5 filmes que merecem um voto de confiança
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5 filmes que merecem um voto de confiança

Hoje joga-se o futuro de Portugal, não num campo de futebol, mas nas urnas. Na véspera do 105.º aniversário da nossa República, o povo português decide quem quer a governar o país durante os próximos quatro anos.

O Espalha-Factos reúne portanto no 5 desta semana um grupo de filmes que giram em torno da política e das consequências que ela tem na sociedade. Até porque, depois de ir exercer o nosso direito cívico, não há nada melhor que ver um bom filme enquanto se espera pelos resultados de logo à noite.

Peço a Palavra (1939)

Começamos esta lista com uma divertidíssima comédia. Peço a Palavra, protagonizado por James Stewart e dirigido por Frank Capra (uma dupla ator/realizador que nos ofereceria anos depois o clássico Do Céu Caiu Uma Estrela), é a história de Jefferson Smith e da sua inesperada ida para Washington como senador. A sua ingenuidade e bondade (ou não fosse ele líder dos escuteiros americanos) rapidamente entram em conflito com a hipocrisia e a falta de valores morais e éticos da capital da americana, e Smith depara-se então numa batalha contra o poder corrupto. Apesar das várias peripécias cómicas e da pequena história de amor vivida entre o protagonista e a sua secretária (interpretada por Jean Arthur, uma das maiores e mais prestigiadas estrelas de Hollywood), não falta em Peço a Palavra uma excelente narrativa que traz para a linha da frente os valores da democracia e que põe em evidência como os políticos a desrespeitam.

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Doutor Estranhoamor (1964)

Só um génio como Stanley Kubrick teria a ousadia de criar uma sátira à Guerra Fria e ao medo do conflito nuclear em plena década de 60, durante o auge da tensão entre EUA e URSS. Essa ousadia teve o nome de Doutor Estranhoamor e, já meio século depois da sua estreia, continua um dos mais inesquecíveis filmes políticos que o cinema já viu. Com Peter Sellers em três papéis distintos (incluindo o Dr. Estranhoamor do título) que lhe valeram uma nomeação para o Oscar de Melhor Ator e vários cenários de ação narrativa, cada minuto da fita é preenchido pelo humor negro presente noutras obras de Kubrick e por hilariantes diálogos entre as personagens (entre os quais se encontra a mítica frase “Senhores, não podem lutar aqui! Isto é a Sala de Guerra”), culminando pois numa eficaz e divertida (e, a dado momento, aterradora) paródia da guerra e da política da altura.

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Bom Povo Português (1981)

É certo e sabido que após o 25 de abril de 74 viveram-se momentos de enorme instabilidade em Portugal. Bom Povo Português, assinado por Rui Simões (cineasta que já havia em 1975 feito Deus, Pátria, Autoridade, filme centrado no salazarismo), documenta a situação social nacional entre o dia da Revolução dos Cravos e o Golpe de 25 de Novembro de 1975, desde a situação dos agricultores e das colónias até às manifestações do PS e PCP, sem esquecer os retornados e, por fim, o surgimento de Ramalho Eanes. Premiado tanto cá dentro, no Festival Internacional de Cinema de Figueira da Foz, como lá fora, no Festival Internacional de Cartagena na Colômbia, Bom Povo Português é um documento histórico sobre Portugal que abrange como poucos todos os pontos essenciais para compreender melhor uma das épocas mais conturbadas da nossa história.

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Manobras na Casa Branca (1997)

Em vésperas de eleições, o Presidente dos EUA vê-se envolvido num escândalo sexual que põe em risco a sua reeleição. Conrad Brean, um porta-voz da Casa Branca, é encarregue de encobrir o caso e distrair o público. Para tal, chama ao seu auxílio o produtor de Hollywood Stanley Motts para juntos criarem uma guerra falsa que resolva o problema. É este o ponto de partida de Manobras na Casa Branca, uma das comédias mais interessantes dos últimos anos que, com duas excelentes performances de Robert De Niro e Dustin Hoffman e um argumento bastante perspicaz, demonstra como funcionam os bastidores da política no que toca a influenciar o público e os media. Quando um ano depois da estreia se deu o bombardeamento a uma fábrica no Sudão por parte da administração americana, alguns acharam que, como em Manobras na Casa Branca, tal aconteceu para abafar o escândalo entre Bill Clinton e Monica Lewinski

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As Mil e Uma Noites (2015)

2015 não é só ano de eleições, é também o ano de As Mil e Uma Noites. A trilogia de Miguel Gomes foi desenvolvida a partir de histórias recolhidas nos últimos anos que refletem um Portugal sufocado pela austeridade e pela crise económica, num filme que alterna entre o documentário e a ficção, sempre com as consequências das recentes políticas do governo como pano de fundo. Com um orçamento de quase 3 milhões de euros, este é um dos mais ambiciosos filmes portugueses de sempre e, desde a sua aplaudida estreia em Cannes, tem vindo a arrecadar prémios e boas críticas por onde quer que passe. Os dois primeiros volumes, O Inquieto e O Desolado, ainda se encontram em algumas salas, já o terceiro e derradeiro capítulo, O Encantado, estreia no próximo dia 8.

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A rubrica “5”, iniciada em Fevereiro de 2014, pretende trazer aos leitores cinco factos cinematográficos de quinze em quinze dias. O tema varia em todos os artigos e a abrangência do mesmo é quase inesgotável.

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