A estreia de Plaza Suite, no Teatro Tivoli BBVA, marcou o regresso de Alexandra Lencastre aos palcos, no ano em que celebra 50 anos de vida e 30 de carreira.

A adaptação cinematográfica de Plaza Suite, do dramaturgo norte-americano Neil Simon, lançada em 1971, foi realizada por Arthur Hiller e nomeada para dois Golden Globe Award, pela Hollywood Foreign Press Association, para Melhor Filme Musical ou Comédia e Melhor Atriz Coadjuvante.

O texto, com tradução de Luísa Costa Gomes e encenação de Adriano Luz, trata-se de uma comédia acerca das peripécias de dois casais que, embora em diferentes fases do seu relacionamento, atravessam tempos difíceis. Ambas as histórias ocorrem na suite 719 do Hotel Plaza e quatro das personagens são interpretadas por Alexandra Lencastre e Diogo Infante. Ricardo Sá e Helena Costa completam o elenco, desempenhando com competência as suas pequenas participações.

Na primeira parte do espetáculo, assiste-se a um encontro romântico, encenado por uma mulher que tenta reconquistar o afeto do seu marido ao reviver a noite de núpcias. Na segunda parte, os pais de uma jovem noiva insistem com a sua filha, receosa da cerimónia que a espera, para que saia da casa de banho. Com um humor sofisticado, discute-se o desgaste natural das relações que duram há 23 ou 24 anos e que se comemoram ou hoje ou amanhã, mas também os momentos difíceis com que os ainda noivos se deparam, muitas vezes relacionados com a imagem da lua de mel que se torna puro fel à medida que o tempo esgota relações outrora promissoras.

Quanto a Alexandra Lencastre, não há dúvidas de que regressou em força. Cinco anos após ter integrado o elenco de Um Elétrico Chamado Desejo, no Teatro Nacional D. Maria II, a atriz, de talento inegável, conquistou facilmente a plateia e demonstrou enorme desenvoltura quando, em palco, Infante a chamou pelo nome. De facto, a cumplicidade entre os dois atores transpareceu ao longo de todo o espetáculo e contribuiu para a credibilidade dos personagens, interpretados de forma brilhante num registo cómico e tão perfeitamente executado que foi impossível não rir do princípio ao fim. Além de um texto inteligente e com graça, os atores fizeram uso não só da expressão facial como da expressão corporal, num registo mais exagerado que pede, naturalmente, uma outra intensidade, sobretudo no segundo ato, no qual a caracterização dos atores também está incrível.

Plaza Suite é a peça certa, daquelas que dá vontade de ver mais do que uma vez: os espetadores identificam-se, o humor é inteligente e a força de expressão fenomenal. Um espetáculo a não perder, em cena até dia 25 de outubro, no Teatro Tivoli BBVA, de quinta a sábado, às 21h30, e domingos, às 17h. O bilhete custa entre 12€ a 18€ e pode ser adquirido através da Ticketline.

Fotografias cedidas pela produção