participação do Bruno Aleixo no vosso álbum. Como foi conhecê-lo?

António: O Bruno Aleixo é um cão, um bocado desenho animado… Nós conhecemos o João Moreira, o Bruno Aleixo não conhecemos. (risos)

Pedro: Bem, na verdade conhecemo-lo.

António: O João Moreira é um porreiro e fala sempre assim.

Pedro: Tem assim um pitch menos agudo, tem um segredo.

António: Tem um segredo, mas ele é muito fixe. E gostámos imenso porque ele alinhou connosco. Ao princípio ele não ia cantar, mas desafiámo-lo e ele aceitou.

EF: Se tivessem de escolher uma banda ou um artista deste cartaz para partilhar o palco, quem era?

António: Brass Wires Orchestra.

Tiago: Modernos.

Pedro: É Modernos, é Modernos! Espera lá, BISPO também era fixe.

António: Joga melhor BISPO. A resposta final é BISPO! (risos)

EF: Estavam à espera de um feedback tão positivo da vossa atuação hoje?

Tiago: O feedback em palco foi positivo. As pessoas ouvem o disco e dizem “ah eles são uns putos” mas depois veem o concerto ao vivo e costumam gostar.

Pedro: Uma mulher engravidou a ouvir-nos. (risos) O filho chama-se Bruno, Bruno Márcio. (risos)

EF: O vosso último álbum foi muito bem recebido pela crítica. Como lidaram com essa vaga de elogios?

Tiago: Houve crítica que não a recebeu bem. Houve bastantes elogios e ficámos contentes, e houve bastantes [más] críticas e também ficámos contentes. Nós gostamos de críticas ou muito boas, ou muito más. As médias…

Pedro: Não interessa. As boas ficamos muito felizes. As más fazemos uma espécie de bullying, gozamos muito.

Tiago: E rimo-nos imenso.

Pedro: Se tu falares mal de nós, nós vamos falar muito mal de ti. (risos)

Tiago: Uma crítica má veio de uma má impressão. Se não há reacção é porque nós não estamos a fazer as coisas bem feitas.

(Pedro bate palmas)

EF: No vosso último álbum, trabalharam com alguns grandes nomes da música portuguesa. Como é que foi essa experiência?

António: Foi alucinante porque eles são muito acessíveis.

Pedro: Não são tão distantes quanto aquilo que possa parecer.

António: Nós perguntávamos uma vez e eles diziam logo que sim.

Pedro: Foi um privilégio.

Tiago: Fomos muito bem recebidos e recebemos muito bem, também. E a cena foi nós termos de explicar o conceito do disco, que é quase inexplicável, em cinco minutos. O José Cid tem mais que fazer do que nos ouvir. Nós explicámos o conceito do disco e no final eles aceitaram. Nós sabíamos a resposta de algumas pessoas como o Tiago Guillul e o Samuel Úria, que são nossos amigos, e conhecemos, e os Capitão Fausto também. Mas outros como o José Cid, o Toy, o Rui Pregal da Cunha e o Miguel Ângelo não estávamos à espera. E tínhamos ideias muito concretas para eles fazerem. Se calhar iam achar que estávamos a gozar, mas não estávamos.

Pedro: Mas houve um que recusou, o Bruno Morgado. Os PAUS também recusaram.

António: O Bruno Morgado tinha uma desculpa excelente.

Pedro: É que ele bebeu álcool pela primeira vez no dia em que fizemos a pergunta. (risos)

António: Isto é verdade. É verídico. E estava demasiado ressacado para responder.

Tiago: Mas dizendo a verdade é que nós falámos disto com ele noutro dia e ele disse que não. (risos)

Pedro: O nosso coração está tão blindado que as coisas não magoam.

EF: Pergunta mais filosófica de hoje: qual é a missão dos Capitães da Areia?

Pedro: A missão é viajarmos para Lisboa amanhã e pensar no que é que vai acontecer. Essa é a missão mais imediata.

Tiago: Mas a missão de banda é fazer canções pop dançáveis.

Pedro: Coisas simples, bonitas.

EF: Quais são os vossos planos para um futuro próximo?

António: Amanhã vamos ao Frutalmeidas tomar o pequeno-almoço. (risos)

Pedro: Amanhã vou fazer a cama de lavado. Uma coisa que se faz semanalmente. (risos)

António: É tomar o pequeno-almoço no Frutalmeidas. Um pastel de massa tenra e um sumo de aceroula.