Se és daqueles que pensa que o ballet é apenas dançado com música clássica, estás bem enganado. Hoje o dia é da música e do ballet, por isso decidimos mostrar-te seis bailados com música de algumas das bandas mais emblemáticas do século XX. 

Pink Floyd e a sua influência numa nova companhia

Ao longo do seu percurso, os Pink Floyd já têm influenciado muitos músicos. E também não deixaram o mundo da dança indiferente. Em 1972, Roland Petit funda o Ballet National de Marseille tendo como primeira peça: Pink Floyd Ballet. Petit usa faixas como Echoes ou One of These Days num ambiente em que tenta captar o rock progressivo através dos movimentos. Fumo, duetos e fatos brancos justos marcam um espetáculo que capta um período dos Pink Floyd já sem Syd Barrett e no caminho para os emblemáticos Wish You Were Here e The Wall. Entretanto, a companhia de ballet clássico e moderno foi-se destacando em produções como Extremalism ou Elegie.

Ballet likes Jagger 

Desde que Mick Jagger e Keith Richards se encontraram na estação de Dartford, em 1962, partiram para a conquista do mundo. E conseguiram! Os ingleses são das bandas mais reconhecidas da invasão britânica nos anos 60. Mas nem só de concertos esgotados, fãs em delírio ou milhões de álbuns vendidos se ficaram os Stones. Em 1994, a Rambert Dance Company leva os movimentos suscitados pela voz de Jagger a palco. Com os êxitos Not Fade Away, Paint It Black, Sympathy for the Devil ou Little Red Rooster, o espetáculo Rooster encarna o swagger inconfundível da banda. Christopher Bruce foi o coreógrafo responsável pelo swing em palco, em que um grupo de rapazes tenta engatar um grupo de raparigas, que sejamos sinceros…. não facilitam a conquista destes roosters atrevidos.

Fica com Little Red Rooster:

Queen, imortais até na dança!

Em 1997, um dos grandes mestres da dança europeia decide fazer uma peça dedicada a todos aqueles que morreram precocemente. E qual a melhor maneira de o fazer? Festejar a vida. Béjart homenageia Freddie Mercury e o bailarino Jorge Donn, que morreram ambos com 35 anos. O espetáculo é composto por música de Queen e o movimento que caracterizou Donn. Numa peça que tem percorrido o mundo, 37 bailarinos exaltam a dádiva da vida. Se a banda era conhecida pelo seu ecletismo, também a companhia de Béjart concretizou um espetáculo diverso, com várias mudanças de cenário e uma energia que a voz de Freddie Mercury não sufoca. O espetáculo nunca terminou para os Queen e o ballet é um dos muitos que o eterniza.

Vê como se dança Queen com The Show Must Go On:

Com muito amor, Radiohead!

Radiohead e Shakespeare podem dividir as mesmas cenas e não falo apenas do filme Romeo + Juliet com a faixa Exit Music (For a Film). Em 2005, a Slovenian Company Ballet Maribor, na Eslovénia, interpretou a mítica história de amor com a música de rock alternativo britânica. Sem se pegar à narrativa do dramaturgo inglês, o coreógrafo Edward Clug manteve o conflito entre Capuletos e Montéquios e a morte dos dois apaixonados, mas juntou flashbacks e efeitos de vídeo. Ao longo de uma hora, são dançadas 11 músicas dos álbuns  OK Computer, que consagrou a banda, e Kid A, um dos seus álbuns mais revolucionários. Um dos elementos mais importantes da coreografia é o movimento robótico das pernas e pés dos bailarinos, como se pode notar nas mortes das personagens Mercúrio ou de Julieta.

Vê como Like Spinning Plates pode banda sonora de uma história de amor:

O voo de Led Zeppelin 

Um dos grupos que mais contribuiu para a consagração da música psicadélica e do heavy-metal também pode ser dançado. Nem que seja no ar! LedZ Aérea é uma produção do Luminario Ballet, a companhia de dança contemporânea e aérea. Ramble On ou Kashmir, dos Led Zeppelin, foram coreografadas pela diretora artística Judith FLEX Helle. A mítica banda, considerada por muitos como uma das mais bem sucedidas da história da música, é levada para altos voos através do ballet.

No vídeo podes ver Ramble On do álbum Led Zeppelin II (1969). A música influenciada pelo livro O Senhor dos Anéis, escrita por Jimmy Page e Robert Plant, faz parte de um espetáculo de 2010, em Los Angeles.

The Doors em terras lusas

O carismático vocalista da banda The Doors tem um lugar na história da dança portuguesa. Jim é o nome da peça coreografada por Paulo Ribeiro e estreada em novembro de 2014 no Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães. A voz de um dos membros do clube dos 27 é interpretada pelos movimentos de Anna Réti, Carla Ribeiro, Leonor Keil, Sandra Rosado, Avelino Chantre e Pedro Ramos. Os troncos dos bailarinos parecem moldados por plasticina, tal e qual como Jim Morrison construía a maior parte das letras das músicas da sua banda.

An American Prayer (álbum integral) e Spanish Caravan fazem parte da banda sonora da peça, que faz uma procura pelo coletivo através dos movimentos individuais de cada bailarino e do rock psicadélico. Os intervenientes parecem inconformados e na procura por algum sentido, assim como Jim Morrison vasculhava na música, na poesia e na política. José António Tenente foi o responsável pelos figurinos, que caracterizam bem o clima vivido pela banda nos anos 60. E se o vocalista é considerado um ícone, estando no 47.º lugar nos 100 Maiores Cantores de Todos os Tempos, da revista Rolling Stone, a Companhia Paulo Ribeiro vai fazer 20 anos este ano e tem um espetáculo programado para novembro.